Euroliga 25/26 prossegue com novos agrupamentos

Lucas PachecoDezembro 7, 20255min0

Euroliga 25/26 prossegue com novos agrupamentos

Lucas PachecoDezembro 7, 20255min0
Lucas Pacheco esteve atento aos novos episódios da Euroliga feminina de 2025/2026 e conta-te as novidades do que se passa na competição

A primeira fase de grupos da Euroliga chegou ao fim na última semana de novembro. Mal encerrados os grupos A, B, C e D, eliminadas as lanternas de cada grupo, as equipes classificadas foram realinhadas em dois novos grupos: no E, juntam-se as classificadas no A e B; no F, as de C e D. Todos os resultados são carregados para essa nova fase de grupos; cada time joga, duas vezes (uma como mandante, outra como visitante), contra as equipes oriundas do outro grupo. Antes das previsões usuais, relembremos a rodada final da fase anterior.

No grupo A, cujas posições estavam definidas, o até então invicto Girona sofreu revés frente ao Tango Bourges (69 x 63). Sem mudar a configuração do grupo, o resultado pode impactar no grupo E; ainda mais importante, Bourges encontrou um antídoto defensivo contra as dinâmicas armadoras do clube espanhol. Juste Jocyte, com 16% de aproveitamento (2/12), e a assistência isolada de Klara Holm evidenciam a tática francesa – sem os dois motores, as demais peças não produziram (Laeticia Amihere, outro destaque do Girona, passou despercebida). Para a continuidade da competição, o técnico Roberto Iñiguez precisará de mais opções ofensivas.

Um dos jogos da rodada final destacados no texto anterior (Dois jogos decisivos na Euroliga 25/26) acabou menos equilibrado do que o previsto. O italiano Schio venceu pela segunda vez o francês Flammes Carolo (74 x 57) e assegurou a segunda posição no grupo B. A ala-pivô Jessica Shepard destoou, com impressionantes 22 pontos e 15 rebotes! A vitória italiana jogou sua adversária para uma situação adversa no grupo E (pior campanha do grupo até aqui).

O grupo C, o mais desigual da primeira fase de grupo, não produziu nenhuma surpresa e os dois favoritos (Fenerbahçe e Valencia) ao título seguem cotados acima dos demais. Já no grupo D deparamo-nos com a grande surpresa da competição, algo inusitado para os padrões europeus. As atuais vice-campeãs precisavam vencer para evitar a precoce eliminação; o turco Mersin, porém, não foi capaz de superar seu elenco curto e os desfalques. Sem a pivô Luisa Geiselsoder, sem a ala Tiffany Hayes, sem as pivôs estrangeiras reservas (Beatrice Mompremier, Albina Razheva), a carga sobrou sobre os ombros de Julie Vanloo e Kennedy Burke.

Vanloo, em sua tardia estreia na Euroliga, começou a temporada oscilante e evoluiu com o decorrer dos jogos, diferente de Burke, que não repetiu o desempenho dos anos anteriores. Com poucas opções confiáveis, o técnico Dikaioulakos viu-se obrigado a utilizar as jogadoras turcas na rodada decisiva, fora de casa, contra seu adversário direto.

Zaragoza flerta com o perigo desde a fase eliminatória. No competitivo grupo D, as espanholas fizeram o mínimo para avançar ao grupo F, a despeito da fácil vitória na rodada final. A vitória (88 x 58) garantiu a vaga, mas as espanholas terão que superar a campanha igualada (3v, 3d). Se o sonho é o Final Six, cuja disputa será em Zaragoza, a margem de manobra será mínima.

Landes e Veneza jogaram em busca da liderança do grupo D e para melhorar a posição no vindouro chaveamento. Novamente fizeram um duelo equilibrado e travado; a vitória italiana por 57 x 56 revidou o confronto, e carregou uma (importante) vitória adicional ao seu currículo, ainda que não tenha sido suficiente para assegurar a liderança do grupo D.

Os recém-formados grupos E e F iniciam-se na próxima semana, estendendo sua disputa até o dia 04 de fevereiro. A partir daí, passaremos aos play-ins. Como sói acontecer na Euroliga, o final de ano é marcado por intensas trocas de elenco e, durante os grupos E e F, devemos testemunhar algumas dessas mudanças. Alina Iagupova, por exemplo, deixou o Valencia; Gabby Williams e Kayla McBride juntaram-se ao Fenerbahçe, após merecidas férias.

A reformatação de alguns elencos não deve, porém, impactar no ranking de forças. O mercado restringiu-se com a liga Unrivaled e com a rivalidade da liga chinesa, sobrando poucas estrelas disponíveis. Contratações pontuais devem acontecer, sem tanto impacto nos resultados.

Curiosamente, as duas potências turcas e arqui-rivais históricos chegam invictos. No grupo E, o Galatasaray larga com ampla vantagem rumo aos play-ins da semi-final, assim como o Fenerbahçe no F. A campanha do Valencia engana, poisas duas derrotas foram para o Fenerbahçe – as espanholas não devem passar por dificuldades. Excetuando essas três equipes, e a virtual eliminação do húngaro DTVK Miskolc (devido ao desnível frente às concorrentes), as demais vagas estão abertas.

Girona, Schio, Bourges, Praga e Flammes Carolo lutam por três vagas. As tchecas decepcionaram na fase anterior, mas passavam por uma reformulação – resta ver se conseguem superar e repetir o desempenho tradicional. A derrota do Girona na última partida diminuiu seu favoritismo, ainda mais que enfrentará adversários mais qualificados. O grupo E promete muito equilíbrio e será o grupo da morte.

No F, a disputa deve ficar entre as três equipes advindas do finado grupo D: Zaragoza, Landes e Veneza. Como os confrontos diretos já ocorreram, o Zaragoza precisará vencer ou Fenerbahçe ou Valencia para reverter sua posição – o clássico espanhol entre Valencia x Zaragoza abre a segunda fase de grupos da Euroliga, em partida agendada para a próxima terça-feira.

Na quarta, temos um promissor Girona x Schio, quando teremos uma dimensão real  do poderio de ambas as equipes. Resta outro clássico nacional nesse dia, entre os franceses Bourges e Carolo.


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