Arranca uma histórica Diamond League parte. 2

Pedro PiresAbril 28, 20196min0

Arranca uma histórica Diamond League parte. 2

Pedro PiresAbril 28, 20196min0
A 2ª parte de antevisão da Diamond League 2019: os protagonistas, os confrontos, os recordes e muito mais nesta parceria com o Planeta do Atletismo!

A antevisão à Diamond League aqui no Fair Play! Já leste a parte 1? Clica aqui em caso negativo: Arranca a Diamond League

Doha com olhos em Doha

Pela primeira vez na história da competição, a mesma irá começar no estádio que marcará também o final da época de pista. O novo “Khalifa International Stadium” de Doha recebe o primeiro meeting da Liga Diamante e será também o estádio que receberá os Mundiais (Setembro/Outubro), numa altura em que as dúvidas quanto à sua escolha aumentam a cada dia.

Na semana passada, Doha organizou os Campeonatos Asiáticos e o fiasco a nível de público foi total, não havendo mais de uma/duas centenas de pessoas em cada sessão.

A ausência de divulgação, o facto de não existirem atletas africanos (a verdade é que em Doha, o público imigrante africano é o que mais enche as bancadas na Diamond League…), o pouco peso da IAAF na sua organização, as poucas estrelas presentes…tudo isso pode explicar parte do problema, mas certamente não explica tudo e fez soar os alertas na organização que gere o Atletismo. Alarmes que já deveriam estar no nível máximo depois do mesmo ter acontecido nos Mundiais de Ginástica do passado ano.

A verdade é que Doha já recebia um meeting anual da Diamond League e nem era dos eventos com menos espetadores. No entanto, fazia-o num estádio para 20.000 pessoas (sem o encher completamente na maioria dos anos) e este ano será num estádio com capacidade para 48.000 pessoas.

Encher o estádio no primeiro meeting do ano seria fantástico para acalmar as hostes, embora pareça muito pouco provável. Há quem fale que aconteça o que acontecer, o dinheiro de Doha (o Qatar é várias vezes referidos como o país mais rico do mundo) irá fazer com que os estádios estejam bem compostos no final do ano (nem que seja preciso fretar aviões com estrangeiros…), mas em anos passados o Atletismo já viveu situações complicadas de eventos a meio-gás (os Jogos do Rio foram o último grande exemplo).

Do lado que mais importa, para os atletas – que certamente também quererão ver estádios bem compostos – este primeiro meeting será também importante por terem uma oportunidade de ouro de testarem já o recinto que será a sua casa lá para o final do ano, percebendo o impacto das suas inovações, como o inovador sistema de ar condicionado.

Para sexta-feira, estão confirmadas várias estrelas: Dina Asher-Smith, Marie-Josée Ta Lou, Hellen Obiri, Genzebe Dibaba, Briana McNeal, Dalilah Muhammad Caterine Ibarguen ou Tianna Bartoletta estarão entre as estrelas no feminino. No masculino, Ramil Guliyev, Tom Walsh, Ryan Crouser, Elijah Manangoi, Conseslus Kipruto, Emmanuel Korir, Sam Kendricks ou Thiago Braz da Silva são algumas das estrelas masculinas.

As promessas que JÁ são estrelas

Esta edição da Diamond League marcará a primeira vez que várias das grandes promessas mundiais se irão dar a conhecer no circuito internacional e onde terão que mostrar o que realmente valem frente a frente com os nomes maiores da modalidade. Sendo este um ano que marca o início de um ciclo de 3 anos de eventos globais (Doha, Tóquio e Eugene), esta é a melhor oportunidade para os jovens “ganharem calo” e saberem lidar com a derrota e com a vitória em grandes palcos.

Houve quem passasse a profissional este ano porque era a evolução natural, houve quem antecipasse porque achou que já estava preparado e até há quem não pareça já totalmente preparado, mas que decidiu que este era o ano ideal para o fazer. Todos estes casos são facilmente encontrados no desporto norte-americano onde a existência das 3 situações levou a um notável decréscimo de performances do desporto universitário nesta temporada face ao ano transato.

Nomes como Sydney McLaughlin – https://fairplay.pt/modalidades/sydney-mclaughlin-2019/ – ou Rai Benjamin são já apontados como favoritos para os Mundiais de Doha e ainda nem sequer fizeram uma prova a este nível (Benjamin já, no final do ano passado, mas não na sua especialidade, os 400 barreiras), o que não é assim tão comum de acontecer. Jasmine Camacho-Quinn, Kendall Ellis ou Aleia Hobbs são nomes que ouviremos falar em 2019, mas convém lembrar que ainda não vimos também Michael Norman correr os 400 metros na Diamond League (apenas correu 200 no verão passado).

Será a primeira vez que veremos estes talentos serem testados e testarem outros atletas de elite mundial ao limite, o que só poderá significar o aparecimento de grandes marcas. Cá entre nós, já suspiramos pelo primeiro Abderrahman Samba x Rai Benjamin, Sydney McLaughlin x Dalilah Muhammad ou Michael Norman x Wayde van Niekerk. Para já, Sydney McLaughlin tem data de estreia marcada para o 2º meeting da Diamond League, em Xangai (a 18 de Maio), curiosamente numa prova que não é a sua (maior) especialidade: os 400 metros, mas sem barreiras, e onde enfrentará Salwa Eid Naser…promete!

Os confrontos que ficaram pendentes

Sem dúvida que já referimos importantes duelos que veremos pela primeira vez em 2019, mas é bom recordar alguns dos atletas que continuarão a sua rivalidade este ano. Do lado português, vimos Pedro Pablo Pichardo brilhar nesta competição em 2018 e certamente que irá, junto com Nelson Évora e Christian Taylor, voltar a reeditar uma rivalidade que já é enorme. Há, claro, outros confrontos a destacar, como podermos voltar a ver Coleman e Lyles nos 100 e nos 200 ou Naser e Shaunae Miller-Uibo nos 400 femininos.

Briana McNeal e Kendra Harrison voltarão a elevar-se mutuamente e a andar próximo de novos recordes nas barreiras, assim como acontece com Shubenkov e Omar McLeod no masculino. Nos Saltos, todos queremos também assistir a mais vôos de Luvo Manyonga e Juan Echevarria no Comprimento ou de Sam Kendricks e Armand Duplantis na Vara. No feminino, Yulimar Rojas e Caterine Ibarguen continuam o seu confronto geracional no Triplo, enquanto que no Comprimento, Ivana Spanovic enfrentará uma Brittney Reese, que já salta mais de 7 metros nos treinos! Não podemos, claro, esquecer, os lançamentos, onde Crouser e Walsh travaram enormes batalhas nos últimos anos no Peso, assim como Vetter e Rohler no Dardo.

Tudo isto e muito mais numa competição que para Portugal continuará a ter transmissão na SportTV. Sexta-feira será às 17h na SportTV 1.

Poderá Pichardo voltar a vencer o troféu?


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