Balanço do campeonato de hóquei em patins – Parte 4

José NevesJulho 8, 201811min0

Balanço do campeonato de hóquei em patins – Parte 4

José NevesJulho 8, 201811min0
A parte 4 do balanço da época 2017-18 debruça-se sobre as 4 formações que terminaram o campeonato entre a 2ª e 5ª posições. Equipas que cairam no sprint final, que falharam em toda a linha e que surpreenderam ao longo da época, fique com as análises à época de Benfica, Porto, Oliveirense e Valongo.

Chegamos ao topo da classificação e olhamos agora para a época 2017-18 das equipas que terminaram o campeonato entre a 2ª e a 5ª posições, com três conjuntos que falharam o seu objectivo de ser campeão  nacional, e uma outra que por pouco não foi o intruso entre os 4 candidatos ao título.

SL Benfica

Longe vão os tempos onde uma época sem títulos para a equipa encarnada poderia ser encarada como positiva, nos tempos que correm e com a qualidade dos plantéis das águias, não ganhar qualquer troféu referente a uma temporada é um fracasso.

Por isso a temporada de 2017-18 do Benfica pode ser encarada como um fracasso. Um 2º lugar no campeonato, uma eliminação nos quartos de final da taça às mão do FC Porto, e uma eliminação nos quartos da Liga Europeia, novamente às mãos do FC Porto. Aliado a estes maus resultados desportivos o Benfica apresentou nos jogos de maior dificuldade um jogo pobre quando comparado ao hóquei praticado por FC Porto e Sporting CP, com bastantes debilidades defensivas, debilidades essas que não são exclusivas desta temporada.

É verdade que o Benfica de Pedro Nunes sempre se destacou pelo poderio ofensivo e não tanto pelo rigor na defesa, prova disso são os 99 golos sofridos pelos encarnados na temporada de 2016-17, época em que o Benfica disputou o título de campeão nacional com o Porto até ao último segundo, mas nesta temporada nem esse poderio ofensivo foi tão evidente como no passado. Apesar de ter sofrido menos 31 golos que na temporada anterior, ainda assim mais que Porto e Sporting, o conjunto de Pedro Nunes também foi menos eficaz marcando menos 42 golos. Estes 162 golos marcados pelos encarnados são o seu pior registo desde que o campeonato é disputado a 14 equipas, e após 4 temporadas consecutivas a terminar os campeonatos como o melhor ataque da prova, nesta época o Benfica viu outro conjunto marcar mais que ele, o FC Porto que marcou por 168 vezes.

Na Taça de Portugal a equipa encarnada acabou eliminada do terreno do FC Porto por 5-2 nos quartos de final da prova, numa fase da época bem negativa para os encarnados – este jogo seguiu-se à eliminação da Liga Europeia – os dragões mostraram-se superiores na partida deixando os rivais pelo caminho. Para trás os encarnados haviam deixado o Famalicense do 2º escalão nos oitavos de final, e o Grândola nos 16-avos de final da competição.

Já na Liga Europeia os encarnados vão querer esquecer rapidamente a edição 2017-18 da prova. Depois de na fase de grupos ter saído em sorteio o poderoso Barcelona, o Benfica apenas conseguiria passar o grupo na 2ª posição perdendo ambos os jogos frente aos catalães, mas o pior estava ainda para vir. Num duelo 100% português nos quartos de final, o Benfica derrotou o FC Porto em Lisboa por escassos 3-2, deixando tudo em aberto para o jogo da 2ª mão, mas a eliminatória não ficaria em aberto por muito tempo, já que na cidade do Porto a equipa da casa goleou as águias por impensáveis 9-2, chegando facilmente ao 5-0 na fase inicial da partida. O Benfica caía com estrondo na principal prova de clubes da Europa.

A temporada foi bastante negativa para o conjunto da Luz, eliminado em todas as frentes pelos principais rivais, o Benfica não venceu qualquer troféu referente à presente temporada desportiva, algo que não acontecia desde a temporada 2008-09.

FC Porto

Vindo de uma temporada em que ganhou todas as competições nacionais que disputou, o FC Porto partia para 2017-18 com o objectivo de se manter na rota das conquistas, e apesar de ter levado dois dos quatro troféus que disputou para o seu museu, a verdade é que os dois que perdeu foram os mais importantes.

