Roberto Martínez apresentou novidades, mas não surpreendeu

Ricardo João LopesMarço 29, 20265min0

Roberto Martínez apresentou novidades, mas não surpreendeu

Ricardo João LopesMarço 29, 20265min0
Portugal empatou com o México mas já Ricardo João Lopes tinha deixado o aviso para a falta de surpresas da parte de Roberto Martínez

Roberto Martínez fez a sua penúltima chamada enquanto selecionador nacional, já que a probabilidade de se manter no cargo no pós-Mundial 2026 é curta, com a Federação Portuguesa de Futebol a estudarem outras opções, criando uma lista pouco secreta para quem percebe do tema.

Porém, não façamos futurologia e olhemos ao presente. Roberto Martínez tinha no estágio de março a oportunidade de trazer novos nomes, estudando possibilidades para a prova que vai ocorrer no verão. Afinal, Portugal vai realizar dois particulares frente a duas equipas que vão organizar o Mundial 2026 e procurarão surpreender na prova. Não se pode dizer que a lista de convocados tenha deixado alguém de queixo caído, incluindo a maioria dos nomes que se esperavam. Contudo, o espanhol decidiu recompensar alguns jogadores, dos quais se devem destacar dois: Mateus Fernandes e Gonçalo Guedes.

O médio do West Ham United é um dos pontos positivos do emblema orientado por Nuno Espírito Santo esta temporada, que se viu envolvido na luta pela manutenção. Formado no Sporting, Mateus Fernandes entrou pelas portas da Premier League em 2024, pelas mãos do Southampton, que estava condenado em praça pública à despromoção. Contudo, o algarvio deu nas vistas e conseguiu o passo em frente. Indiscutível ao lado de Lucas Paquetá e Tomás Soucek, o luso terá aqui a oportunidade de vestir as quinas pelas primeira vez, alimentando o sonho de estar presente no Mundial 2026, embora a sua presença possa depender de certas ausências.

O avançado está a viver uma temporada de renascimento na Real Sociedad. Pelos bascos, Gonçalo Guedes conseguiu voltar a apresentar a sua melhor versão, principalmente no pós-chegada de Pellegrino Matarazzo. Os txuri-urdin atuam com um ataque móvel, com o luso a apresentar-se no centro, mas a poder recair para as alas quando necessário, principalmente quando Mikel Oyarzabal está no corredor central. Esta caraterística pode ser importante para Portugal, mas João Félix é igualmente capaz de desempenhar tal instrução. Roberto Martínez não desfez a dúvida e continua sem se entender quem será o terceiro ponta de lança de Portugal no Mundial 2026. Gonçalo Guedes está em vantagem, mas tudo dependerá do que o próprio faça até junho. Diogo Jota seria indiscutível, já que estava um nível acima dos ‘rivais’.

Roberto Martínez também chamou Rodrigo Mora e Samu Costa, que alimentam a esperança de viajarem para a América do Norte. O médio do Mallorca tem sido fundamental nas Baleares, enquanto que o jovem do FC Porto não encaixa na tática de Francesco Farioli, mas sempre que entra em campo com a azul e branca consegue mexer, exibindo as suas virtudes. Infelizmente, a pérola do Dragão lesionou-se e foi retirada da lista, mas não é de descartar uma presença na próxima convocatória, já que é um elemento bem conhecido da estrutura.

Vale igualmente ressalvar o regresso de Ricardo Horta, o ‘representante dos outros’. O capitão do Braga sabe que será complicado ter um lugar na lista do verão, mas viu compensada uma temporada fantástica às ordens de Carlos Vicens, onde tem sido, a par com Carlos Vicens, o elemento fundamental. O extremo está a caminho da sua época mais prolifera, procurando atingir os seus melhores registos no que diz respeito a golos e assistências, culminando no seu estatuto de melhor jogador da história dos minhotos.

Todavia, há um nome que merecia ter sido chamado a 20 de março e que conseguiu protagonizar a conferência de imprensa: Paulinho. O ponta de lança do Toluca não foi inicialmente eleito por Roberto Martínez, pese embora a temporada monstruosa que tem realizado no México. O treinador disse que o luso detém caraterísticas semelhantes às de Cristiano Ronaldo e Gonçalo Ramos. Isto não corresponde totalmente à verdade. Há algumas parecenças, mas Paulinho trabalha bem mais em prol da equipa, além de ser mais dotado ao nível técnico. O capitão da seleção ficou fora dos convocados, o que justificaria ainda mais tal chamada, que só aconteceu devido à lesão de Rafael Leão. No entanto, o selecionador mostrou ser incongruente. Rafael Leão e Paulinho não pisam sequer os mesmos espaços, com o jogador do AC Milan mais do que habituado a ser extremo. O craque do Toluca é ponta de lança.

Roberto Martínez seguiu a linha de pensamento de sempre, mantendo o seu núcleo duro, os seus jogadores de confiança, mesmo que estes não estejam no seu melhor momento de forma, evitando arriscar. O conservadorismo é uma das suas caraterísticas e por isso não conseguiu cair no goto da maioria dos adeptos, por muito que tenha guiado Portugal à conquista de uma Nations League. Nomes como António Silva ou Pedro Gonçalves não teriam espaço nesta convocatória, caso o selecionador fosse outro. O defesa nem no Benfica se consegue afirmar como indiscutível, enquanto que o médio ofensivo está longe dos melhores índices físicos.

Bernardo Silva foi o único nome a ficar de fora verdadeiramente por opção, já que Rúben Dias, Nélson Semedo, João Palhinha ou Cristiano Ronaldo estão lesionados.

Não devemos esperar uma lista muito diferente da apresentada para o Mundial 2026. Atletas que já conhecem o sistema, que não causam conflito, aprovados pela cúpula. Roberto Martínez tem agora dois jogos para trabalhar com os jogadores que convocou, tentando conhecer melhor Mateus Fernandes, que tem o ritmo de Premier League bem presente. Estados Unidos da América e México são adversários de um nível abaixo, mas que no verão quererão deixar a melhor imagem possível. Para eles, este teste de março é a prova de que estão preparados para se destacarem no campeonato do mundo, que os próprios vão organizar.


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