Andebol Luso na Europa 10# O que falta a Porto, Benfica e Sporting

Tiago BotelhoDezembro 15, 20217min0

Andebol Luso na Europa 10# O que falta a Porto, Benfica e Sporting

Tiago BotelhoDezembro 15, 20217min0
Com o Benfica já apurado para a fase seguinte, o que é que Porto e Sporting devem fazer para também se qualificarem? Tiago Botelho explica

Após 6 jogos na fase de grupos da EHF European League e 10 na Champions League, as competições europeias de clubes vão parar, só regressando em Fevereiro de 2022. A pausa tem boa razão de ser: de 13 a 30 de Janeiro irá disputar-se o Campeonato Europeu, na Hungria e Eslováquia. Então, como tem sido a prestação de SL Benfica, Sporting CP e FC Porto, e quais as suas hipóteses de se qualificarem? É isso que vamos abordar neste artigo.

EHF European League

Começando pelo grupo B da EHF European League, onde o Benfica se encontra em 2º lugar com 9 pontos, em igualdade pontual com o 1º classificado, tudo parece bem definido no que respeita aos 4 clubes que se qualificarão para a fase seguinte.

GOG, Benfica, Nantes e Lemgo eram, à partida, os favoritos a terminarem nos 4 primeiros lugares (os que dão acesso à fase seguinte) e parecem querer confirmar esse favoritismo. A prestação dos encarnados tem sido excelente até ao momento. Em 6 jogos, os encarnados ganharam por 4 vezes – TBV Lemgo (F), Chekhovskiye Medvedi (C) e Riihimaen Cocks (C e F), tendo empatado frente ao Nantes (F) e perdido frente aos dinamarqueses do GOG (C). Se as vitórias frente aos russos do Medvedi e aos finlandeses do Cocks já eram expectáveis, a vitória na Alemanha, no terreno do Lemgo, e o empate em França, frente ao Nantes, podem ser classificadas de surpreendentes (sobretudo este último resultado).

Em termos de números, de salientar que o Benfica apresenta o 2º melhor ataque do grupo, com 200 golos marcados em 6 jogos (média de 33,33 golos por jogo), mas também a pior defesa dos candidatos à passagem, com 185 golos sofridos em 6 jogos (média de 30,83 golos sofridos por jogo), mesmo contando nas suas fileiras com excelentes defensores, como Alexis Borges, Rogério Moraes, Jonas Kallman e o especialista defensivo Arnau Garcia. O melhor marcador dos encarnados é Ole Rahmel com uns incríveis 63 golos, seguido de Petar Djordjic com 62, embora aqui também sejam contados os 4 jogos da fase de qualificação.

Apesar de ainda faltarem 4 jogos e de ainda estarem 8 pontos em disputa, parece-me seguro dizer que os favoritos irão confirmar o seu favoritismo, restando apenas saber qual a ordem final entre eles.
Entre Fevereiro e Março de 2022, o Benfica receberá no Pavilhão da Luz o Lemgo e o Nantes, e terá que viajar até à Rússia e à Dinamarca. Se o Benfica conseguir 3 vitórias e 1 empate nos 4 jogos que faltam, poderá perfeitamente lutar pelo primeiro lugar do grupo (embora tenha perdido por 7 golos frente ao GOG), até porque, teoricamente, quanto mais acima na classificação as equipas portuguesas terminarem, mais “fácil” deverá ser o seu adversário nos oitavos de final.

O Sporting encontra-se, actualmente, em 3º lugar no Grupo D da EHF European League. E, se no grupo do Benfica as coisas parecem já estar mais definidas, neste grupo está tudo muito imprevisível, com 5 candidatos para 4 lugares. Imprevisibilidade tem sido a nota marcante deste grupo, que já foi liderado por AEK, Sporting e Nimes e que, curiosamente, vê os húngaros do Tatabanya em último lugar, quando, à partida, eram um dos candidatos à passagem aos oitavos de final (embora matematicamente ainda seja possível, parece algo muito remoto de acontecer).

Em 6 jogos, o Sporting conseguiu 3 vitórias – duas delas de forma dramática frente a Kadetten Schaffhausen (C) e AEK Atenas (C), e outra folgada frente a Tatabanya (F), um empate e uma derrota, frente ao macedónios do Eurofarm Pelister (C e F) e uma derrota frente aos franceses do Nîmes (F). Em termos de números, o Sporting apresenta o melhor ataque do grupo com 176 golos marcados em 6 jogos (média de golos 29,33 golos marcados por jogo) e a 4ª melhor defesa do grupo, com 172 golos sofridos (média de 28,66 golos sofridos por jogo).

