A nova normalidade

João CamachoOutubro 19, 20207min0

A nova normalidade

João CamachoOutubro 19, 20207min0
O judo português está a tentar seguir com a sua vida e já realizou algumas provas nacionais, que até contou com presença de atletas brasileiros, que João Camacho nos reporta e explica como decorreram.

O circuito mundial de judo terá o seu reinício em Budapeste, onde se realizará o Grand Slam, entre os dias 23 e 25 de Outubro. Será um evento marcante, apesar do clima de incerteza e receio que ainda paira no ar. Era um momento há muito aguardado, depois do Mundo se ter confinado em Março, para enfrentar uma pandemia que volta a preocupar e que coloca de novo tudo em perspetiva… .

Eleições na Federação Portuguesa de Judo

No dia 10 de Outubro decorreram as eleições para os Órgãos Sociais da Federação Portuguesa de Judo (FPJ), para o mandato 2020/2024. Só uma lista se apresentou, exatamente a lista liderada pelo atual Presidente Jorge Fernandes, que naturalmente acabou reeleita para mais um mandato.

A ausência de outras listas revela um crescente consenso em volta da figura de Jorge Fernandes, o que representa um enorme desafio para futuros candidatos. O atual elenco federativo, com Jorge Fernandes na liderança, tem neste mandato um conjunto de resultados de exceção no alto rendimento, onde se destaca o título mundial de Jorge Fonseca e a terceira posição no quadro de medalhas dos Mundiais de Tóquio de 2019. O adiamento dos Jogos Olímpicos poderá ter impedido Jorge Fernandes de terminar o mandato com chave de ouro, pois para além da perspetiva de uma participação recorde de atletas, era também possível sonhar com mais uma Medalha Olímpica, depois dos feitos de NUNO DELGADO em Sydney (2000) e de TELMA MONTEIRO no Rio (2016), dada a consistência e qualidade dos resultados da elite dos Judocas Portugueses nos últimos 4 anos.

No entanto, como já tive oportunidade de partilhar com os leitores, a formação, bem como as restantes vertentes do Judo, não podem ficar para trás, em especial num período marcado por uma crise pandémica que teve um impacto brutal na prática desportiva, em especial no Judo, dadas as suas características. É necessária liderança de excelência, designadamente para pôr em marcha um plano para a retoma e para proteger esta modalidade, porque ela não vive e, sobretudo, sobreviverá, exclusivamente dos resultados da atual elite, que sendo, sem margem para dúvidas, importantes, dada a visibilidade que dão a esta modalidade, muitas vezes esquecida nos media Portugueses, nem são eternos, nem esgotam os seus fundamentos

Sem dúvida que Jorge Fernandes tem uma oportunidade única para deixar uma marca positiva e duradoura no Judo Português, haja vontade e muita convicção para o fazer, além da clarividência para por de parte outros interesses que não sejam o crescimento e consolidação do Judo Português. À partida, tem a vantagem de contar com uma equipa heterogénea, composta por elementos com muitas valências, de diversas proveniências, com muita experiencia, com talento, muito focada e determinada nos objetivos a atingir.

Setembro, o regresso da competição aos tatamis

A FPJ organizou a Taça Internacional Kiyoshi Kobayashi (K.K.), que decorreu no dia 26 de Setembro, em Coimbra. Foi uma competição carregada de simbolismo, pois foi das primeiras competições a decorrer após o cancelamento de toda a atividade competitiva no mundo inteiro.

Aproveitando a presença da Equipa Olímpica Brasileira, que ao abrigo de um protocolo entre os comités Olímpicos Brasileiro e Português esteve a treinar em Portugal durante 2 meses (com treinos semanais entre as duas seleções), a competição foi organizada sob um rigoroso protocolo de segurança, com todos os atletas a serem testados à COVID19 na véspera da competição e com normas bem definidas para a conduta dos atletas e demais elementos intervenientes (staff, equipas médicas, treinadores, árbitros).

