Vai Neymar ficar na sombra de Pelé, Romário, Ronaldo e Ronaldinho?

Francisco IsaacDezembro 26, 20189min0

Vai Neymar ficar na sombra de Pelé, Romário, Ronaldo e Ronaldinho?

Francisco IsaacDezembro 26, 20189min0
O astro brasileiro tem sido um "gigante" na Cidade da Luz mas ainda não conquistou os maiores prémios do futebol. Será que Neymar não conseguirá chegar mais longe?

2018 teve novo vencedor tanto do prémio The Best da FIFA (Luka Modric) como um novo “rei” do Ballon D’or (novamente Modric) marcando uma suposta nova era, que Cristiano Ronaldo e Lionel Messi ainda terão uma (senão várias) palavra(s) a dizer.

No meio do ano que passou, o Mundial 2018 teve lugar na Rússia, com a selecção francesa a ser coroada campeã do Mundo 20 anos depois de tê-lo feito pela primeira vez. Kylian Mbappé, Paul Pogba, Antoine Griezmann, Hugo Lloris e N’Golo Kanté foram os mosqueteiros principais de uma França de qualidade de Didier Deschamps, eliminando Argentina, Uruguai e Bélgica pelo caminho até à grande final.

NA SOMBRA DOS 5 FENOMENAIS E DO MAIOR DE TODOS OS TEMPOS

O sucesso dos Bleus deu acesso ao mais prestigiante prémio a Mbappé e a Griezmann que até então estavam sem hipótese de lá chegar, conseguindo assim superar a concorrência, principalmente de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. No meio dos festejos e dos feitos, ficou para trás mais uma ano em que Neymar Jr não conseguiu tocar nem no The Best nem no Ballon D’Or, começando a ser uma missão contra o tempo para conquistar um prémio que está totalmente enraizado na História do Futebol do Brasil.

No esférico dourado concedido pela France Football, o Brasil só teve cinco vencedores (lembrar que durante largas décadas este prémio só era atribuído a atletas que jogassem por selecções dentro do Velho Continente): Ronaldo Nazário (o “fenómeno”) em 1997 e 2002; Rivaldo, Rolnadinho Kaka em 1999, 2005 e 2007 respectivamente. O Brasil é o país que no século XXI teve mais vencedores diferentes no Ballon D’Or, uma marca do reconhecimento do talento e qualidade dos atletas canarinhos.

Se o prémio The Best só instalou as suas fundações em 2016, já antes a FIFA designava o seu melhor do ano num prémio que cessou a existência em 2008 (capitães e seleccionadores votavam nos melhores) – em 2016 voltaram a ter um prémio só seu, o The Best. Entre 1991 e 2008 o Brasil conquistou por oito vezes o prémio, completamente destacado de todos os seus rivais internacionais. Foram eles (de ordem do maior para o menor vencedor em número de vezes): Ronaldo Nazário 1996, 1997 e 2002; Ronaldinho entre 2004 e 2005; Romário, Rivaldo e Kaka em 1994, 1999 e 2007 respectivamente.

Se o “Fenómeno” é um dos maiores vencedores de sempre em prémios individuais (a nível do colectivo faltou-lhe uma Liga dos Campeões por exemplo), Ronaldinho não fica nada atrás e Romário podia estar com bem mais, não fosse o Ballon D’Or um prémio excessivamente europeu durante o melhor período de forma do “baixinho”.

Não esquecer que Pele não teve a oportunidade de levantar qualquer o FIFA World Best Player, mas os mais de mil golos concretizados durante a carreira, três mundiais, vários prémios como Bota de Ouro e os 7 Ballon D’Or concedidos em 2015 (edição alternativa), colocaram o avançado como o maior jogador brasileiro de sempre, senão o melhor futebolista de todos os tempos.

Ou seja, em 27 anos de prémios (contamos a partir de 1991) o Brasil arrecadou 13 títulos, sobrepondo-se a tudo e todos nestes prémios individuais… mas a partir da Bola de Ouro e o FIFA World Player de 2007, nunca mais tiveram um atleta seu a levantar os tão desejados títulos. A ascensão meteórica de Neymar Jr levou a que muitos vaticinassem uma intromissão pela discussão do Melhor do Mundo entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, uma vez que o avançado formado no “Peixe” estava a apresentar números estratosféricos época após época.

Os Ballon D’Or e World Best Player FIFA (Foto: Getty Images)

DE FILHO DO “PEIXE” A “ESQUECIDO” DOS BLAUGRANA

Entre 2009 e 2013 fez 136 golos e 50 assistências em 223 jogos pelo Santos, clube pelo qual conquistou uma Libertadores (2011), uma Recopa (2012) e quatro Paulistas. Faltou só o título de Campeão do Brasil, mas os sucessos obtidos entre os 17 e 21 anos criavam uma sensação de regresso ao passado com Neymar a apresentar traços encontrados em Ronaldo Nazário (condução de bola e o carácter decisivo num 1×1 ou 1×2 para além do instinto “felino”), Romário (conclusão de jogadas seja com o pé ou cabeça e uma presença inteligente dentro da área) e Ronaldinho (a insanidade técnica e capacidade de mexer nos ritmos do jogo com poucos toques na bola).

