Giro D´Italia 2020: Previsão do top 5 final

Gonçalo MeloOutubro 17, 20207min0

Giro D´Italia 2020: Previsão do top 5 final

Gonçalo MeloOutubro 17, 20207min0
Estamos a entrar na fase decisiva do Giro d´Italia! Quem será o top 5 final? Conseguirá o nosso João Almeida chocar o mundo do ciclismo?

À data da escrita deste artigo, o segundo contra-relógio desta edição do Giro tinha deixado mais acentuadas as diferenças no que toca à luta pelo top 10. No entanto, a montanhosa etapa de dia 18 poderá até deixar algumas previsões deste artigo completamente postas de parte. Ainda assim, arriscamos na mesma, tentando fazer uma espécie de futurismo para a ultima semana, futurismo esse sempre com base na experiência e qualidade que os vários ciclistas já demonstraram outrora.

Com o desejo enorme de ver João Almeida de rosa no final, arriscar que o caldense vai aguentar as montanhas exigentes desta última semana era muito optimista, sobretudo quando constatamos que é a primeira grande volta do jovem de 22 anos. A etapa de domingo dia 18 pode, no entanto, servir para realmente verificar se o luso está mesmo capaz de lutar pela vitória.

Dito isto, esta é a previsão de top 5 para o final do Giro:

1º. Wilco Kelderman (Team Sunweb)

Esta é provavelmente a grande oportunidade para o holandês de 29 anos vencer uma grande volta. A concorrência é menos forte que noutros anos, ainda mais depois dos abandonos de Simon Yates, Geraint Thomas e Steven Kruijswijk, e a juntar ao belo momento forma de Kelderman, há ainda um terceiro contra-relógio individual que costuma beneficiar as características do futuro ciclista da Bora Hansgrohe, que é quase um híbrido ideal entre um trepador e um contra-relogista (tem como handicap o facto de ser um ciclista demasiado passivo).

Nesta sua despedida dos alemães da Sunweb, Kelderman tem aqui uma possibilidade de sair em grande, ele que tem como melhor resultado numa grande volta o 4º lugar na Vuelta em 2017.

Wilco Kelderman las in de krant dat hij weg moest:
Kelderman é o melhor colocado para roubar a rosa a João Almeida

2º. Vincenzo Nibali (Trek-Segafredo)

O tubarão de Messina perdeu tempo que não contava perder no contra-relógio, mas ninguém pode dar o líder da Trek como morto. À primeira fraqueza dos adversários, Nibali vai atacar, tal como qualquer tubarão assim que sente o cheiro do sangue. O experiente ciclista de 35 anos não tem medo de atacar de muito longe, ataca a subir e consegue fazer tremer os menos técnicos nas descidas, e o ano passado, não fosse o surpreendente Carapaz e Nibali tinha levado o Giro para casa, acabando à frente do super favorito Primoz Roglic.

Com as etapas mais complicadas e montanhosas pela frente, Nibali também parece reunir mais ajuda para quando a inclinação for maior, com gregários como Gianluca Brambilla, Peter Weening, Nicola Conci e Julian Bernard.

Vincenzo Nibali nets his first podium for Trek-Segafredo | Trek Race Shop
O Tubarão vai atacar na 3ª semana

3º. Pello Bilbao (Bahrain McLaren)

Tal como Nibali, o campeão espanhol da disciplina também quebrou e perdeu tempo do contra-relógio, mas o líder da Bahrain parece estar com boas pernas no que toca à montanha. Depois de ter estado em bom plano na ajuda a Mikel Landa no Tour, Bilbao aposta em conseguir melhorar o resultado de 2018, onde terminou o Giro num excelente 6º lugar.

Bilbao sobe muito bem, já mostrou neste Giro que quer atacar e lutar pela vitória, mas precisará de mais união e ajuda da sua equipa, que parece estar a dar demasiada liberdade a todos os elementos, quando podia colocar Hermann Pernsteiner, Domek Novak, Mark Padun e Eros Capecchi a trabalhar na frente do pelotão para poupar o seu líder. Muita curiosidade para ver o que a equipa asiática reserva na terceira semana.

