José Travassos – A história de um rapto salvo por um falso telegrama

João Ricardo PedroJaneiro 10, 20193min0

José Travassos – A história de um rapto salvo por um falso telegrama

João Ricardo PedroJaneiro 10, 20193min0
Um dos 5 violinos teve uma história peculiar que mete exactamente o seu clube, Sporting CP, e um os grandes rivais, o FC Porto. Uma história de um rapto... estranho! Já conhecias?

Travassos jogava na II Divisão pela CUF e já sentia que estava na altura de dar o salto para um grande clube do futebol português. O Sporting, o seu clube do coração, só o havia convidado para representar o clube na modalidade de atletismo, depois deste ter feito os 100m em apenas 11 segundos. Apenas menos 4 décimos do recorde ibérico estabelecido nessa prova por Tomás Paquete.

Entretanto, o FC Porto deslocou-se até Lisboa para enfrentar o Atlético Clube de Portugal na meia final da Taça de Portugal. Aproveitou a ocasião para enviar um emissário para tratar da transferência de Travassos, que na época trabalhava nas oficinas da CUF como aprendiz de mecânico. O antigo jogador pediu 20 contos para assinar e uma casa pronta a habitar na cidade do Porto.

O rumor de que Travassos podia ir jogar para o FC Porto chegou aos ouvidos da direção do Sporting e, de forma a evitar o cerco do FC Porto ao jogador, este foi enviado para a Torres Vedras, ficando quase em regime de clausura, para competir numa única prova de atletismo. No entanto, Travassos desaparece de Torres Vedras e aparece dias mais tarde numa aldeia do Minho.

Um diretor do FC Porto descobriu onde se encontrava o futebolista e levou-o de imediato para a cidade do Porto, onde ficou hospedado num hotel com todas as mordomias de estrela. No mesmo fim de semana o Sporting ia jogar a Coimbra, e como mais vale prevenir que remediar, os dirigentes do FC Porto levaram Travassos para a aldeia minhota de Escaramão, um local que nem se vislumbrava no mapa.

Mas a vontade de jogar no clube do coração, acabou por falar mais alto. Travassos escreveu uma carta ao irmão a informar onde se encontrava e pediu ajuda aos dirigentes do Sporting para encontrar uma forma de enganar os “raptores” nortenhos. Dias mais tarde recebeu um telegrama no qual foi notificado para se apresentar com urgência em Lisboa, sob o pretexto de se submeter a uma inspeção militar.

Partiu para a Lisboa, mas com escolta de um dirigente portista, com a missão de só o largar à porta de casa. No caminho, parou no Porto, onde lhe apresentaram um contrato para assinar, mas este evitou a assinatura do contrato, afirmando que necessitava da autorização dos pais para o fazer.

Os pais não perderam tempo a informar Travassos das promessas da CUF em castigá-lo pela fuga e ameaçaram também processar os “raptores”, autorizando apenas a sua transferência para o Sporting. No dia seguinte, na presença dos dirigentes da CUF e do Sporting, José Travassos assinou contrato com o Sporting, a troco de 20 contos e promessa de um salário de 700 escudos.

Após ter saído da equipa da CUF, foi também despedido dos quadros da empresa. Ficou desempregado mas não por muito tempo. No Sporting arranjaram-lhe um novo emprego na “Frigidaire”, e, passado algum tempo ainda ficou mais ligado aos leões. Os dirigentes facilitaram a abertura da “Cofril”, empresa de construções e reparações de frigoríficos, em sociedade com Manuel Vasques, outro “violino”, que chegou ao Sporting no mesmo ano, oriundo, igualmente, da CUF.

Apesar do caminho turbulento, Travassos acaba por se consagrar, juntamente com os outros “violinos”, um dos melhores jogadores da história do Sporting.

José Travassos do lado direito (Foto: Armazém Leonino)

 


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