O FC Porto terminou o campeonato na 3ª posição em igualdade pontual com o SL Benfica, e a apenas 2 pontos do campeão Sporting, tudo seria diferente se os dragões saíssem do jogo frente ao Sporting, na penúltima jornada, como vencedores. O jogo no pavilhão João Rocha foi uma autêntica final onde quem vencesse seria campeão nacional, em caso de vitória leonina o Sporting seria automaticamente campeão, uma vitória azul e branca, apesar de não valer o título no imediato, deixava os dragões com uma mão no troféu uma vez que na derradeira ronda jogavam perante o seu público frente ao já despromovido Infante Sagres. Mas a vitória nessa tarde, e a consequente festa, foi verde e branca, atirando o FC Porto de um possível 1º lugar para o 3º onde acabaria a época.

Com o melhor registo ofensivo da temporada, com 168 golos apontados, e o 2º melhor defensivo, com 67 sofridos, ainda assim mais 19 que o campeão Sporting, o FC Porto não conseguiu dar continuidade à série de conquistas internas, e juntar o campeonato à supertaça conquistada no início da temporada, e à Taça de Portugal que ganharia na semana seguinte ao término do campeonato.

Com um hóquei de alta qualidade, tido por muitos como o melhor praticado em todo o país, o FC Porto acabou por vacilar frente aos rivais, vencendo apenas 1 dos 4 encontros frente a Benfica e Sporting para o campeonato, apesar de nas provas a eliminar se ter superiorizado a ambos.

Para a Taça de Portugal a equipa de Guillem Cabestany deixou pelo caminho a UD Oliveirense nos 16-avos de final, o Sporting CP nos oitavos, num jogo disputado no pavilhão dos leões e decidido apenas no desempate por grandes penalidade, e o SL Benfica nos quartos. Na final-4 o FC Porto carimbou a terceira conquista consecutiva da Taça de Portugal, e 17ª do palmares, batendo o Riba d’Ave nas meias finais por 6-2, e a AD Valongo por 3-2, numa final decidida no prolongamento com um golo de Reinaldo Garcia a escassos 36 segundos do final.

Na Liga Europeia os portistas completaram um excelente trajecto até à final tendo triunfado em cinco dos seis jogos da fase de grupos frente ao Follonica de Itália, ao La Vendéenne de França e ao Vic de Espanha, os espanhóis foram a única formação a roubar pontos aos dragões nesta fase com um empate a 4 na Catalunha. Nos quartos de final surgiu a primeira derrota na competição em casa do Benfica, mas na 2ª mão, no Dragão Caixa, Gonçalo Alves liderou a sua equipa marcando por 5 vezes na goleada por 9-2 frente aos encarnados. Já na final-4, numa fase da prova que seria disputada na casa do FC Porto, os azuis e brancos derrotaram o Sporting por claros 5-2, caindo apenas na final frente ao Barcelona, crónico vencedor da prova, que derrotou a equipa portuguesa por 4-2.

Foram duas conquistas em quatro provas, e apesar de as duas que escaparam serem as mais importantes do panorama hoquístico nacional e europeu, o FC Porto cimentou a sua liderança como equipa mais titulada do hóquei em patins português.

FC Porto conquistou Supertaça e Taça de Portugal em 2017-18 (Foto: Hoqueipatins.pt / António Lopes)

UD Oliveirense

A Oliveirense assume-se cada vez mais uma séria candidata ao título, com um plantel de elevada qualidade existe uma grande aposta na conquista de importantes títulos, mas ainda não foi na temporada de 2017-18 que eles chegaram a Oliveira de Azeméis.

Com um campeonato para esquecer, a Oliveirense terminou a 20 pontos do campeão Sporting e apenas registou 2 pontos frente às três formações que lutaram pelo título, fruto de empates caseiros frente a Sporting e Benfica, um registo bastante negativo frente aqueles que à partida seriam os seus adversários directos na luta pelo título. Mas não foi só frente aos mais fortes que a Oliveirense registou maus resultados, a formação de Oliveira de Azeméis somou apenas 6 vitórias fora de portas, deixando pontos nos terrenos de Turquel (2-2), Paço de Arcos (6-7) e Valongo (3-10), destaque negativo ainda para a derrota caseira frente ao Tomar por 3-4.