Pello Bilbao no se da por vencido:
Bilbao já mostrou que quer lutar pela vitória

4º. Rafal Majka (Bora-Hansgrohe)

O polaco parece estar em subida de forma, e se muitos poderiam pensar que o contra-relógio ia impedir Majka de subir na geral, enganaram-se. Majka fez melhor tempo que Nibali e Bilbao, batendo inclusive alguns especialistas como Joey Rosskopf e Mathias Brandle, e parte para a derradeira semana como líder e principal figura da Bora (Konrad também está no top 10).

Majka sente-se como peixe na água quando o terreno inclina, já venceu a camisola da montanha no Tour por duas vezes, e conhece bem as estradas italianas. O pódio está perto, ele que pretenderá pelo menos igualar a melhor prestação numa grande volta, quando ficou em terceiro na Vuelta em 2015.

Rafał Majka - Vizual
As montanhas da 3ª semana são terreno predileto para Majka

5º. João Almeida (Deceunick Quick-Step)

Apesar da ausência de referências do jovem luso no que toca a uma terceira semana cheia de montanha, o à vontade e a cadência de João Almeida alimentam a esperança de vermos o português fechar pelo menos no top 5. A vitória não é obviamente impossível, especialmente quando verificamos que ainda há mais um contra-relógio na última etapa (João Almeida é um excelente contra-relogista), no entanto fazer essa aposta poderia ser demasiadamente impensada e baseada num desejo natural de ver a bandeira portuguesa no lugar mais alto do pódio.

A Deceunick tem trabalho bem, e o facto de Fausto Masnada e James Knox ainda terem aspirações na geral pode fazer com que haja uma entreajuda entre todos para conseguir colocar pelo menos dois elementos no top 10.

João Almeida: ″uma motivação extra″ no Giro e uma decisão que não lhe compete - O Jogo
Até onde poderá ir a rosa de João Almeida?

Outsiders

Domenico Pozzovivo (NTT): O veterano italiano de 37 anos não partia como candidato à geral, mas o seu grande momento de forma permite-lhe ser sétimo após a 14ª etapa. Fortíssimo na montanha, o pequenino ciclista da NTT promete atacar para lutar pelo top 5, ele que tem o CR como handicap, e quererá ganhar tempo até lá.

Brandon McNulty (Team Emirates): Motivado pela enorme prestação do seu colega Pogacar no Tour, o jovem norte-americano de 22 anos é agora muito mais que um contra-relogista, embora seja ainda fortíssimo nesta disciplina (subiu 7 lugares na geral com a prestação na etapa 14). À partida para a etapa 15 é 4º, e terá de manter a toada na alta montanha para conseguir um lugar no top 5.

Patrick Konrad (Bora Hansgrohe): O austríaco não deverá ter liberdade total para atacar, uma vez que o seu companheiro Majka está melhor classificado, no entanto o trepador de 29 anos irá manter-se dentro da luta. Se Majka falhar, Konrad poderá assumir, e quem sabe melhorar o 7º lugar de 2018.

Tao Geoghegan Hart (INEOS Grenadiers): Com o abandono de Geraint Thomas os elementos da INEOS ganharam liberdade para fazer as suas corridas e lutar por etapas. Tao Hart ainda não se viu próximo de vencer nenhuma, mas está a pouco mais de 1 minuto do top 5. Excelente na alta montanha, o jovem de 25 anos procura aqui o seu primeiro grande resultado numa grande volta, ele que esta ano já foi terceiro na Volta à Comunidade Valenciana.

Jakob Fuglsang (Astana): Compete com Richie Porte pelo titulo de mais azarado da última década. Furos, quedas, tudo parece importunar o dinamarquês que tinha este ano uma grande oportunidade de finalmente chegar ao pódio de uma grande volta. Está a cerca de 2 minutos do terceiro lugar neste momento, algo certamente alcançável, no entanto a falta de ajuda na alta montanha poderá ser prejudicial (Miguel Ángel López e Aleksander Vlasov iam ser fundamentais, mas abandonaram).

Ainda é claramente possível conseguir o melhor resultado da carreira numa grande volta, se conseguir estar fresco nas montanhas. O objetivo será fazer melhor que o 7º posto, que conseguiu já no longínquo Tour de 2013.

 

 


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