Resistência dos clubes de futebol de Split ao nazi-fascismo

Fair PlayAbril 30, 20183min0

Resistência dos clubes de futebol de Split ao nazi-fascismo

Fair PlayAbril 30, 20183min0
Croácia, nazi-fascismo e futebol... Outra relação interessante! Sabe tudo neste segundo artigo da parceria entre o Fair Play e a Enciclopédia do Desporto em Português.

Nota: Este texto foi elaborado pela Enciclopédia do Desporto em Português, no âmbito da parceria com o Fair Play. A rubrica no nosso website é denominada de “Histórias de Futebol”.

“Nós decidimos criar um clube de futebol. Só jogamos futebol pelo prazer, mas também queremos protestar contra todo o mal” – Šimun Rosandič, um dos fundadores do RNK Split.

Clube fundado em 1912, com o nome de HRŠD “Anarh” (“Anarh” é a redução da palavra anarquia em croata, “Anarhija”), pelos operários portuários da cidade de Split. Após o atentado de Sarajevo, na Bósnia, que vitimou o arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do Império Austro-Húngaro, e a sua esposa, a duquesa Sofia de Hohenberg, o clube recusou-se a colocar uma bandeira negra em sinal de luto. Esta situação foi suficiente para as autoridades austro-húngaras ordenarem o encerramento do clube e proibirem todas as suas atividades desportivas. Após a I Guerra Mundial, o Anarh volta ser suspenso em 1919 devido às suas atividades revolucionárias contra o recém-criado reino da Jugoslávia.

A sede do clube chegou mesmo a ser incendiada por uma organização nacionalista jugoslava em 1921. Em 1928, o clube muda o nome de Anarh para JŠK Split, troca a cor do equipamento de “preto anarquista” para “vermelho socialista” e em 1933 incorpora a “Estrela Vermelha” no símbolo do clube. O RNK Split, actual nome do clube, participou na Guerra Civil Espanhola enviando atletas como voluntários para o combate contra as tropas de Franco. Estes atletas foram incorporados nos cerca de 2000 voluntários pró-republicanos enviados pelo Partido Comunista da Jugoslávia. Em 1941, o Rei da Jugoslávia vai para o exílio, em Londres, e o Reino da Jugoslávia é extinto pelos alemães. São criados o Estado Independente da Croácia e o Governo de Salvação Nacional da Sérvia, ambos estados satélite.

Em abril 1941, a região da Dalmácia é formalmente anexada pela Itália. Como Split era parte da Itália, o governo italiano tenta incorporar o outro clube da cidade, o Hajduk, no seu futebol mas este recusa participar nas competições italianas e é banido pelas autoridades fascistas. Durante os anos da resistência jugoslava à ocupação nazi-fascista, 30 atletas do RNK Split juntaram-se as forças Partisans, lideradas pelo Marechal Tito, em 1941. Tinham como intuito combater as forças ocupantes e colaboracionistas mas, tragicamente, 24 dos 30 atletas foram feitos prisioneiros e executados pelos Utashi (forças fascistas croatas que governavam o estado-satélite dos nazis na Croácia, designado de Estado Independente da Croácia). No final da guerra, ao contrário de vários clubes da região que foram extintos por colaborar com as forças invasoras da Jugoslávia, o RNK Split manteve-se em atividade, assim como o seu rival local Hajduk Split, por sempre se terem recusado a colaborar com italianos e alemães.

Foto: These Football Times

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