A NBA, as esperanças lusas em Neemias Queta e James Harden

João FerreiraDezembro 28, 20213min0

A NBA, as esperanças lusas em Neemias Queta e James Harden

João FerreiraDezembro 28, 20213min0
Neemias Queta foi o grande momento para os adeptos nacionais da NBA, para além do super retorno de James Harden, como conta João Ferreira

Vivemos períodos conturbados? Claro. Tanto em Portugal como a nível internacional vemos modalidades a serem invadidas, novamente, pela pandemia que nos tem assolado nos últimos dois anos. Esta, sem qualquer misericórdia, afetou jogos de todos os desportos que nos dizem algo, desde o futebol, até ao andebol. A NBA, a nossa querida NBA, não tem sido diferente do que vemos nestas outras modalidades e competições. Os jogadores têm sofrido não só da doença, mas também dos Protocolos de Segurança e Saúde impostos pela liga de forma a tornarem seguros esta competição que tantos fãs levam aos pavilhões americano.

A verdade é que estes protocolos são essenciais para que a modalidade se torne sustentável a longo-prazo, com muito poucas paragens devido a jogos adiados e, quando as equipas vêm que não terão a possibilidade de competir com as suas equipas principais, utilizam as suas equipas da G-League e os jogadores que têm Two-Way Contracts, para conseguirem dar resposta ao calendário sempre tão atarefado da NBA.

Conseguimos reparar que cada vez mais jogadores conseguem dar uma resposta competente e muito competitiva quando chamados ao escalão máximo e isso traz alguma calma aos mais intranquilos que não reconheciam a sustentabilidade competitiva no quadro atual da NBA. A potenciação de talento escondido e a forma como as equipas se desdobram revela uma necessidade de pensar o basquetebol americano como um todo. Desde as escolas secundárias até à NBA, passando pelas universidades e pela G-League.

E foi exatamente este caminho, desde as universidades, que Neemias Queta fez, atingindo o patamar mais alto do basquetebol mundial, jogando 7m43s contra os Memphis Grizzlies. Este foi o jogo que deixou todos os portugueses colados à televisão, às 3 da manhã, para vermos um atleta que até há dois anos era perfeitamente desconhecido do comum dos mortais dos fãs da NBA.

Vimos, em Neemias, um pouco de todos nós. Nascido e criado no Barreiro, a jogar em Sacramento, Neemias entrou com a certeza de que iria acrescentar algo ao jogo e assim o fez quando abafou dois lançamentos consecutivos imediatamente antes do intervalo. Continuamos à espera do primeiro ponto, é certo, mas conseguimos ver uma exibição bastante completa do poste português de 2,13m. Com 0 em 4 lançamentos de campo, mas com 5 ressaltos, 3 ofensivos e 2 defensivos e uma assistência, Neemias mostrou que pode ser solução viável e moderna numa posição onde Sacramento apenas possui verdadeiros dinossauros.

Vínhamos acreditando que Neemias ia começar a jogar quando este entrou, também ele, no Protocolo de Segurança e de Saúde para a Covid-19. Antes de isto acontecer ainda realizou um jogo contra os Golden State Warriors onde, em apenas 1m45s registou 1 assistência.

Quem voltou com tudo deste Protocolo de Segurança e Saúde foi James Harden. O base dos Brooklyn Nets tem registado uma época muito boa, claramente ao nível de MVP, sendo que os seus atuais “rivais” não conseguem chegar ao nível competitivo em que este se encontra.

Depois de uma certa desmistificação de que Harden era apenas Harden devido às faltas que conquistava, o base conseguiu tornar o seu jogo o mais completo da NBA neste momento, com, até, certos momentos defensivos de boa qualidade, característica que até há uns tempos não lhe podíamos atribuir.

Sem Kyrie e com Durant a ir e a vir entre lesões e Protocolo de Segurança e Saúde, Harden tem conseguido colocar os Brooklyn Nets no lugar de destaque com grandes jogos e com uma capacidade de liderança que não lhe víamos desde o seu antepenúltimo ano em Houston. Um verdadeiro festim vê-lo a jogar desta maneira.


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