“O Sou Menino para ir” que vale a pena ver

Fair PlayMaio 11, 20203min0

“O Sou Menino para ir” que vale a pena ver

Fair PlayMaio 11, 20203min0
O programa de Salvador Martinha acrescentou algo ao futebol português, que vale a pena ver para perceber... O Sou Menino para ir e a cultura desportiva em Portugal explicado aqui em poucas palavras

Artigo de opinião de Guilherme Catarino 

Foi no passado dia 28 de Abril de 2020 que o famoso humorista Salvador Martinha lançou o quarto episódio, da terceira temporada, da sua série Sou Menino Para Ir.

O conceito da série distingue-se das outras por se tratar de um convite feito pelos espetadores do programa ao seu autor, onde aqueles lhe apresentam uma proposta de “profissão” a desempenhar durante um dia.

Neste caso, o convidante é Luís Barbosa, diretor de marketing do CRCD Varziela, um clube que milita na 6ª divisão do futebol nacional, e o desafio consiste em Salvador Martinha e Diogo Batáguas – segundo humorista convidado – presidirem o clube, convivendo com os seus jogadores, adeptos e dirigentes durante um dia de jogo.

Não quero estragar o episódio a quem ainda não teve oportunidade de o ver, e por isso este texto não incidirá diretamente sobre si, mas mais numa perspetiva de relacionar o seu conteúdo único e exemplar, com o estado degradante em que se encontra o futebol português, na forma das suas sucessivas decisões polémicas.

Muito notória é a carência de raízes futebolísticas no nosso país. A falta de carinho e apoio ao clube local de onde nascemos – talvez por erros internos aos clubes ou a outros entes responsáveis – a falta de monetarização por parte dos órgãos competentes para os clubes mais carenciados, ou a deusificação dada aos três grandes nacionais, exemplificam o exposto supra.

Estaria, porém, a ser injusto se desrespeitasse aqueles que apoiam intensamente o clube da cidade ou vila onde cresceram. Restam numerosos verdadeiros simpatizantes do futebol no seu estado puro (citando o célebre escritor Luís Freitas Lobo). Aqueles que o vivem como o espetáculo cultural que é, que seguem os clubes queridos a todo o lado não pela vitória ou pela derrota, mas pelo convívio, pelas cantorias e pelo jogo jogado. E que grande exemplo nos dá este Clube Recreativo Cultural e Desportivo Varziela.

Um amor à terra onde nasceram, que leva os mais apaixonados a reverem o vídeo vezes sem conta, pela beleza que lhes proporciona. Num jogo para uma taça distrital, mais de 200 adeptos acompanharam a equipa à cidade da Maia no Porto – com 100 quilómetros de viagem – para ver a sua equipa jogar numa competição de cariz amador. Mas o que importa isso?

Numa altura tão preocupante no futebol nacional, exemplos destes são de relevar no nosso futebol. Na recente conferência para decidir o destino das duas ligas profissionais são convidados os presidentes dos 3 grandes – eventualmente pelos justificáveis valores monetários ou simbólicos que representam à nação -, e conclui-se que a 1ª liga será jogada até ao fim pela questão dos requisitos cumpridos – questão também esta dúbia, face ao número de casos de Coronavírus em crescendo no seio dos clubes – ao invés da 2ª liga, cujo campeonato se deu por terminado.

Aprendemos muito com a pessoa que nos guia dentro do pequeno clube de Varziela, Luís Barbosa. Com uma vida humilde, e uma energia impactante em qualquer adepto de futebol, a sua mentalidade, e dos apaixonados do pequeno clube de Felgueiras, é a devida no futebol; citando-o: “Não há outro clube em Varziela a não ser o Varziela, não sou do Porto nem disto nem daquilo”.


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