Critérium du Dauphiné – A caminho do Tour de France 2018

Diogo PiscoJunho 10, 20187min0

Critérium du Dauphiné – A caminho do Tour de France 2018

Diogo PiscoJunho 10, 20187min0
Critérium du Dauphiné, quais foram as principais indicações dadas para o Tour de France 2018?

Critérium du Dauphiné 2018 voltou a ser a prova mais importante no que diz respeito à preparação do pelotão internacional para o Tour de France. O facto de este ano, estar mais distante a nível de calendário da principal prova francesa, fez com que alguns nomes fortes se apresentassem com uma preparação física ainda atrasada ou preferissem marcar presença na Volta à Suiça que se realiza no decorrer da próxima semana.

O Fair Play, aproveita a cobertura desta competição para lançar a preparação do Tour e deixar enumeradas as principais indicações dadas para o que pode vir a acontecer no Tour.

Gerraint Thomas e a Sky

Parece repetitivo. Parece que sempre que se faz a pré ou pós cobertura de uma grande prova, o maior parágrafo tem que ser dedicado à Team Sky e aos seus homens. Mas na verdade em 8 dias de competição, a Sky deteve a camisola amarela durante 7, ganhou duas etapas e parece ter tudo controlado (mais uma vez) a seu belo prazer.

Começou por vencer o prólogo por Michal Kwiatkowski. Depois, venceu o contra-relógio por equipas com uma espectacular média superior a 57 km/h. Andou de amarelo com Kwiatkowski, Gianni Moscon e Geraint Thomas conseguindo através deste último, alcançar dois segundos lugares em etapa e a classificação geral final.

Desta vez, nem a queda, nem os furos, nem os colegas de equipa conseguiram tirar a vitória ao britânico da Sky, que parece em grande forma para fazer o seu Tour e assumir o comando da equipa caso Chris Froome venha a ficar de fora ou a fraquejar a meio da competição.

A equipa mostra-se fortíssima e a avaliar as exibições de homens como Tao Geoghegan Hart parece quase impossível definir uma equipa para levar ao Tour. Uma coisa é certa, quem for chamado a assumir esta responsabilidade vai ter muita pressão pela qualidade dos nomes importantes que vão ficar de fora.

Condição Física

Alguns dos grandes nomes parecem estar já mais adiantados na sua preparação física, apresentando um melhor estado de forma quando faltam apenas 26 dias para o arranque do Tour.

Homens como Geraint Thomas, Adam Yates, Romain Bardet e Daniel Martin, parecem mais adiantados no que diz respeito à sua preparação correndo o risco de atingir o pico de forma cedo de mais.

Quanto a Bob Jungles, Ilnur Zakarin e principalmente Vincenzo Nibali, parecem mais atrasados, com este último a dizer em entrevista que este ano era muito cedo para se estar bem no Dauphiné. No final do Tour veremos quem tomou a melhor opção.

O Tubarão de Messina passou despercebido por entre o pelotão e aproveitou para ganhar ritmo competitivo e melhor a sua condição física rumo ao Tour. Fonte: gettyimages/ Tom de Wade

Equipas mais fortes

Como referido anteriormente, a distância temporal que se faz sentir este ano entre esta prova e a Volta à França, fez com que as formações apresentadas este ano no Dauphiné, estejam longe de serem as definidas para o Tour. Pode-se sempre retirar que as formações da Astana e da Mitchelton-Scott continuam a mostrar estar a atravessar uma grande fase.

A Astana que não conseguiu entrar na competição pela classificação geral, alcançou a vitória na etapa 6 pelo grande Pello Bilbao, que se apresentou cansado após o seu 6º lugar no Giro, mas conseguiu garantir um lugar à equipa entre os ganhadores desta competição.

A Mitchelton continua a sua afirmação como uma grande equipa e conseguiu encaixar duas vitórias, na etapa 2 (Daryl Impey) e 7 (Adam Yates), conseguiu “roubar a amarela” à Sky na etapa 3 e alcançou o 2º lugar da geral por Adam Yates, que deu boas indicações para o Tour.

A AG2R não quis deixar o trabalho por mãos alheias e foi sempre uma equipa que respondeu presente. Romain Bardet alcançou o 3º lugar e leva desta competição a grande prestação do jovem Pierre Latour que venceu a camisola da juventude fazendo quebrar Marc Soler que este ano já venceu uma competição de importância como o Paris-Nice. Latour afirma-se cada vez mais como o homem mais indicado a ser o braço direito de Bardet no Tour, podendo começar a prepara um futuro brilhante.

De referir também a Bora Hansgrohe, que venceu a etapa 2 por Pascal Ackermann e andou sempre muito activa tentando ajudar ao máximo Emanuel Buchmann na luta pela geral, que viria a fechar em 6º lugar.

O regresso de Martin

Bem vindo de volta Daniel Martin. Bons olhos te vejam. O Irlandês conseguiu a boa hora sacudir o mau momento que atravessava desde que chegou à AUE e depois de atacar na etapa 4 e ser vencido por um grande Alaphilippe, na etapa 5 arrancou e só parou para festeja após cruzar a meta como vencedor.

O ciclista que o ano passado foi uma referência no Tour após terminar em 6º lugar com lesões nas coluna que o podiam ter deixado com problemas bem mais graves, disse que estava a meter demasiada pressão em si próprio desde que assumiu o comando da nova equipa. Martin referiu que a certa altura teve de perguntar a ele próprio porque é que andava de bicicleta. Ao que parece encontrou a resposta certa e está de volta ao seu melhor.

O regresso de Dan Martin às vitórias!! Fonte: cyclingweekly.com

Continuação da afirmação de Alaphilippe

Ainda não foi desta que conseguiu aguentar-se com os melhores na alta montanha. É possível que nunca venha a conseguir fazer essa adaptação. Mas os adeptos do ciclismos não devem estar muito preocupados com isso pois Julian Alaphilippe é sinal de irreverência e de ciclismo espectáculo.

Mesmo que não venha a ter grandes resultados no que a classificação geral diz respeito, o ciclista francês vai encaixar grandes vitórias como a que obteve na etapa 4 desta competição, sejam elas em provas de 1 dia, 1 ou 3 semanas. Sem dúvida o 2018 continuas a ser o ano da sua grande afirmação.

Etapas curtas e duras

As organizações das grandes provas parecem estar cada vez mais convencidas de que encontraram a solução para quebrar o controlo das grandes equipas e trazer espectáculo e imprevisibilidade ao ciclismo. As etapas curtas e duras, que cada vez mais fazem parte das provas, parecem agradar a espectadores e ciclistas. No Dauphiné de 2018 foram apresentadas 3 etapas finas com muita montanha e todas abaixo dos 135 quilómetros.

Este tipo de etapas faz com que as fugas tenham outra dinâmica e que os homens da geral sejam mais ativos e destemidos, principalmente os mais irreverentes. À entrada destas 3 etapas, a Sky tinha 3 homens no top 10, no final só Geraint Thomas teve a capacidade de se manter por lá. Perante etapas mais longas e mais controláveis, era bem provável que Kwiatkowski e Moscon tivessem tido capacidade de aguentar dentro do top 10 final.


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