Mourinho e o seu Tottenham: Sorte ou Qualidade?

Gonçalo MeloDezembro 9, 20205min0

Mourinho e o seu Tottenham: Sorte ou Qualidade?

Gonçalo MeloDezembro 9, 20205min0
O Tottenham de Mourinho é líder da Premier League! Quem têm sido os responsáveis principais deste arranque positivo?

Há três meses poucos seriam os que punham em cima da mesa a possibilidade de o Tottenham de José Mourinho ser líder pelo Natal. No entanto, essa é uma realidade que pode muito bem vir a acontecer, já que os Spurs repartem a liderança com o campeão Liverpool, tendo a equipa londrina averbado apenas uma derrota em 11 jogos logo na primeira jornada, frente ao Everton. Até onde poderá ir este Tottenham?

Com as equipas de Mourinho, fazer uma previsão destas é sempre arriscado, para não dizer ingénuo. A carga emocional e psicológica que são comuns às equipas de técnico português normalmente têm efeito positivo durante algum tempo, mas quando as coisas começam a correr mal, depressa a equipa entra numa espiral negativa, algo que leva o técnico a adotar discursos agressivos que não caem bem junto de alguns jogadores. Ainda assim, a qualidade do plantel dos Spurs permite prever uma época de luta acesa pelo top 4, ainda para mais com a ausência da exigência dos jogos da Champions.

Nos últimos anos a equipa do norte de Londres tem-nos habituado a planteis algo desequilibrados (Harry Kane só este ano tem uma verdadeira alternativa), planteis esses que foram bem aproveitados por Pochettino, mas que Mourinho não achou suficientes. Os spurs foram altamente incisivos e pragmáticos no ataque ao mercado, sendo que a única coisa negativa que se pode apontar ao clube é o facto de não ter mantido Jan Vertonghen, que continua a ser melhor que Eric Dier e Davinson Sánchez, que vão dividindo protagonismo ao lado de Toby Alderweireld.

A equipa tinha carências nas laterais defensivas, no meio campo e principalmente no eixo do ataque, posições que foram todas alvo de reforço e que dão soluções de luxo ao técnico português.

Matt Doherty chegou para tomar conta da lateral direita, no entanto o irlandês não conseguiu convencer e tem sido Serge Aurier, que até foi dado como transferível, o titular à direita. À esquerda tem estado em destaque um dos melhores laterais esquerdos da nova geração. Sergio Reguilón é aos 23 anos um lateral totalmente adaptado às exigências do futebol europeu, depois da grande época que fez em Sevilha. Velocidade, técnica, qualidade de passe e visão de jogo, tornam Reguilón num dos mais fascinantes laterais esquerdos da atualidade, e mais um espanhol na senda de Jordi Alba, Juan Bernat, Alex Grimaldo ou José Gaya.

No meio campo, a equipa sentia claramente falta de um médio que complementasse a energia e rotatividade de Sissoko, e ao mesmo tempo tivesse a capacidade de dividir protagonismo na construção com os médios mais ofensivos, Lo Celso e Ndombele, principalmente. Esse alguém é Pierre-Emile Hojbjerg. O dinamarquês de 25 anos contratado ao Southampton pegou de estaca, adaptando-se na perfeição ao estilo mais defensivo de Mourinho, graças à sua capacidade de recuperar bolas, mas principalmente pela capacidade que tem de levar a equipa para a frente quando necessário, através do passe longo ou da condução de bola em velocidade. Frescura física e intensidade durante 90 minutos são o principal cartão de visita do ex-Bayern.

Giovanni Lo Celso e Tongay Ndombele têm dividido o protagonismo na posição mais adiantada do trio de meio campo. O argentino e o francês partilham algumas características, nomeadamente a qualidade técnica, receção e passe, e também a qualidade no drible e na condução de bola. Tendo finalmente encontrado a regularidade exibicional, os dois jovens médios têm tirado espaço e protagonismo ao outrora menino bonito dos Spurs, Delle Alli.

No ataque, a equipa já contava com um dos 3 melhores pontas de lança do mundo, o capitão Harry Kane. Capaz de jogar de costas para a baliza, de frente, atacar a profundidade, driblar, finalizar com qualquer um dos pés e com a cabeça, o inglês de 27 anos é a cara da equipa, e provavelmente o melhor jogador inglês da atualidade. Esta época teve direito a ganhar concorrência, uma vez que a equipa recebeu Carlos Vinícius por empréstimo do Benfica. Fortíssimo fisicamente, muito dotado na finalização e capaz de aparecer em várias zonas do ataque, Vinícius parece ter tudo para ser uma ótima alternativa a Kane.

Nas alas, a um plantel que já tinha Son Heung-Min (está a jogar como nunca, é seguro afirmar que está ao nível dos melhores extremos do mundo), Lucas Moura, Erik Lamela e Steven Bergwijn, juntou-se o filho pródigo Gareth Bale. O galês de 31 anos regressou a casa para voltar ao seu melhor nível, algo que nos últimos anos não conseguiu em Madrid. Até agora so foi utilizado em 3 jogos, mas numa época longa certamente existirão oportunidades para vermos a velocidade e explosão do ex-Real.

Até voltar ao seu melhor nível, Mourinho não terá grandes motivos de preocupação. Kane e Son estão a um nível assombroso, tendo juntos apontado 18 dos 23 golos da equipa no campeonato. E com este duo nesta forma, Mourinho pode bem sonhar com o topo da Premier League.

Para concluir, uma menção mais que honrosa para um elemento que é quase sempre deixado de fora quando toca a enumerar os melhores guarda redes da atualidade. Hugo Lloris é muitas vezes lembrado por alguns erros caricatos (como aquele na final do Mundial da Rússia), mas é inegável que o titular da seleção francesa é um super guarda-redes. Grandes reflexos, ocupação exímia da baliza, e uma voz de comando fundamental para qualquer defesa. É sabido que Mourinho é um treinador defensivo, e qualquer treinador defensivo precisa de um grande guarda redes. E os Spurs têm-no.


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