Matthias Sindelar e Lutz Eigendorf – duas vítimas de opressão no séc. XX

João Ricardo PedroFevereiro 14, 20223min0

Matthias Sindelar e Lutz Eigendorf – duas vítimas de opressão no séc. XX

João Ricardo PedroFevereiro 14, 20223min0
Dois nomes que merecem ser recordados e que João Pedro Ricardo relembra neste artigo: Matthias Sindelar e Lutz Eigendorf

Matthias Sindelar assassinado pelo estado durante os tempos do nazismo na Alemanha e Lutz Eigendorf assassinado pela policia secreta da RDA, a Stasi, após a fuga para o ocidente.

Matthias Sindelar, austríaco nascido ainda no período do império austro-húngaro, foi um dos melhores jogadores do mundo, que ajudou a Áustria a brilhar e a conseguir umas meias-finais no Mundial de 1934, a equipa ficou conhecida como a Wunderteam. Ao serviço do FK Austria onde fez grande parte da carreira venceu duas Taças Mitropa. Pela sua elegância, qualidade técnica e ritmo desconcertante ganhou alcunhas variadas como Homem de Papel ou Mozart do futebol.

Com o avanço do nazismo na Áustria a fortíssima seleção austríaca morreu após a anexação da Áustria pelo III Reich. Muitos companheiros de Sindelar acabaram por aceitar representar a Mannschaft, ao contrário dele, que recusou todos os convites, dizendo não se enquadrar no estilo pragmático germânico.

Na sua despedida, a seleção da Áustria, realizou um amigável com a Alemanha. Sindelar furou um resultado combinado (alegadamente um empate), e marcou o primeiro golo da Áustria a 20 minutos do fim e o jogo acabaria com triunfo austríaco por 2-0. Sindelar é que não se conteve nos festejos do golo e celebrou-o com todo o vigor correndo mesmo na direção dos oficiais alemães do regime nazi. A trágica história aparece intimamente ligada a estes factos, se bem que sem versão certa. Sindelar foi encontrado morto com a sua namorada no seu apartamento em Viena no início de 1939. Tinha 35 anos. Uma tese aponta para suicídio de ambos, desgostosos pelos últimos acontecimentos, que teriam feito por sucumbir com inalação de monóxido de carbono.

A outra tese remete para um assassinato perpetrado pela Gestapo, que tinha Sindelar na sua lista negra como pró-judeu e social-democrata. Ao seu funeral acudiram 20 mil pessoas, acabando enterrado no mesmo cemitério de Beethoven, Brahms, Schubert e Strauss.

Já Lutz Eigendorf jogou seis vezes ao serviço da República Democrática Alemã (Alemanha Oriental) e marcou por três vezes. Jogou até ao ano de 1979 ao serviço do SG Dynamo Berlin na Oberliga da RDA. Em 1979 decide fugir para o ocidente, o SG Dynamo Berlin foi fazer um jogo amigável contra o Kaiserlautern da RFA e na viagem de regresso à RDA, o comboio parou na cidade de Giessen e Eigendorf foge do comboio, entra num taxi e foge de novo para Kaiserlautern. A UEFA decide suspender Eigendorf por uma época, durante essa época Eigendorf foi treinador das camadas jovens do Kaiserlautern, começando a jogar ao serviço do clube a partir de 1980.

Infelizmente apesar da fuga para a liberdade esta história acabou por não ter um final feliz. Em 1983 é transferido do Kaiserlautern para o Eintracht Braunschweig. Nesse mesmo ano é encontrado gravemente ferido dentro do carro e acabou por morrer dois dias mais tarde já no hospital.

O que inicialmente parecia ser um acidente, uma vez que o carro tinha embatido contra uma árvore. Mas após uma reunificação alemã, no ano 2000, uma inspecção aos serviços da polícia do estado da RDA, a Stasi, revelaram a tentativa de assassinato por parte da Stasi contra a vida de Lutz Eigendorf. Em 2010 um antigo espião da Stasi confirmou a ordem da Stasi para assassinar Eigendorf.

Lutz Eigendorf (Foto: FCK)

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