Crossfit: Como nasceu a Fran?

Cláudia Espirito-SantoJulho 20, 20184min0

Crossfit: Como nasceu a Fran?

Cláudia Espirito-SantoJulho 20, 20184min0
O primeiro WOD “benchmark” do CrossFit tem uma história e no Fair Play não só a contamos como desafiamos-te a chegar ao fim deste WOD! Consegues?

Quando um praticante de CrossFit ouve dizer o nome “Fran” tendencialmente terá uma reação menos positiva sabendo perfeitamente que não se trata da “Nanny” da série televisiva.

Terá plena consciência que nos estamos a referir a um WOD clássico do CrossFit que em muito poucos minutos consegue deixar qualquer atleta deitado no chão e com um pulmão de fora.  Foi o primeiro WOD que Greg Glassman, criador do CrossFit, baptizou com o nome de uma mulher e ainda hoje é uma das maiores referências de progresso para todos os atletas de CrossFit a nível mundial:

“If a hurricane that wreaks havoc on a whole town can be Fran, so can a workout.”
A maior ironia é que quando falamos deste WOD, não estamos a referir um treino longo, árduo com uma grande quantidade e complexidade de movimentos.  Estamos a falar de uma simples combinação de trabalho com peso externo e ginástica:
21-15-9
repetições de thrusters (com 30/43 kg) e pull ups

Greg Glassman como jovem ginasta, pensou que treinar com barra e peso seria uma boa forma de melhorar a sua capacidade na disciplina.  O trabalho simples de halterofilismos não parecia replicar a sensação de trabalho intenso nas paralelas e foi aí que Glassman decidiu ser criativo misturando os estímulos de ambas as modalidades começando com 21-15-9 repetições de thrusters e pull ups.

Foi ao limite, vomitou de tanto esforço, mas percebeu naquele momento que tinha encontrado uma combinação extraordinária que ia garantir que melhorasse a sua condição física geral e a sua performance como ginasta.  Aqui nasceu uma nova metodologia e um WOD que iria marcar todos os adeptos da modalidade.

A Fran é apenas um total de 45 repetições de cada movimento, ou seja 90 repetições no total.  Não é mesmo nada que choque um praticante de desporto, principalmente se soubermos que os melhores tempos deste desafio são abaixo dos 2 minutos de trabalho.  Mas acreditem que esses atletas ficam no mesmo estado (se não pior) que o atleta que demorar 12 minutos ou o atleta que adaptar os movimentos da Fran à sua capacidade (baixando a carga e alterando as elevações para movimentos que servem como progressão para a pull up).

De facto, uma das características mais extraordinárias desta modalidade é como o mesmo treino pode ser executado por pessoas com idades, capacidades e condições físicas totalmente distintas aplicando adaptações de movimento mantendo os estímulos previstos e deixando todos os atletas no mesmo estado final de exaustão e satisfação de auto-superação.

Costuma-se dizer que o que dizemos durante a Fran não conta, contam apenas as repetições.  E é justo porque durante este primeiro WOD que Greg Glassman tão carinhosamente baptizou com o nome de uma mulher cada momento parece uma eternidade, mas no final o resultado vale cada segundo de sofrimento.  Se ainda o Vosso tempo da Fran ainda não foi testado, vale a pena ter esta “Girl” como “benchmark” de progresso no CrossFit.

Foto: Getty Images

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