Bicicletas nos areais

André CoroadoFevereiro 12, 20213min0

Bicicletas nos areais

André CoroadoFevereiro 12, 20213min0
O futebol de praia vive do espectáculo, e não há gesto mais espectacular do que o pontapé de bicicleta! Qual o vosso "ciclista" preferido?

A interrupção do calendário mundial de futebol de praia estende-se no tempo, perante a incerteza gerada pela pandemia, e as saudades de ver a bola rolar na areia agudizam-se com o passar dos meses! Neste tempos propensos a pensamentos nostálgicos, recordamos com saudade os momentos em que podíamos contemplar um dos movimentos mais belos do futebol de praia, que constitui uma imagem de marca da modalidade: o pontapé de bicicleta!

As razões para que este gesto técnico se tenha tornado tão notório nos areais são fáceis de compreender: as irregularidades naturais do terreno, que dificultam um jogo mais baseado na condução da bola pelo solo e propiciam um estilo de jogo mais ligado ao controlo da bola no ar, a facilidade natural de levantar a bola na areia por comparação com o futebol de onze ou o futsal, a presença da função de um ou dois pivôs que jogam de costas para a baliza em muitos sistemas de jogo, as próprias dimensões do campo e das balizas, tudo isso terá contribuído em certa medida para tornar o pontapé de bicicleta uma opção eficaz no futebol de praia, difícil de travar quando executada pelos melhores atletas mundiais, mesmo quando do outro lado se ergue uma organização defensiva exímia. No entanto, mais do que pela eficácia, vale a pena realçar a cor e a magia que este gesto acrobático confere ao jogo, qual corolário do ambiente de festa, sol e praia que se vive nas bancadas.

Desde o final do século passado que o pontapé de bicicleta constitui um dos símbolos da modalidade. No entanto, seria com executantes como os brasileiros Jorginho e Neném, o espanhol Amarelle ou os portugueses Madjer e Belchior que a bicicleta atingiria o estatuto místico que ainda hoje conserva no futebol de praia. Ao longo da História, outros atletas se destacariam também na sua execução, como o lusitano Zé Maria, os brasileiros Bruno Malias e André, os italianos Carotenuto e Palmacci, os suíços Meier e Stankovic (inesquecível aquelas acrobacias rompantes no Mundial Dubai 2009), o argentino Minici, o polaco Sagan, o iraniano Ahmadzadeh ou os russos Shaykov e Eremeev.

Na última década vimos também o surgimento de novas caras marcantes do panorama mundial que primam pela execução da bicicleta, entre os quais o norte-americano Nick Perera, o brasileiro Rodrigo, o paraguaio Pedro Morán, os espanhóis Javi Torres e Llorenç (bola de ouro de 2018), os italianos Gabriele Gori e Emanuelle Zurlo, os suíços Noel Ott e Glenn Hodel, o ucraniano Zborowski, o romeno Maci, o japonês Goto, o português Von, o bielorrusso Bryshtel, entre tantos outros. A lista de executantes que têm encantado o mundo com as suas acrobacias é vasta e não pára de aumentar, incluindo uma enorme diversidade de estilos e técnicas que ajudam a manter viva a imagem do futebol de praia enquanto desporto espectacular, onde o imprevisível está sempre a acontecer.

Aguardamos agora que o quadro pandémico mundial possa progredir para que em breve as areias de todo o mundo possam voltar a vibrar com o gesto técnico cuja imagem se funde com a própria modalidade: o pontapé de bicicleta, la chilena, the overhead kick, la rovesciata, entre tantos outros nomes que são sinónimo de sonho para qualquer amante da modalidade.


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