Depois do campeonato, chega a decisão da Taça de Portugal

José NevesMaio 30, 20199min0

Depois do campeonato, chega a decisão da Taça de Portugal

José NevesMaio 30, 20199min0
Três candidatos e um “outsider” entram este fim de semana em rinque no Pavilhão Dr. Salvador Machado, em Oliveira de Azeméis, de olhos postos no troféu.

Oliveira de Azeméis recebe neste fim de semana a final four da 46ª edição da Taça de Portugal de hóquei em patins, e antes ainda da bola rolar um dado é já adquirido, o troféu vai mudar de mãos. Isto porque o actual detentor das últimas três edições da prova, o FC Porto, caiu nos quartos de final perante o Sporting CP, num jogo que foi um verdadeiro hino à modalidade, abrindo caminho para que três formações possam adicionar mais uma taça ao seu palmarés na prova, ou que uma outra a conquiste pela primeira vez no seu historial.

De referir que esta é apenas a terceira vez nas últimas oito épocas que nenhuma equipa do segundo escalão chega a esta fase da prova, depois do Riba d’Ave (2017-18), Física (2016-17), Alenquer (2013-14), Sanjoanense (2012-13) e Turquel (2011-12), todos terem chegado às meias finais da Taça enquanto disputavam o campeonato da 2ª divisão nacional.

Primeira meia-final com campo pouco neutro

À não muitos anos o local escolhido para a realização da final four da competição era anunciado antes de serem conhecidas as equipas apuradas para esta fase da prova, correndo-se assim o risco de uma das equipas apuradas para as meias finais da taça, acabar por disputar a final four em sua casa. Ainda assim, e apesar de na última década a fase final da prova se ter realizado em alguns pavilhões de emblemas com tradição na modalidade, como Barcelos, Paço de Arcos, Turquel ou São João da Madeira, as equipas locais falharam sempre o acesso à final four.

Nas últimas épocas a federação tem anunciado o local da decisão numa data posterior à realização dos quartos de final, e, portanto, numa altura em que já são conhecidas as quatro formações com passaporte para o fim de semana da decisão, e pela segunda temporada consecutiva a final four é anunciada para o pavilhão de um dos conjuntos apurados para as meias finais.

Assim, a Oliveirense parte com ligeiro favoritismo para a conquista da prova, e como o principal favorito para o embate das meias finais diante do Riba d’Ave. O actual vice-campeão nacional viu-se privado de dois dos mais influentes jogadores nas derradeiras jornadas do campeonato, Ricardo Barreiros e Marc Torra, mas apesar das ausências a Oliveirense venceu todas as partidas em que ambos os jogadores não alinharam, subindo ao segundo posto onde terminaria a prova. Agora, tanto Barreiros como Torra, estão disponíveis para o ataque à Taça de Portugal.

Para aqui chegar, a turma de Renato Garrido deixou pelo caminho o Oeiras nos dezasseis avos, os Tigres de Almeirim nos oitavos, e a Sanjoanense nos quartos. Num derby emotivo frente a uma Sanjoanense que, entretanto, carimbou o regresso ao escalão maior do hóquei nacional, o conjunto de Azeméis apenas confirmou a passagem às meias finais no desempate por grandes penalidades, tendo mesmo estado a apenas 5 segundos da eliminação.

O espanhol Marc Torra, figura maior da Oliveirense nesta temporada, foi o autor do golo que enviaria tudo para prolongamento, numa altura em que a equipa treinada por Renato Garrido jogava já sem guardião na baliza, em situação de 5×4.

A equipa de Oliveira de Azeméis pretende vencer a prova pela 4ª vez na sua história, juntando o título desta época aos de 1996-97, 2010-11 e 2011-12, o último alcançado no pavilhão da vizinha Sanjoanense, batendo na final o Benfica. Uma final que pode ser reeditada agora, em 2019.

Já o Riba d’Ave surge como o “outsider” à corrida pela taça. Repetindo a presença da temporada passada, onde caiu perante o FC Porto nas meias finais, a equipa de Hugo Azevedo causou sensação nos oitavos de final ao deixar de fora um dos maiores candidatos a estar presente nesta fase da prova, o OC Barcelos, em jogo realizado em casa do histórico emblema minhoto vencedor da prova em quatro ocasiões.

O Riba d’Ave sabe, portanto, o que é preciso fazer para surpreender uma equipa favorita no seu reduto, e terá de voltar a causar sensação de quiser que 2018-19 fique na história do clube. Das quatro formações ainda em prova, o Riba d’Ave é a única que não conta com nenhum troféu em seu poder, sendo que os minhotos nunca sequer chegaram à final da prova. O representante minhoto tem muito pouco a perder, e tudo a ganhar neste fim de semana.

Para além da surpreendente eliminação do Barcelos,  o Riba d’Ave foi o carrasco do vizinho Famalicense nos dezasseis avos de final, e do Paço de Arco nos quartos, numa partida decidida apenas em tempo de prolongamento.

