Balanço do campeonato de hóquei em patins – Parte 2

José NevesJulho 4, 201811min0

Balanço do campeonato de hóquei em patins – Parte 2

José NevesJulho 4, 201811min0
O Fair Play continua o balanço ao Campeonato Nacional de Hóquei em Patins 2017-18, depois dos destaques individuais chega a altura de olhar para a época dos clubes que fizeram parte da 78ª edição da prova.

Continuamos com o balanço do campeonato de hóquei em patins, e depois dos destaques individuais, analisamos agora a época 2017-18 de todos os clubes participantes na 1ª Divisão Nacional de Hóquei em Patins. Hoje damos a stickada de abertura com os cinco emblemas que terminaram entre a 10ª e a 14ª posição da tabela classificativa.

CD Paço de Arcos

Esta temporada foi a de início de um novo ciclo o clube da linha com a chegada de Luís Duarte para o posto de treinador, o técnico que nos últimos anos guiou a seleção de sub20 portuguesa a vários êxitos europeus e mundiais regressou a uma casa que bem conhece para assumir as rédeas da equipa principal.

Com o objectivo inicial da manutenção no principal escalão da modalidade, o Paço de Arcos contou com importante contributo de dois atletas emprestados pelo Sporting CP para atingir esse objectivo. André Centeno e Gonçalo Nunes foram as grandes figuras do histórico emblema de Lisboa, tendo ambos marcado 61 dos 95 golos do Paço de Arcos nesta edição do campeonato.

Terminando o campeonato na 10ª posição com 27 pontos, os mesmo do 9º Turquel, e com um registo de 8 vitórias, 3 empates e 15 derrotas, o Paço de Arcos acabou por melhorar em relação à temporada transacta, em que conquistou o mesmo 10º lugar mas com apenas 22 pontos. Para esta melhoria muito contribuiu a recta final de campeonato, em que a equipa do Paço de Arcos alcançou três vitórias nas derradeiras três jornadas, vitórias no Casablanca frente ao Infante Sagres por 9-1 e ao SC Tomar por 3-2, e uma última deslocação vitoriosa ao terreno do Grândola por 7-2, carimbaram a manutenção do Paço de Arcos deixando uma folga de 8 pontos entre estes e o primeiro clube despromovido.

Na Taça de Portugal o percurso foi mais curto do que certamente os responsáveis do Paço de Arcos esperavam, a equipa lisboeta caiu nos 16-avos de final, a primeira eliminatória para as equipas do principal escalão, no terreno do também primodivisionário Valença num jogo decidido no desempate por grandes penalidades. Após um empate a 3 bolas no final do tempo regulamentar e do prolongamento, nenhum jogador do Paço de Arcos foi capaz de converter a sua grande penalidade o que resultou na eliminação do Paço de Arcos na Taça de Portugal.

2017-18 foi uma época na senda do que o Paço de Arcos tem feito nos últimos tempos, um lugar na segunda metade da tabela, e uma sempre emocionante luta pela manutenção que acaba, com maior ou menor dificuldade, por ser alcançada. Desta feita com a novidade de colocar um homem entre os principais goleadores do Campeonato Nacional, Gonçalo Nunes com 35 golos foi o 6º principal artilheiro do campeonato. E com as já anunciadas saídas de Nunes e Centeno, o Paço de Arcos passará agora pela difícil tarefa de substituir os dois elementos mais preponderantes desta temporada.

Gonçalo Nunes foi uma das figuras do Paço de Arcos nesta temporada (Foto: Carmo Honório)

HC Braga

Em ano de regresso à primeira divisão o Braga trazia na bagagem a esperança na manutenção baseada numa temporada em que terminou a zona norte da 2ª divisão sem qualquer derrota. Com alguns jogadores que protagonizaram esse imaculado trajecto no segundo escalão com qualidade mais que suficiente para a principal divisão, como Pedro Delgado ou Francisco Veludo, com um trio internacional pelas camadas jovens portuguesas, Gonçalo Meira, António Trabulo e Carlos Loureiro, e aos quais se juntou um experiente Gonçalo Suissas, ex.Juv.Viana, o Braga apresentava-se em 2017-18 como a equipa com maiores probabilidades de sucesso na luta pela sobrevivência de entre as três que alcançaram a promoção.