O balanço foi claramente positivo, com muitos competidores portugueses, além dos atletas da Seleção Nacional, a terem a grande oportunidade de lutarem contra alguns do melhores Judocas do Mundo, medalhados em Jogos Olímpicos e em Mundiais. Há também a destacar a presença de Judocas Espanhóis, alguns da Seleção Nacional do país vizinho. Equipas Espanholas foram também visita frequente nos estágios semanais que decorreram em Coimbra durante mais de 2 meses, e que são retomados esta semana.

No que respeita à retoma do quadro competitivo Português, saliento a realização do Campeonato AS Nacional Seniores “Jogos Santa Casa” 2020, Campeonato Nacional Absoluto 2020, e do Campeonato Nacional Paralímpico 2020, que decorreram em Coimbra, atual “capital” do Judo Português, durante o fim-de-semana de 10 e 11 de Outubro. Nestas provas participaram alguns dos atletas da Seleção Nacional, que aproveitaram para ter aqui mais uma oportunidade para competirem, desta vez com mais atletas nacionais em prova, oriundos de diversas regiões do país. Mais uma vez, destaque para o conjunto de medidas implementadas pela FPJ de modo a proteger os atletas e restantes elementos envolvidos nas competições, com um protocolo de testagem diário e rigorosas regras de segurança. Parabéns à FPJ por esta organização. Não irei particularizar os resultados, em que, em geral, os favoritos cumpriram, porque, sem dúvida, o mais importante não foram os resultados, mas sim ter decorrido a competição. Fazia falta um sinal de vitalidade para o Judo e para o Desporto Português, um sinal de que lentamente estamos a regressar à normalidade, o quer que signifique, perante o panorama atual, a palavra normalidade… .

Foto: Jogos Santa Casa

Circuito Mundial de regresso

Ao fim de mais de 7 meses de paragem, o Circuito Mundial está de volta, com a realização do Grande Slam de Budapeste, com o slogan Safe Judo”. A etapa decorrerá entre os dias 23 e 25 de Outubro, sob um rígido protocolo de segurança, com um conjunto de regras muito estritas e, atrevo-me a dizer, desagradáveis, entre as quais destaco a testagem de todos os participantes, staff e atletas, que serão colocados “em bolha”, conceito idêntico ao implementado pelas organizações ligadas ao futebol, a proibição expressa dos atletas saírem das zonas reservadas aos eventos, pavilhão e hotéis. A violação destas regras por parte de um único atleta, levará à imediata expulsão de toda a delegação que integre. Cumpre salientar que este evento foi preparado após consulta de diversas entidades ligadas à saúde pública, especialistas nas áreas da infeciologia e virologia, governos, proteção civil, OMS, de modo a garantir condições de excelência que sirvam de referência para eventos do género a realizar num futuro próximo.

Portugal irá apresentar 13 atletas, 7 femininos e 6 masculinos, orientados pelos treinadores nacionais Ana Hormigo e Pedro Soares, num universo de 500 judocas que representam 75 países.

É grande a expectativa relativamente a esta retoma da alta-roda do Judo. Foi uma paragem muito longa e vamos ter, certamente, atletas em níveis de forma bastante díspares, mas o importante é recomeçar, agora que o Comité Olímpico Internacional e a comissão de organização dos Jogos Olímpicos de Tóquio, garantiram que a realização dos jogos vai avante, no verão de 2021.

O desafio, por muito otimismo e confiança que os diversos organismos tentem transmitir, é que a garantia de segurança se transforme rapidamente em incerteza e, face à realidade atual dos números da pandemia, que diariamente agravam e que cada vez mais afetam todas as regiões do planeta, seja necessário dar um passo atrás e voltar ao confinamento. Se tal acontecer, será uma catástrofe, para o Judo, para o desporto e para a nossa sociedade.

Grand Slam Budapest (Foto: Getty Images)

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