O melhor marcador do Sporting é Jens Schongarth com 35 golos, o que confirma a boa época que o alemão está a realizar, seguido do espanhol Gassama, com 25 golos marcados em 6 jogos.

Nos 4 jogos que faltam nesta fase de grupos, o Sporting tem as difíceis deslocações à Suíça e Grécia, para defrontar o Kadetten Schaffhausen e AEK, respectivamente, e recebe, no Pavilhão João Rocha o líder, USAM Nîmes Gard e o lanterna vermelha, Grundfos Tatabanya KC.

O AEK já pareceu uma equipa imbatível e parece agora em queda, apesar de ter, seguramente, um dos melhores colectivos do grupo D, e o Kadetten, depois de um mau começo, parece estar agora a mostrar a sua força, com um empate frente ao favorito Nîmes e 2 vitórias consecutivas frente a AEK. Se o Sporting conseguir 2 vitórias e 1 empate nos 4 jogos que faltam, esses 5 pontos podem dar a possibilidade dos leões poderem lutar pelos lugares cimeiros do grupo, mas, como eu referi anteriormente, imprevisibilidade tem sido a nota marcante neste grupo e mesmo o último classificado pode roubar pontos a qualquer equipa, pois tem qualidade individual para isso. Qualquer aposta que se possa fazer agora pode sair completamente furada!

EHF Champions League

O FC Porto tem feito uma prova muito inconstante. Se, por um lado, bateu o poderoso Kielce (C) na última jornada da Champions League e até conseguiu um empate histórico, no Dragão Arena, frente ao Barcelona, por outro já teve derrotas pesadas, frente a PSG (F e C), Barcelona (F) e Veszprém (F), bem como alguns resultados mais surpreendentes, como a derrota frente ao Motor Zaporozhye (F) e a vitória frente ao Flensburg-Handewitt (C). A estes resultados, juntam-se ainda uma vitória frente ao Dinamo Bucuresti no Dragão Arena e uma derrota frente ao VIVE Kielce (F), para fechar o lote de 10 jogos já disputados pelo FC Porto, nas competições europeias.

Com 3 vitórias, 1 empate e 6 derrotas, o FC Porto está actualmente no penúltimo lugar do Grupo B, grupo apelidado de “Grupo da Morte”, pois inclui 4 habituais candidatos a marcarem presença na final four da Champions League ou, “trocando por miúdos”, 4 candidatos a ganharem o troféu.

Tal como na EHF European League, faltam apenas 4 jogos para terminar esta fase de grupos. Nesses 4 jogos em falta, o FC Porto desloca-se à Hungria e Alemanha, para defrontar Veszprém e Flensburg, respectivamente, e recebe no Dragão Arena as formações romenas e ucranianas de Dinamo e Motor, respectivamente.

Após estas 10 jornadas, o FC Porto apresenta apenas o 7º melhor ataque da prova, com 280 golos marcados (média de 28 golos marcados por jogo) e também a 7ª pior defesa do grupo, com 322 golos sofridos (média de 32,2 golos sofridos por jogo).

O melhor marcador dos azuis e brancos é Vitor Iturriza com 37 golos, seguido de perto por Pedro Cruz com 33. Surpreendente são oa 6 golos marcados por Diogo Branquinho na prova, ele que, em edições anteriores, estava sempre entre os melhores marcadores dos azuis e brancos.

Face às anteriores presenças da equipa portista nesta competição, não seria de todo expectável que o FC Porto se encontrasse neste lugar da tabela classificativa ao fim de 10 jogos. A inconstância do Porto deve-se, sobretudo, a alguma falta de entrosamento ofensivo que levam a contra-ataques e golos fáceis dos adversários (as saídas de André Gomes e Miguel Martins causaram alguma mossa, pois eram atletas já muito rotinados e com muitos anos de FC Porto), mas também a alguma ineficácia defensiva, sobretudo no centro do bloco central, onde alguns pivôs adversários têm aproveitado para facturar com regularidade.

Se o FC Porto ganhar os jogos em casa frente a Dínamo e Motor, o 6º lugar (o último lugar que dá acesso à fase seguinte da prova – passam os 6 primeiros de cada grupo) fica praticamente garantido, isto, se imperar a lei do mais forte, pois, nos jogos que faltam, os rivais mais directos do FC Porto pela qualificação, jogam frente a Kielce, Barcelona e PSG. Se o Porto conseguir ganhar os jogos em casa e conseguir roubar mais 3 pontos na deslocação à Alemanha, o 5º lugar fica “à vista”. Se o FC Porto perder algum dos jogos em casa, sobretudo o jogo frente aos ucranianos do Motor, eu diria que dificilmente se conseguem classificar para a fase seguinte.

Tal como a European League, a Champions também só regressa em Fevereiro, após a realização do Europeu da modalidade.


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