Os resultados das visitas ao Valongo e ao Sporting são mesmo os mais impressionantes, principalmente porque foram consecutivos. A Oliveirense fechou a primeira volta com uma derrota por 1-9 em casa do Sporting e inaugurou a 2ª volta com nova goleada, esta em casa do Valongo por 3-10, no total foram 19 golos encaixados em apenas 2 jogos, impensável para uma equipa que era apontada ao título.

Nem as provas a eliminar salvaram a época do Oliveirense, na Taça de Portugal a experiência foi curta com derrota logo nos 16-avos de final no terreno do FC Porto por 3-4. Desde a vitória na competição em 2011-12 que a Oliveirense é sempre eliminada por um dos denominados “3 grandes”.

Na Liga Europeia e apesar de estar num grupo equilibrado, a formação de Tó Neves conseguiu a passagem aos quartos ficando no 2º lugar do grupo atrás dos catalães do Reus, eliminando os italianos do Viareggio nesta fase. Nos quartos de final mais uma vez o carrasco foi um dos “3 grandes”, o Sporting triunfou em ambos os jogos pelo mesmo resultado (2-3) e deixou a Oliveirense fora da tão ambicionada final-4.

Foi mais uma temporada falhada pela Oliveirense que resultou na troca de timoneiro no banco da equipa, ainda antes do final da temporada Tó Neves foi substituído pelo então técnico da Juventude de Viana, Renato Garrido. Garrido será mais uma vez coadjuvado pelo lendário Edo Bosch, e é nesta dupla que reside a ambição da Oliveirense em finalmente trazer um título de campeão para Oliveira de Azeméis.

AD Valongo

A formação do Valongo realizou uma das melhores temporadas desde o inédito título nacional de 2013-14, com alguns dos melhores jogadores do campeonato extra top-4 e com um jovem técnico que capitaneou essa equipa de 2013-14 e que enquanto treinador tem mostrado bastante competência ao leme dos valonguenses, o objectivo para esta época era o 5º lugar, mas por pouco o Valongo não terminou no 4º posto.

Aproveitando uma má época da Oliveirense, a formação do Valongo terminou a apenas 5 pontos de um lugar de acesso à Liga Europeia que escapou na fase decisiva da época com 3 derrotas nos derradeiros 4 jogos, e todas fora de portas – 2-4 em Tomar, 6-8 em Turquel e 5-7 em Valença – ainda assim este final de temporada menos conseguido não impediu o Valongo de conquistar um merecido 5º lugar, batendo Barcelos, Juventude de Viana e Tomar por esse posto da tabela classificativa.

Uma equipa tradicionalmente forte no seu reduto, o Valongo conquistou 10 vitórias nos 13 jogos disputados no “San Siro”, apenas os três primeiros do campeonato passaram em Valongo com o Sporting e o Porto a vencerem ambos por 5-3, e o Benfica a conquistar 1 ponto com um empate a 2. Todas as outras formações do campeonato saíram derrotadas de Valongo, com destaque para a Oliveirense que foi goleada por impensáveis 10-3.

Na única prova a eliminar que o Valongo competiu, a Taça de Portugal, uma vez que pelo 2º ano consecutivo a formação valonguense renunciou ao direito de competir na Taça CERS devido a dificuldades financeiras, o conjunto liderado por Miguel Viterbo alcançou pela primeira vez o seu historial a final da competição, deixando pelo caminho a Juventude Salesiana nos 16-avos de final, o Lavra do 3º escalão nos oitavos, o Marinhense nos quartos de final e, já na final-4, o SC Tomar num electrizante jogo decidido no desempate por grandes penalidades, sendo apenas batido pelo FC Porto na final com um golo a 36 segundos do final do prolongamento.

Uma época muito positiva para a equipa da AD Valongo que apresentou um hóquei de muita qualidade e que se mostrou, como habitualmente, um osso duro de roer para qualquer candidato ao título. Apesar de falhado o apuramento para a Liga Europeia, e com a probabilidade de voltar a renunciar à Taça CERS na próxima época, a jovem equipa do Valongo promete continuar a ser uma das mais difíceis de bater em Portugal, principalmente quando tem atrás de si uma legião de adeptos que enche o pavilhão a cada jornada.


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