Um dado preocupante para turma minhota é que nos dois jogos realizados entre Riba d’Ave e Oliveirense para o campeonato nesta época, Xavier Puigbi manteve a baliza inviolável em ambos, tendo a recepção ao Riba d’Ave sido o único encontro caseiro da Oliveirense para o campeonato em que não sofreu qualquer golo. Para ser feliz o Riba d’Ave terá, portanto, de fazer algo que não conseguiu para o campeonato, e bater a muralha defensiva da Oliveirense.

Marc Torra falhou as últimas partidas da Oliveirense, mas deve regressar na final four (Foto: Tony Dias/Global Imagens)

À quarta será de vez para as águias?

A segunda meia final da taça será uma reedição da meia final da Liga Europeia, Benfica e Sporting voltam a medir forças com vista à final de uma competição.

Este será o quarto embate entre ambas as equipas nesta temporada, sendo que nos outros três a vitória nunca sorriu às águias, contabilizam-se para já duas vitórias leoninas e um empate.

O melhor resultado do Benfica diante do Sporting esta temporada surgiu logo na primeira jornada do campeonato nacional, e em casa do eterno rival, com um empate a três bolas. Curiosamente o único dos três embates que o Benfica não perdeu diante do Sporting foi, igualmente, o único dos três em que ao leme da equipa esteve Pedro Nunes.

Desde a chegada do técnico argentino Alejandro Dominguez, águias e leões enfrentaram-se por duas ocasiões, a primeira das quais no campeonato nacional, no Pavilhão da Luz, uma partida em que o Sporting venceu por inequívocos 1-4, num jogo que ficou marcado pelo facto dos encarnados terem jogado em superioridade numérica durante 12 minutos consecutivos, sem que no entanto tivesse causado grandes situações de perigo junto da baliza leonina nesse mesmo período.

O último embate entre ambos é bem mais recente, no dia 11 de Maio no Pavilhão João Rocha, palco da final four da Liga Europeia, os dois rivais de Lisboa foram protagonistas de uma das meias finais da principal prova europeia de clubes, e mais uma vez não houve dúvidas quanto ao vencedor.

Apesar do resultado equilibrado de 5-4 favorável ao Sporting, ao longo de quase toda a partida foi a equipa treinada por Paulo Freitas a liderar o marcador e a comandar as ações dentro de pista, com um período de maior acerto do Benfica já perto do final, em que marcou por três vezes em menos de cinco minutos, transformando um resultado de 1-4 para 4-4, e dando um novo ânimo aos encarnados. Apesar da reação das águias, um golo de Gonzalo Romero – que seria o principal candidato a receber o prêmio de MVP da final four, se tal condecoração existisse – já nos instantes finais da partida, acabaria por dar uma vitória justa aos leões, e levá-los à final da Liga Europeia que haveria de vencer no dia seguinte.

Leões e águias medem forças pela quarta vez esta temporada (Foto: Sapo Desporto)

No caminho para chegar a esta final four, o Benfica deixou pelo caminho o SC Torres, emblema do terceiro escalão que disputa actualmente o acesso à 2ª divisão, por expressivos 9-0, tendo voltado a golear nos oitavos de final, desta feita o Campo de Ourique, da segunda divisão, por 13-2. Na antecâmara da final four o Benfica recebeu no seu pavilhão a Juventude de Viana, tendo ultrapassado a equipa primodivisionária por 7-4.

Já o Sporting iniciou a caminhada num pavilhão da primeira divisão, com uma vitória por 6-3 em Braga, seguindo-se igualmente um adversário do terceiro escalão, o histórico Sesimbra, que sucumbiu perante os leões por 12-4, naquela que foi a primeira derrota da época do histórico emblema que entretanto já carimbou o regresso à 2ª divisão nacional.

Nos quartos de final o Sporting recebeu no seu pavilhão o FC Porto para o que se previa ser um jogo de grande qualidade, e efectivamente ambas as equipas não defraudaram as expectativas. Num jogo com um ritmo alucinante e numa segunda parte de parada e resposta, acabou por ser o conjunto de Alvalade a levar a melhor por 8-7, num jogo apenas decidido após prolongamento.

Este será o 20º encontro entre os rivais para a Taça de Portugal, sendo o histórico claramente favorável ao Benfica. Dos 19 encontros já realizados as águias saíram vitoriosas por 14 vezes, sendo que destas, três foram em finais, já os leões derrotaram o rival por apenas quatro ocasiões, registando-se ainda um empate no ano de 1963.

Em caso de vitória encarnada neste fim de semana, esta será a 16ª taça do palmarés do SL Benfica, podendo encurtar distância para o recordista FC Porto, que conta com 17. Se for o Sporting a festejar, esta será a 5ª Taça de Portugal da história do clube, a primeira desde 1990. Desde essa última conquista verde e branca, o Sporting já chegou à final por duas ocasiões, tendo perdido ambas para o adversário deste sábado, o Benfica.

Apesar de a época não terminar oficialmente este fim de semana, faltando ainda terminar as fases finais dos campeonatos da 2ª e 3ª divisão, o hóquei ao mais alto nível despede-se de 2018-19 com esta final four da Taça de Portugal. E para a despedida fica a promessa de três grandes jogos, para decidir quem vence o último grande troféu da temporada, e quem se junta ao FC Porto na disputa pela Supertaça António Livramento, na stickada inicial de 2019-20.

 

Foto de Capa: WS Europe/ Marzia Cattini


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