Como os seus antecessores, Neymar Jr. acabou transferido para o FC Barcelona, um clube sempre disponível para dar o maior palanque de todos aos jogadores do Brasil e que curiosamente teve quase todos os vencedores brasileiros de prémios internacionais a passar por lá. Aos 21 anos seria a segunda estrela da companhia atrás “só” de Lionel Messi.

Pelos blaugrana Neymar apresentou melhores registos de golos/assistências que os seus antecessores, com 105 golos e 76 assistências em quase 200 jogos, ficando à frente de Romário (só esteve uma época em Barcelona, conseguindo terminar como o melhor marcador da formação então treinada por Johan Cruyff), Rivaldo (em 5 anos como culé marcou 130 golos), Ronaldo (em só uma temporada marcou quase 50 golos, optando por sair para Milão no final de 1997) e Ronaldinho Gaúcho (207 jogos, 94 golos e 71 assistências) em termos de números.

Contudo, é verdade que ao contrário dos nomes supramencionados , Neymar Jr nunca foi tão “amado”, muito devido ao seu estilo de jogo e personalidade muito assente numa “agressividade” pessoal em superar todos obstáculos, mostrando-se, por vezes, arrogante e excessivamente impaciente. A imagem de Neymar Jr fora dos campos também complicou sempre uma relação de proximidade com os adeptos, contrário ao que se passou com Ronaldinho, Rivaldo, Ronaldo e Romário.

Mesmo o “baixinho”, que tinha tonalidades de arrogância muito sobressaídas, tentou sempre apaixonar o público pelo seu futebol genial com pormenores excêntricos e de um requinte puro. Porém, há outro factor que muitos se esquecem de incluir nessa análise: Neymar Jr teve sempre de esgrimir pelo estrelato com colegas de equipa ao contrário do que se passou com o seus “antepassados”.

Para além de Lionel Messi, Andrés Iniesta e Xavi Hernandez roubavam todo o carinho do público e a atenção de treinadores, colegas de equipa e adeptos, ficando Neymar reduzido a um papel de “arma excelente mas que não insubstituível”, o que poderá também explicar a sua saída dos catalães.

O tempo de Neymar Jr foi, de certa forma, “esquecido” apesar do futebol genial que mostrou ao serviço dos blaugrana, com jogadas fenomenais e que proporcionaram uma dimensão ofensiva ao Barcelona extraordinária. Era o parceiro certo para Lionel Messi, combinando bem com Luís Suárez, num dos trios mais mortíferos de sempre que passaram pelo futebol europeu e mundial.

A “fuga” inesperada para o Paris Saint-Germain ainda não teve o final desejado, com os parisienses a ficarem longe das finais de competições europeias, apesar de Neymar ter sido logo campeão francês no seu primeiro ano. Em uma época e meia, Neymar Jr já foi responsável por 43 golos e 23 assistências, o que lhe atribui uma taxa de influência de mais de 1 golo ou assistência por jogo… só ao alcance de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.

A ERA DOS TITÃS INULTRAPASSÁVEIS E DAS NOVAS PROMESSAS

Dizer que Neymar Jr calhou no período errado do futebol, que se tivesse existido nos anos 90 ou início de 2000 já teria alguns troféus da France Football e FIFA debaixo do braço é simplesmente evitar falar da questão.

A verdade é que o avançado canarinho tem fracassado em alguns momentos fundamentais na sua corrida para o The Best ou Ballon D’Or, como o Mundial de 2014 (o cansaço que adveio de uma época pelo Barcelona precipitou nessa direcção, apesar de um início prometedor) ou de 2018 (a lesão sofrida meses antes tirou aquela capacidade de rasgo e de definição) e esta falta de títulos do Brasil contemporâneo tem sido um sinal crítico para o sucesso do astro.

Os números provam que Neymar Jr é o melhor jogador brasileiro desde 2010, não existindo ninguém que consiga depor contra a influência do genial jogador na canarinha. No Barcelona foi um dos desbloqueadores de jogo da Liga dos Campeões em 2015 com 10 golos em 12 jogos, os mesmos que Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. E no Paris Saint-Germain já ultrapassou os números e influência de Ronaldinho Gaúcho para além de estar perto de Raí, outro dos símbolos canarinhos na cidade da Luz.

Mas sem um título mundial ou continental conquistado de forma extraordinária, Neymar Jr nunca conseguirá fugir à pressão deixada por Kaka, Romário, Rivaldo, Ronaldinho, Ronaldo e, claro, Pele.

Com 26 anos e perto dos 300 golos na carreira, o astro que tem somado títulos por onde passa, largado dos melhores golos (prémio Puskas em 2011) que se viram e proporcionado dos momentos mais fantásticos do futebol mundial nos últimos anos, tem ainda dois mundiais para voltar levar o Brasil de volta ao título e/ou mais uns para conduzir o PSG em direcção a um título europeu inédito. Fica para o registo as três “medalhas de bronze” no Ballon D’Or/The Best entre 2015 e 2017.

Todavia, em nota final lembrar que há outro “titã” a acordar no PSG: Kylian Mbappé. O jovem francês de 19 anos começa a pisar os calos das lendas actuais e está a pavimentar o seu caminho em direcção aos maiores da modalidade. Já conta com um título de Campeão do Mundo, dois títulos em França (o do AS Monaco será para sempre inesquecível) e em 2017 fez parte do melhor onze da Liga dos Campeões.


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