Ciclismo: 5 grandes nomes que vão mudar de ares em 2022

Gonçalo MeloOutubro 31, 20214min0

Ciclismo: 5 grandes nomes que vão mudar de ares em 2022

Gonçalo MeloOutubro 31, 20214min0
Artigo com 5 das muitas transferências que marcaram o Verão/Outono do mundo do ciclismo em 2021, com destaque para João Almeida.

A famosa silly season do mundo do ciclismo começa em Agosto, e normalmente arrasta-se até ao mês de Outubro. Depois de um ano de 2021 em que muitos ciclistas mereceram a confiança para continuar nas suas equipas depois de um 2020 atipico, 2022 vai trazer muitas novidades no pelotão do World Tour.

As mudanças foram muitas, mas vamos focar-nos naqueles ciclistas que, pelo seu mediatismo ou pela sua nacionalidade, vão merecer a nossa atenção redobrada durante o próximo ano.

1- Peter Sagan, da Bora Hansgrohe para a Total Energies

Talvez a transferência mais surpreendente do ano. O super campeão eslovaco abandona a “sua” Bora, onde estava desde 2017, após a extinção da Tinkoff, para se mudar para a Total Energies, equipa francesa que não faz parte do World Tour, o que levará forçosamente à ausência do eslovaco em muitas provas importantes, pois a Total Energies só participa em provas World Tour se for uma das convidadas.

O ciclista de 31 anos esteve alguns furos abaixo do seu nível em 2020 e 2021, e encarará esta mudança de paradigam como o tónico necessário para voltar aos melhores resultados, levando consigo o seu fiel escudeiro Daniel Oss. Teremos o velho Sagan de volta?

2- Vincenzo Nibali, da Trek-Segafredo para a Astana

Um bom filho a casa torna. Um velho ditado, que o tubarão de Messina personificará em 2022. Depois de 2 anos na Trek, Nibali volta a uma casa onde foi feliz, ou não tivesse ele ganho os seus dois Giros d´Italia e o Tour pela equipa cazaque. Já com 37 anos, são muitas as dúvidas em relação à capacidade do transalpino em ser líder em provas de 3 semanas, uma vez que em 2021 foi apenas 18º no Giro.

Na Astana vai certamente ser protagonista, uma vez que a equipa do Cazaquistão perdeu dois grandes líderes, Jakub Fuglsang e Alexsander Vlasov. Veremos um tubarão sedento de sangue nas grandes voltas? Ou Nibali vai focar-se mais nas clássicas e nas provas de uma semana, deixando as grandes voltas apenas a cargo de Miguel Ángel López, outro nome forte que vai voltar à Astana?

3- João Almeida, da Deceunick Quick-Step para a UAE Team Emirates

O “duro das Caldas” vai mudar de ares em 2022, mudando pela primeira vez de equipa no World Tour, após dois anos de grande nível na equipa belga, onde se destacou sobretudo no Giro d´Italia. A mudança de equipa já era esperada, no entanto, o destino acaba por surpreender.

João Almeida deu vários sinais de que desejava ter mais protagonismo na Deceunick, algo que nem sempre conseguiu devido a Julian Alaphillipe e Remco Evenepoel. Na Emirates, terá o mesmo problema com Tadej Pogacar, o melhor ciclista da atualidade. A juntar a isso, Marc Soler e George Bennett também farão parte da equipa em 2022, o que poderá reduzir ainda mais o espaço do talentoso português, que recentemente confirmou que vai estar na Giro e na Vuelta em 2022.

4- Aleksandr Vlasov, da Astana para a Bora Hansgrohe

Reforço bomba para a equipa alemã, que teve um grande mercado neste ano de 2021. Viu sair Peter Sagan e Pascal Ackermann, mas confirmou o regresso do melhor sprinter do ano Sam Bennett (que grande reforço), e juntou às suas fileiras 3 elementos que poderão liderar a equipa em provas por etapas, Jai Hindleyn, Sergio Higuita e, claro está, Aleksandr Vlasov.

O russo tem demonstrado a espaços a sua qualidade como grande trepador, mas à semelhança de outros ciclistas, um ou outro dia menos bom acabam por afundar os planos do russo. Na nova equipa, terá de aparecer a grande nível para ultrapassar Wilco Kelderman e Emanuel Buchmann na hierarquia de lideres no que diz respeito a grandes voltas.

5- Jakub Fuglsang, da Astana para a Israel Start-Up Nation

O experientíssimo dinamarquês vai mudar de ares depois de 9 longos anos ao serviço da “sua” Astana. Viu Nibali e Aru vencerem pela equipa cazaque, com a sua ajuda, viu os dois transalpinos partirem, e foi ficando, até atingir o estatuto de líder máximo da equipa da Astana. Um azarado por natureza, falta-lhe ainda aquele grande resultado numa grande volta (um sexto lugar no Giro 2020 foi o melhor que conseguiu).

Um dos corredores mais versáteis do pelotão, Fuglsang destaca-se em vários terrenos, e estamos expectantes para perceber que papel terá na estrutura da equipa israelita. Teremos o dinamarquês focado nos monumentos, onde é sempre uma ameaça, e nas provas de uma semana como o Paris-Nice e a Volta à Suiça? Ou ainda terá Fuglsang pernas para procurar um top 5 numa grande volta?


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