O inicio de temporada não foi fácil, e o Braga contava à 9ª jornada com apenas 4 pontos conquistados, e no final da primeira volta o número de pontos era apenas 8, o que valia ao Braga um 12º lugar que lhe valia a despromoção de volta à 2ª divisão. Mas tudo mudou após a 18ª jornada, estando já a 4 pontos da primeira equipa acima da zona de despromoção, o Braga recebia o Paço de Arcos, rival directo na luta pela manutenção mas que já havia amealhado até então mais 8 pontos que os bracarenses. Uma vitória por 6-4 relançava a equipa minhota no seu objectivo, tendo contado com a inspiração de Pedro Delgado, que até então averbava 12 golos marcados no campeonato e nesse jogo bateu Diogo Rodrigues, guarda redes do Paço de Arcos, por 4 vezes.

Nos derradeiros 9 jogos o HC Braga venceu por 4 vezes, uma delas na última jornada do campeonato que decidiria os destinos de Braga e Valença, uma vitória bracarense mantinha a equipa de Vítor Silva na primeira divisão e mesmo após ir para o intervalo a perder no seu pavilhão por 0-2 frente ao já tranquilo HC Turquel, o Braga deu a volta no segundo tempo e venceu por 3-2, mantendo-se assim entre os grande do hóquei em patins.

O destaque individual da época, como referido na parte 1 do nosso balanço da época, foi Pedro Delgado, ou Bekas como é conhecido no meio, jogador que marcou por 18 vezes nas últimas 9 jornadas, dando um grande contributo para a sofrida manutenção do HC Braga.

Na Taça de Portugal o HC Braga não foi além dos oitavos de final, depois de deixar pelo caminho uma desfalcada Juventude Viana por 6-5 após prolongamento, a equipa da cidade dos arcebispos caiu no terreno do SC Marinhense, da 2ª divisão, por 4-7.

Uma época de altos e baixos para o HC Braga mas que culminou no alcançar do seu principal objectivo, a manutenção. 2018-19 mais uma vez não se prevê fácil para a equipa que será treinada por Rui Neto, e que irá ver partir um dos pilares do sucesso nas duas últimas temporadas, Francisco Veludo.

Valença HC

Se o Braga se salvou na última jornada do campeonato, isso significou que o Valença viu ser confirmada a sua despromoção nessa mesma derradeira ronda. Apesar de também ter saído vitorioso na recepção ao Valongo por 7-5, a reviravolta do HC Braga frente ao HC Turquel significou o fim da presença dos valencianos no principal campeonato de hóquei em patins português, uma participação que apenas durou 2 temporadas.

Depois de na temporada de estreia o Valença ter alcançado uma qualificação para a Taça CERS, a segunda época entre os grandes não correu da melhor maneira a equipa liderada por Orlando Graça, no campeonato o Valença foi despromovido por apenas 1 ponto, ficando certamente a lamentar-se pelas três derrotas caseiras na fase decisiva do campeonato, frente a Infante Sagres por 4-5, SC Tomar por 3-4 e HC Turquel por 2-5.

A Taça de Portugal foi a competição onde o trajecto dos valencianos foi mais positivo, chegando aos quartos de final da prova, não tendo ficado muito longe de uma final-4 que seria inédita para o clube minhoto. Depois de eliminar o CD Paço de Arcos nos 16-avos de final no desempate por grandes penalidades, e de triunfar por 6-2 no terreno do histórico GD Sesimbra, agora a militar na 3ª divisão, o Valença caiu no terreno do Riba d’Ave com um golo no último minuto do prolongamento, isto depois de recuperar de uma desvantagem de 2 golos nos minutos finais do tempo regulamentar.

Já para a Taça CERS a experiência na segunda prova europeia foi bem mais curta com a eliminação perante os catalães do CP Voltregà nos oitavos de final, uma derrota na primeira mão em território espanhol por 1-5 acabou por ditar a eliminação, e já de nada serviu a vitória caseira no segundo encontro por escassos 2-1. Para trás, na primeira eliminatória da prova, os valencianos haviam deixado pelo caminho os austríacos do Wolfurt, triunfando por 5-1 em casa e gerindo o jogo da 2ª mão onde se registou um empate a 3 bolas.

