Premier League: 9 jogos para a consagração do Liverpool?

Francisco IsaacJunho 16, 20208min0

Premier League: 9 jogos para a consagração do Liverpool?

Francisco IsaacJunho 16, 20208min0
A Premier League volta já esta semana e o Liverpool poderá ter a oportunidade de ser campeão em campo... mas será que vão pôr fim a 35 anos de sofrimento?

Depois de um período nebuloso imposto pela pandemia do SARS-CoV-2 em que chegaram a falar de diversos cenários desde o fim da Premier League/Championship sem o consagrar campeões, passando por uma hipótese de modelo a eliminar que se passaria em Londres, o campeonato inglês de futebol está de regresso na sua plenitude com 9 jornadas por se jogar e que vai decidir tudo, seja descidas de divisão, apurados para a Liga dos Campeões e, claro, o novo detentor da “coroa” de campeão de Inglaterra.

Mas o que se pode esperar do que resta da Premier League 2019/2020? Propomos três pontos de vista que merecem ser apreciados com atenção da liga mais espectacular de futebol à escala global!

YOU WILL NEVER WALK ALONE… AND WITHOUT A PREMIER TITLE!

30 anos, 30 anos sem conquistar o título de campeão de Inglaterra, 30 morosos e longos anos em que o Liverpool perdeu o estatuto de clube com mais campeonatos (passou a ser o Manchester United com 20), enfrentando alguns anos de sofrimento profundo e que até estiveram bem longe de lutar pelo 1º lugar da Premier League. Mas ao fim de 35 anos, os Reds vão finalmente poder ouvir a voz icónica de Freddie Mercury e pôr fim a constantes dissabores (quem se esquece daquela escorregadela de Steven Gerrard num ano em que parecia que o título já não fugia ao ‘pool), desilusões e decepções, graças ao trabalho sensacional de Jürgen Klopp, de um plantel espetacularmente bem trabalhado e à inteligência director Michael Edwards.

Só um cataclisma poderia tirar este título ao Liverpool – o Covid-19 bem tentou -, já que moram no 1º lugar da competição com uma diferença de 25 pontos para o 2º lugar (o Manchester City tem um jogo em atraso) quando faltam disputar 27 pontos… ou seja, se garantirem duas vitórias já nos próximos dois encontros, contra Everton (o derby de Merseyside vai ter um contraste mais dramático do que o costume) e Crystal Palace, podem ser já campeões no dia 24 de Junho e pôr fim a uma seca de títulos na principal competição de futebol em Inglaterra.

Até ao fim do campeonato, os Reds vão ter que jogar frente aos rivais do Chelsea FC (18 de Julho), Manchester City (2 de Julho) e Arsenal FC (15 de Julho), sendo autênticas provas de fogo para um elenco que já provou ter condições para dominar os seus principais adversários, podendo vir a ser o campeão com mais pontos somados caso obtenha 19 pontos (6 vitórias e 1 empate dos 9 jogos que faltam bastam), roubando esse recorde aos citizens de Pep Guardiola de 2017/2018. E o que se passa nas lutas entre o 2º e 5º lugar? Há ainda possibilidade de termos cenários dramáticos?

MOURINHO CONSEGUE OS “MÍNIMOS”?

O Manchester City tem a situação controlada antes da retoma, com 57 pontos e pouco em jogo, uma vez que vai estar de fora das provas da UEFA até 2022 e posto que o objetivo de ser campeão está praticamente fora de alcance. Tanto que antes da interrupção, algumas das melhores casas de apostas (segundo a Sportytrader) já haviam retirado a possibilidade de apostar no City campeão. Atualmente, raros são os bookmakers que ainda atribuem odd aos citizens. Mas se algum adepto ainda tiver fé (em demasia) e quiser apostar na escorregadela – não de um jogador, mas sim de toda a equipa do Liverpool – recomendamos uma visita à página bónus casas de apostas da Sportytrader! Pode ser que consiga limitar alguma perda… Destino menos certeiro têm os emblemas de Chelsea e Manchester United, que estão a apenas a 5 e 2 pontos do 6º e 7º lugar, ocupados pelo Wolves e Sheffield United, respectivamente.

Frank Lampard tem tentado gerir um plantel bastante jovem nesta sua época de estreia como treinador dos blues e apesar de algumas quedas durante a temporada, a verdade é que tem tido algum sucesso no lançar de promessas como Tammy Abraham, Mason Mount, Reece James, Fikayo Tomori e Callum Hudson-Odoi, lembrando que só teve direito a poucos reforços como Kovacic (acionaram a opção de compra) ou Christian Pulisic. Contudo, o United de Solskjaer parece ter ganho uma segunda vida com a chegada de Bruno Fernandes e será curioso perceber se vão manter a mesma forma daquela sequência de 5 jogos sem perder (coincidiu com a chegada do antigo médio do Sporting CP ao clube) e que os relançou na luta pelo conquistar um lugar na próxima Liga dos Campeões.

