Maurizio Sarri e Juventus: renovação, factor-Ronaldo e que mais?

Fair PlayJunho 23, 20196min0

Maurizio Sarri e Juventus: renovação, factor-Ronaldo e que mais?

Fair PlayJunho 23, 20196min0
A Juventus tem novo timoneiro e há muito para mudar...ou não? Como será a Juve de Maurizio Sarri e que papel vai ter CR7 no esquema do italiano? Algumas pistas neste artigo

Maurizio Sarri foi anunciado como o novo técnico da Juventus regressando assim ao futebol Italiano depois da pausa de um ano para treinar o Chelsea em Inglaterra.

Depois da passagem bem-sucedida ao serviço do Nápoles no qual colocou a equipa napolitana como principal opositor da Juventus, assumindo-se como a segunda maior potência Italiana.

Com a experiência em Inglaterra e a conquista do seu primeiro título Internacional, o italiano atinge assim a elite no seu país podendo começar a cimentar o seu estilo de jogo numa equipa que luta por todos os títulos possíveis, nomeadamente a Serie A e a Champions League.

Mas o que podemos esperar do génio tático no comando da Juventus

A Vertente tática

Sendo conhecido como um enorme estudioso da tática no jogo, é desde logo sabido que grande parte do futebol da equipa passará pela maneira como as peças serão colocadas no xadrez do terreno de jogo.

Olhando para o que foi feito no Nápoles e no Chelsea, é seguro assumir que Sarri manterá na Juventus o seu 4x3x3, apostando numa linha ofensiva bastante móvel, sobrando a dúvida se o ponta de lança será um jogador mais fixo como foi com Higuain ou Giroud, ou se a aposta recairá sobre um falso nove como Insigne. Olhando para as opções, Ronaldo e Mandzukic seriam soluções mais puras comparativamente com Dybala ou Kean.

No entanto é no meio campo que Sarri define todo o seu processo de jogo, com Jorginho a surgir como a peça principal do motor nos seus dois últimos clubes.

Jorginho jogava como pivot e a sua importância foi tanta que o próprio Kanté acabou relegado para uma posição mais ofensiva no terreno para libertar o ítalo-brasileiro.Parecendo certo que a Juventus não vai avançar por Jorginho, surge aquela que é a principal dúvida da Juventus em 2019/2020. Quem será o novo Jorginho?

As hipóteses variam desde Betancur, Khedira, Pjanic, Ramsey ou Emre Can, sendo que nenhum destes jogadores é taticamente parecido com Jorginho, uma vez que falta algum equilíbrio entre as tarefas defensivas e ofensivas, uma vez que à exceção de Khedira os restantes jogadores aproximam-se mais das características de médios ofensivos. Este panorama torna a contratação Ramsey a melhor opção para a posição, podendo já ter sido esse um dos motivos para a sua contratação ao Arsenal.

O Estilo de Sarri

Sarri criou um estilo próprio que o caracterizou ao longo dos anos, sendo muitas vezes visto completamente “fora de si” quando algo não corre de acordo com o esperado, sendo extremamente expressivo nos gestos que realiza.

Este tipo de atitude pode entrar em choque com algumas das personalidades mais fortes da Juventus, e poderá ser por aqui que passará muito do sucesso de Sarri.

Os problemas no relacionamento com os jogadores podem justificar em parte o porquê do Chelsea ter deixado o vencedor da Liga Europa sair de Londres, estando o episódio com o guarda-redes Kepa ainda bem fresco na mente dos adeptos do futebol.

Sarri já admitiu o prazer que terá em treinar Cristiano Ronaldo, aquele que será provavelmente o ego mais forte do plantel, e que levantou imediatamente as dúvidas sobre como irá Sarri lidar com um jogador que em muitos casos acaba por ser superior ao plantel em vários níveis, parecendo desde logo que o técnico quis afastar esta ideia que o seu relacionamento com o astro português seria complicado.

A gestão da estrela da Juventus será fundamental para o sucesso na Europa, algo que será perseguido pelo treinador italiano pela primeira vez na sua carreira, depois de fugazes presenças com os napolitanos, podendo mesmo ser nestes jogos de grau de dificuldade máxima que as ideias táticas do treinador podem ser mais úteis, visto que o estudo do plantel adversário será um desafio aliciante e ao mesmo tempo desafiante, mesmo ao estilo do técnico.

Dois reforços para Sarriball

Olhando para o modelo de jogo que Sarri quer implementar, fará neste momento falta um central e um lateral esquerdo

Para a posição de central Sarri conta apenas com Chiellini e Bonucci como jogadores credíveis para o nível da Juventus seria útil obter um jogador mais novo e que acrescente velocidade ao centro de uma defesa que treme muito quando apanha jogadores rápidos e com bom drible.

Neste sentido é inevitável não pensar em De Libgt para satisfazer todas as características necessárias ao plantel. O jovem holandês é o central mais cobiçado da Europa e isso não acontece por acaso. Veloz e inteligente com a bola e sem ela o Golden Boy cairia “que nem uma luva” e salvaguardava a defensiva da Juventus durante largos anos.

Já na lateral esquerda Spinazzola não parece ter o nível exigido para uma prova como a Champions, sobrando apenas Alex Sandro que também tem passado algo despercebido na equipa de Turim.

Para este lugar a opção pode muito bem morar em Portugal, mais concretamente na luz. Num sistema que vive muito dos laterais (basta recordar o papel de Emerson na conquista da Liga Europa), seria útil encontrar um lateral com enorme valência ofensiva, característica bem patente em Grimaldo que com apenas 23 anos e ainda sem renovação com o Benfica assegurada pode ser um alvo apetitoso para atacar neste mercado, ficando a Juventus a contar com os serviços de um dos mais promissores laterais da Europa.

Depois do crescimento defensivo que Grimaldo atingiu nesta época é seguro dizer que o espanhol está mais que preparado para dar o salto para a elite europeia, sendo mais um jogador jovem numa equipa que está bastante envelhecida e a precisar de ser renovada.

Assim a Juventus tenta com Sarri corrigir aquilo que pareceu ser o maior defeito nas últimas épocas: a falta de qualidade tática e de posicionamento no terreno. Apesar dos títulos conquistados ficou sempre no ar a ideia de que a Juventus apenas ganhou por ter um plantel incrivelmente superior aos adversários, mas longe do seu potencial, sendo em jogos contra adversários com pior plantel como Nápoles ou Ajax, notório o “banho tático” que a equipa sofreu e que no caso da Champions ditou mesmo o afastamento da prova.


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