O Valença HC despede-se assim da primeira divisão mas certamente sai com vários pontos positivos destes 2 anos no principal escalão, apesar de ter claudicado na recta final do campeonato, o Valença mostrou por várias ocasiões estar à altura da exigência da primeira divisão, e estará certamente apostado num regresso o mais depressa possível.

C Infante Sagres

Depois da subida ao principal escalão, o regresso à 2ª divisão nacional. Já em 2011-12 tinha sido este o trajecto do Infante Sagres, que terminou essa edição do campeonato na última posição, e agora, mais uma vez de regresso à primeira divisão, o caminho foi o mesmo e o clube portuense volta a ser despromovido.

Com apenas 10 pontos conquistados ao longo da época, curiosamente o mesmo número de pontos que o Infante Sagres conquistou em 2011-12, o clube da cidade do Porto não se conseguiu mostrar ao nível exigido para o primeiro escalão e despede-se com um registo de apenas 3 vitórias – HCP Grândola (6-4), HC Braga (4-3) e Valença HC (5-4), esta última fora de portas – e um empate, no terreno do Turquel por 8-8.

Com o pior registo defensivo de todo o campeonato com 178 golos consentidos, este é o pior registo desde que o campeonato é disputado a 14 equipas, sendo necessário recuar até 2012-13 para encontrar maiores números no capitulo dos golos sofridos. Nessa época AD “Os Limianos” (194), HC “Os Tigres” (197) e ACR Gulpilhares (256) foram as três piores defesas da prova, todas com números acima dos 178 desta temporada do Infante Sagres.

Na Taça de Portugal o Infante Sagres apenas realizou um jogo, tendo sido afastado da prova pelo SC Tomar com uma derrota por 1-5 na cidade dos templários, curiosamente também na temporada passada o carrasco dos portuenses foi a equipa liderada por Nuno Domingues, aí com uma derrota caseira por 8-3 na mesma fase da competição.

Com a confirmação de que vários dos jogadores que compuseram o elenco do Infante Sagres esta temporada estão de saída do clube, é expectável que os responsáveis se sirvam de alguns jogadores de equipa de sub20 para colmatar estas saídas. Sendo públicas as dificuldades que o histórico emblema da cidade invicta atravessa, é improvável que nas próximas épocas vejamos um novo regresso ao topo do hóquei nacional.

HCP Grândola

Em época de estreia entre a elite do hóquei em patins português, e depois da espectacular conquista do título nacional da 2ª divisão, a tarefa do Grândola em manter-se na primeira divisão era à partida bastante difícil. Sem apresentar qualquer reforço de peso para a exigente temporada que se adivinhava, o Grândola partia teoricamente atrás das outras duas formações que com ele chegaram à primeira divisão, e era o principal candidato à despromoção.

Um cenário que se veio a confirmar, o Grândola amealhou apenas 6 pontos fruto de 1 vitória, na recepção ao Infante Sagres por 4-3, e 3 empates, dois deles perante os seus adeptos, frente ao SC Tomar (1-1) e ao HC Turquel (3-3), o outro no terreno do Paço de Arcos (3-3).

O HCP Grândola terminou a época com o pior registo ofensivo de todo o campeonato com apenas 62 golos marcados, menos 18 que o Infante Sagres que foi o segundo pior ataque da prova. Nas 4 edições do campeonato desde que o número de equipas foi reduzido para 14, apenas o HA Cambra fez pior, marcando por 56 vezes em 2015-16.

Para a Taça de Portugal o Grândola realizou apenas uma partida, com um sorteio nada simpático os alentejanos que viajaram logo nos 16-avos de final ao campo do poderoso SL Benfica, sendo naturalmente derrotados por expressivos 9-1.

Depois de uma temporada de aprendizagem entre a elite do hóquei nacional o Grândola regressa agora aos segundo escalão com maior estatuto do que aquele que ostentava aquando da surpreendente promoção. Desconhecendo-se se conseguirá montar um plantel que volte a lutar pela subida de divisão, certo é que o HCP Grândola colocou a região do Alentejo no mapa do hóquei em patins português.


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