O Wolves e Sheffield United terão mais do que uma palavra a dizer e o facto de não terem nada a perder poderá ser um tónico vigoroso para tentarem conquistar uma vaga nunca antes alcançada na sua história. Se o cenário dos dois conseguirem um apuramento é complicado – mas não impossível -, o facto é que o Wolves FC poderá ter aproveitado melhor esta fase de paragem para retomar forças e atacar estes últimos 9 encontros, sendo que vão ter pela frente o Arsenal FC (pode estar fora da corrida, apesar de matematicamente ainda ter uma franca oportunidade para lá chegar), Sheffield United e Chelsea FC, prometendo uns embates blockbusters ao jeito do que o futebol inglês nos habituou.

O Sheffield United é, sem dúvida, o campeão das surpresas esta temporada, tendo subido da Championship na temporada passada, e para nós no Fair Play merecia um prémio pela temporada que está a protagonizar com 30 golos marcados (um dos piores ataques) e 25 sofridos (a 2ª melhor defesa, só atrás do Liverpool), mostrando um equilíbrio “anormal” para um emblema que não está habituado às andanças da Premier League.

Posto isto, José Mourinho vai ter uma montanha para escalar se quer chegar novamente à Liga dos Campeões e começa logo com um tudo ou nada frente ao “seu” Manchester United. Uma derrota e os Spurs ficam cada vez mais longe de poder chegar à prova mais importante europeia, uma vitória e podem aproximar-se do top-5, mas dependendo sempre dos resultados do Wolves e Sheffield, forçando ao Special/Happy One para entrar em campo ao seu melhor estilo.

Até ao fim da competição os londrinos têm pela frente o West Ham, Sheffield United (jogo perigoso em casa dos Blades), Everton, Bournemouth, Arsenal FC, Newcastle, Leicester City e Crystal Palace, exigindo a Mourinho e aos seus homens que não caiam num futebol de expectativa excessiva e de constante procura do contra-ataque, apesar de se terem visto alguns momentos a tentativa de dominar o centro de jogo e de dar outra circulação pelo meio do terreno de jogo.

OS PORTUGUESES AO SERVIÇO DA SUA MAJESTADE

Em relação à armada lusa que milita na Premier League, as sortes são diferentes e vale a pena ter atenção a três jogadores: Diogo Jota, Bruno Fernandes e Bernardo Silva. Comecemos pelo baixinho do Wolves de Nuno Espírito Santo, que tem realizado uma temporada bem acima da média movendo-se com uma agilidade categórica tanto pelos corredores, grande área ou no apoio ao ponta-de-lança somando 15 golos e 6 assistências em 37 jogos (somatório de todas as competições jogadas) e é aquela dor-de-cabeça que qualquer treinador aprecia.

Jota faz parte de um elenco em que outros diversos nomes lusos despontam com regularidade, seja o de João Moutinho (a idade é apenas um número neste momento para o campeão da Europa em 2016), Rui Patrício (inegavelmente um dos melhores guarda-redes da liga inglesa neste momento) e Rúben Neves (escolhemos Jota para terem em atenção, mas tem sido o trinco ex-FC Porto uma das chaves para o sucesso do Wolves), lembrando ainda que Rúben Vinagre, Bruno Jordão, Daniel Podence e Pedro Neto fazem parte do role de opções.

Bruno Fernandes, que marcou uma era no Sporting CP, chegou, viu e tem convencido os adeptos dos Red Devils não tanto pelo impacto a nível dos golos e assistências (3 e 4, respectivamente) mas pela forma como agilizou o processo ofensivo, com uma genialidade pura e já reconhecida, somando-se ainda aquela inteligência que torna o que era um elenco perdido no campo para algo mais compacto e ameaçador. O internacional português “nasceu” para jogar em Inglaterra e a paragem forçada de 3 meses pode ter ajudado ao médio recuperar algum fôlego e força, podendo ser o “gatilho” para o Manchester United chegar à Champions.

Ricardo Pereira seria a nossa 3ª escolha, mas o defesa português continua lesionado e Brendan Rogers tem informado que uma retorno antes de Agosto não deverá acontecer e recorremos então ao português que tem sido uma referência no futebol inglês: Bernardo Silva. O volátil e extraordinário criador de jogo tem sido um dos poucos atletas dos citizens a render na presente temporada, tentando dar sentido à estratégia de jogo de Pep Guardiola, sacrificando-se constantemente em prol das necessidades colectivas. É uma das chaves-mestras do Manchester City e mesmo que o campeonato esteja praticamente perdido, e sem hipóteses de ir à Champions (a direcção do clube não vai recorrer da decisão da UEFA), será interessante ver se vamos ver um Bernardo Silva ainda mais precipitado para o ataque e em que o alto risco vai ser uma constante.


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