Será Possível um Leicester 2.0?

Gonçalo MeloOutubro 31, 20195min0

Será Possível um Leicester 2.0?

Gonçalo MeloOutubro 31, 20195min0
O Leicester está neste momento em terceiro na Premier League, e o futebol apresentando faz os adeptos dos foxes sonhar com uma reedição da época de 2015/2016.

Quem não se lembra da super campanha do Leicester em 2015/2016? Os foxes chocaram e apaixonaram os mais distantes adeptos do desporto rei, numa equipa onde se destacavam N´golo Kanté, Riyad Mahrez e Jamie Vardy, orientados pelo experiente Claudio Ranieri. Ora, agora não há uma “old fox” como o italiano, mas está no banco um talentoso timoneiro, Brendan Rogers. E se já não há Mahrez ou Kanté, ou Maguire que saiu para o United, há talento de sobra para incomodar os grandes ingleses.

Na baliza mantém-se um símbolo do clube, que continua a capitanear a equipa e a demonstrar que é um dos melhores guarda-redes da Premier League. Kasper Schmeichel dá uma segurança enorme à equipa, uma vez que não só é capaz de realizar as mais incríveis e aparentemente impossíveis defesas como transmite segurança a jogar com os pés e a sair da baliza.

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O capitão Kasper Schmeichel (Foto: Leicester Mercury)

Na defesa, a dupla de centrais composta por Johnny Evans e Caglar Soyuncu tem estado em grande. O turco respira confiança, e a sua velocidade e agressividade defensiva parecem já ter feito esquecer Harry Maguire. Nas laterais moram dois dos melhores jogadores deste Leicester, e dois dos melhores laterais da Premier League. Ricardo Pereira está a exibir-se a um nível brutal, tendo ganho o prémio de jogador do ano dos foxes na época passada, sendo que nesta temporada continua a destacar-se pela forma como se envolve ofensivamente, sobressaindo com a sua técnica, velocidade e potência física. À esquerda está Ben Chilwell, jovem de 23 anos internacional inglês, lateral altamente completo e equilibrado defensiva e ofensivamente. Chilwell é muito forte fisicamente, difícil de ultrapassar pelo chão e pelo ar, e o seu talentoso pé esquerdo permite-lhe associar-se bem com os colegas e desequilibrar no ataque, ele que se destaca também ao nível do cruzamento.

Quanto ao meio-campo, as opções são muitas, e todas elas de qualidade elevadíssima. Wilfred Ndidi é o dono da posição 6, e já foi mais que uma vez esmiuçado pelo Fair Play. Cultura tática, força, velocidade, desarme e capacidade de impulsionar a equipa para a frente e aparecer em várias zonas do campo são o cartão de visita do nigeriano. Nigeriano que tem de se acautelar com o jovem Hamza Choudhury, menino de 22 anos que vai ganhando o seu espaço nas opções de Rogers (para quem não o conhece, procure no campo uma cabeleira semelhante à de Fellaini ou Witsel). Mais à frente ligeiramente, o prodígio belga Youri Tielemans está finalmente a confirmar o que se esperava dele quando aos 16 anos apareceu na equipa principal do Anderlecht. Intensidade, qualidade de passe, visão de jogo, e qualidade no ultimo passe e na finalização, como demonstram os 3 golos e duas assistências em 10 jogos no campeonato. Dennis Praet é outro nome muito interessante deste meio campo. O belga contratado à Sampdoria tem sido muito utilizado, e as suas qualidades como médio de transição são muito úteis quando Maddison é utilizado numa ala.

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Tielemans é um dos médios em melhor forma na Premier League (Foto: Sports Mole)

Falando de James Maddison, é mais outro elemento já mencionado nos nossos artigos. O jovem de 22 anos vai na sua segunda época ao serviço do Leicester, sendo uma das figuras da equipa e uma presença bastante assídua na seleção inglesa. No meio campo ofensivo ou a partir da esquerda, Maddison destaca-se pela sua brutal qualidade técnica, sendo exímio ao nível do passe, receção e drible curto. É ainda dotado de uma excelente meia distância e uma visão de jogo sublime, algo que lhe permite obter bons números (já leva 3 golos e duas assistências em 9 jogos).

Por fim, chegamos aos homens que decidem de forma mais recorrente. Brendan Rogers tem apostado num 4-3-3, e no trio da frente há dois elementos que se têm destacado, e que por essa razão somam mais minutos. À direita, o reforço espanhol Ayoze Pérez tem merecido a confiança do técnico, tendo correspondido sobretudo no último jogo frente ao Southampton, onde apontou um hat-trick. À esquerda, Maddison e Harvey Barnes têm desempenhado a função, sendo que o segundo apenas é chamado ao 11 quando Maddison é usado no trio de meio campo. Ainda assim, Barnes, nos seus 483 minutos de utilização na Premier League soma já 4 assistências e um golo.

Não podíamos terminar sem falar do elemento mais excêntrico da equipa dos foxes. Jamie Vardy continua a ser a cara desta equipa, e ano após anos as suas qualidades permanecem intactas. Tremendo no ataque à profundidade, agressivo, mortífero nas imediações e no interior da grande área, combativo, e com uma perigosíssima meia distância, Vardy continua a ser um dos melhores pontas de lança da Premier League, algo que é comprovado pelos 9 golos em 10 jogos nesta edição do campeonato.

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Maddison e Vardy, uma dupla que põe as defesas em sentido (Foto: Premier League)

No plantel, Brendan Rogers conta ainda com nomes como Danny Ward, Wes Morgan, Filip Benkovic, Christian Fuchs, Nampalys Mendy, Marc Albrighton, Demaray Gray ou Kelechi Iheanacho, ficando clara a qualidade e profundidade de opções à disposição do técnico escocês. Será possível um Leicester 2.0? Só o tempo o dirá, mas para já, este novo Leicester é terceiro na competitiva liga inglesa, a apenas dois pontos do campeão Manchester City, e 8 do Liverpool.

 


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