Portugal no Mundial de Futebol de Praia – O caminho para o sonho!

André CoroadoAgosto 8, 20195min0

Portugal no Mundial de Futebol de Praia – O caminho para o sonho!

André CoroadoAgosto 8, 20195min0
No evento de qualificação para o mundial de futebol de praia realizado em Moscovo, a selecção nacional de futebol de praia teve um percurso recheado de peripécias e contrariedades, mas acabou a festejar! A análise ao caminho até ao Paraguai!

Uma qualificação para o Mundial de Futebol de Praia da FIFA é sempre o momento de maior tensão no calendário europeu da modalidade a cada dois anos, uma vez que existem apenas 4 ou 5 vagas para um lote de cerca de 8 selecções com provas de qualidade que justifiquem a presença no grupo das 16 melhores selecções do mundo.

Este ano, três factores tornaram a qualificação um pouco mais acessível, uma vez que a Europa voltou a dispor de 5 equipas no mundial, o formato aumentava a margem de erro das equipas no caminho para o mundial e a Ucrânia, uma das candidatas óbvias ao apuramento, viu o sonho da viagem ao Paraguai ser-lhe negado devido a questões políticas, que impediram a sua selecção de pisar solo russo durante o mês de Julho.

Antes de mais, cabe ao Fair Play lamentar este último facto, que demonstra uma ingerência da política no desporto e priva uma selecção importante no panorama europeu de lutar pela competição mais importante do futebol de praia mundial, de forma súbita e surpreendente.

No entanto, ainda que as regras subjacentes à qualificação fossem claramente mais permissivas do que em ocasiões anteriores, não se pense que o apuramento era fácil. De facto, hoje em dia, cerca de 10 selecções treinam arduamente tendo em vista este torneio, que lhes proporciona uma oportunidade única de se projectarem ao mais alto nível no futebol de praia global, pelo que não basta ter a melhor equipa: é preciso ter a maior vontade, o maior espírito de sacrifício e a maior determinação na perseguição do objectivo de estar no mundial. E se, nos play-offs dos oitavos de final, todos os favoritos levaram a melhor sobre os seus adversários, a derradeira fase de grupos trouxe 8 equipas muito equilibradas das quais apenas 5 puderam prosseguir rumo ao mundial (2 grupos de 4 equipas, das quais 2 equipas se apuravam em cada grupo e os terceiros classificados disputavam um play-off).

Portugal não foi bafejado pelo azar, ao ser integrado num grupo com Itália, Bielorrússia e Polónia, selecções fortes, mas teoricamente menos cotadas do que a lusitana. No entanto, jogos muito disputados, decididos ao pormenor e em que qualquer erro poderia ser fatal aguardavam a equipas das quinas, que não conseguiu superioriar-se dentro das quatro linhas perante bielorrussos (2-3) e italianos (3-4), tendo a goleada diante da Polónia (8-3) salvaguardado a presença dos lusos no play-off decisivo diante da Espanha, terceira classificada do outro agrupamento.

O jogo de todas as decisões

Portugal apresentava-se algo desfalcado na partida, uma vez que ao lesionado Bê Martins (ausente da totalidade do torneio) se somava o castigado Jordan, deixando o quatro de campo que maior intensidade coloca no jogo bastante desfalcado. No entanto, a capacidade de superação moldada pela garra e a crença de um grupo de homens que sabe ao que vem foi decisiva e acabou por permitir que, perante um adversário de peso que esteve quase sempre em vantagem no jogo, os guerreiros das areias lusas conseguissem empatar o jogo em tempo regulamentar (4-4), depois novamente em prolongamento após nova vantagem espanhola (5-5) e acabassem por alcançar a qualificação de forma dramática nas grandes penalidades, após 2 defesas meritórias do guardião Andrade. A qualificação já não ia fugir!

Perante o abismo, a equipa uniu-se, Léo Martins assumiu as rédeas do jogo com uma prestação incrível e todos cumpriram de forma exímia o seu papel para colocar Portugal, que fez das fraquezas forças, no almejado mundial do Paraguai! No final, tinha de ser Portugal!

É certo que muito poderia ser escrito acerca dos menores índices exibicionais revelados pela selecção portuguesa neste torneio, que culminaram nas duas derrotas averbadas na segunda fase de grupos e poderiam certamente ter ditado um outro desfecho. Foram notórios os erros defensivos contra a Bielorrússia e a subsequente falta de ideias no processo ofensivo, pouco habitual nas prestações mais recentes da equipas das quinas.

Foi também claro o contraste entre a prestação de Portugal no 1º período e nos demais momentos da partida frente à Itália, em que um jogo aparentemente controlado pelos lusos acabou por sorrir aos transalpinos, em parte pela inépcia de uma equipa portuguesa que procurou pouco dilatar a vantagem perante um adversário sempre afoito. Mas há que valorizar a capacidade de adaptação de uma selecção que, perante as maiores adversidades e não podendo praticar o seu melhor futebol de praia, soube ser pragmática para superar os obstáculos aparentemente intransponíveis para reclamar o posto na elite mundial que lhe pertence por direito.

Mundial em perspectiva

Estão descobertas as 16 selecções que participarão no Mundial de Futebol de Praia FIFA Paraguai 2019. Vale a pena realçar o apuramento da Bielorrússia, única estreante no mundial deste ano, assim como da Itália, da Suíça (que sem praticar o bom futebol de praia de outros anos continua a contar com executantes que fazem a diferença nos momentos chave) e da Rússia, que após um início de temporada algo dúbio foi verdadeiramente demolidora em Moscovo, goleando Suíça, Azerbeijão, Espanha e Itália sempre por 5 ou mais golos de diferença nos encontros da fase decisiva.

Desta vez, a última a assegurar a qualificação foi Portugal, numa qualificação sofrida, “à portuguesa”. Um bom presságio, que nos permite sonhar com um mundial “à portuguesa”, que possa ditar a reedição do sucesso do Mundial de Espinho há 4 anos. Independentemente do que aconteça nas areias de Assunção, uma coisa é certa: é bem melhor estar presente no mundial do que não estar e Portugal está de parabéns por esta qualificação.

Foto: fifa.com

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