Liga das Nações 2020: a simulação para o Europeu necessária

Francisco IsaacSetembro 2, 20207min0

Liga das Nações 2020: a simulação para o Europeu necessária

Francisco IsaacSetembro 2, 20207min0
Começa já no sábado, dia 5 de Setembro, a Liga das Nações 2021 título que Portugal defende! O que esperar desta competição e qual a importância da mesma para as Quinas?

De 5 de Setembro de 2020 a 21 de Outubro de 2021 a Liga das Nações vai decorrer e será, sem dúvida alguma, a antecâmara para o Campeonato da Europa que aguarda pacientemente em 2021 pelo seu começo, depois de sofrer um adiamento forçado pela reestruturação do calendário internacional. Portugal, o campeão em título da competição (conquistou frente à Holanda em Junho de 2019 por 2-1), entra a jogar já no dia 5 de Setembro frente à Croácia seguindo-se depois uma viagem até à Suécia no dia 8 do mesmo mês, tendo Fernando Santos a possibilidade de ensaiar estratégias e o elenco que possivelmente estará convocado para o próximo Europeu de futebol. Em termos de calendário, as cores nacionais jogam nas seguintes datas:

05/09 – Portugal vs Croácia (19h45)
08/09 – Suécia vs Portugal (19h45)
07/10 – Portugal vs Espanha (19h45) Amigável
11/10 – França vs Portugal (19h45)
14/10 – Portugal vs Suécia (19h45)
11/11 – Portugal vs Andorra (19h45) Amigável
14/11 – Portugal vs França (19h45)
17/11 – Croácia vs Portugal (19h45)

O calendário de selecções é exaustivo, longo e intenso, oferecendo jogos de alta dificuldade, assim como outros mais acessíveis, permitindo à equipa técnica nacional rodar os jogadores convocados e procurar tanto a dar oportunidades a atletas menos certos nos convocados em 2021, como conferir as rotinas fundamentais à equipa que mais provavelmente vai estar no Euro.

O grupo da Liga das Nações (o formato da competição passou de três selecções por grupo para quatro) é um dos mais complicados, com a França (campeã mundial) e Cróacia (vice-campeã mundial) a surgirem como uma oposição de alta categoria, sem esquecer a Suécia, um adversário que cria sempre dificuldades, o que possibilita desde logo perceber se a matriz da forma de jogar actual é suficientemente boa para conseguir ultrapassar adversários que poderão surgir durante o próximo Campeonato da Europa.

Há outro pormenor que pode ajudar a angariar mais atenção para o duplo encontro com a França, uma vez que será o frente-a-frente entre os detentores do Campeonato do Mundo, França, e o vencedor do Campeonato da Europa e da Liga das Nações, Portugal, subindo assim na escala de importância esta reunião entre ambas as nações. Depois de uma das paragens mais longas do futebol (maior só durante a Primeira e Segunda Grande Guerra), será crucial perceber como os jogadores lusos se apresentarão tanto no sentido individual como colectivo, entrando em velocidade máxima para os confrontos que antecedem a segunda prova mais importante do calendário mundial de selecções. Por último, lembrar que só passam os quatro primeiros classificados, com o 2º e 3º do grupo a ficarem de férias após esta fase de grupos, com o 4º a ter que jogar uma eliminatória de descida para o escalão “B” da Liga das Nações.

O ELENCO E O ONZE TITULAR

Fernando Santos divulgou no dia 24 de Agosto os seus 25 convocados para os encontros de Setembro e o seleccionador nacional ofereceu algumas novidades, promoveu chamadas justificadas e deixou mesmo assim algunas interrogações.

Se na baliza há uma estreia em absoluto, com o guarda-redes Rui Silva (o guardião do Granada realizou uma excelente época no emblema espanhol) e retorno de Anthony Lopes (José Sá é quem sai mais castigado desta convocatória), na defesa seguiu-se a lógica de manter praticamente os mesmos nomes, com Domingos Duarte a continuar a merecer confiança de Fernando Santos, sendo que Nélson Semedo regressa aos convocados tanto por mérito próprio (não fez uma boa época no Barcelona, mas não foi dos piores jogadores da defesa dos blaugrana) como por ausência de Ricardo Pereira (contínua a contas com uma lesão). Pepe volta a ser incluído nas escolhas de Portugal, remetendo Rúben Semedo para fora dos convocados.

A nível de opções para o meio-campo destacam-se duas situações que podem ser encaradas por uns como estranhas, mas para outros como justas: a ausência de Pizzi (não fez uma temporada equilibrada como líder do SL Benfica, mas a nível individual voltou a surpreender com quase duas dezenas de golos e assistências) e a chamada de André Gomes, que depois de uma lesão grave sofrida em Setembro de 2019, conseguiu regressar em bom nível pelo Everton.

É ou não um grupo mais virado para a missão defensiva, de contra-ataque, recuperação de bola e contenção, isto perante as escolhas de incluir jogadores como Danilo Pereira, Sérgio Oliveira, André Gomes e Rúben Neves? Os três últimos tanto conseguem ocupar a posição de 6 ou 8 com a mesma qualidade, possibilitando uma transfiguração do meio-campo mediante as necessidades encontradas frente à Croácia (que gosta de fazer circular a bola pelo “miolo”, forçando uma subida do adversário para o apanhar em contrapé) e Suécia.

A juntar aos nomes para o centro do terreno de jogo, há ainda João Moutinho, Renato Sanches e Bruno Fernandes, sendo que este último pode facilmente ser um médio mais liberto e de intervenção junto às alas. Se Fernando Santos seguir a receita dos últimos encontros (Novembro de 2019) possivelmente Danilo Pereira ocupará o lugar de 6, Bruno Fernandes de médio mais avançado com ajuda de João Moutinho ou André Gomes na construção de linhas de passe ou de recuperar a redonda quando necessário.

Contudo, seria de grande interesse ver Rúben Neves neste meio-campo de Portugal, seja como trinco ou um falso 8, pois consegue dar um tratamento diferente ao passe e à construção de linhas de jogo, de desenvolver uma inteligência refinada na maneira como o meio-campo se expande, sem esquecer a facilidade como transforma uma recuperação de bola numa situação de ataque perigosa.

No ataque, os nomes chamados foram os esperados, com Cristiano Ronaldo a guiar este sector, ladeado por Bernardo Silva e… mais quem? Gonçalo Guedes? André Silva? Francisco Trincão? Qualquer uma das três alternativas vai de encontro com modelos tácticos e estratégicos já testados por Fernando Santos, sendo que com Guedes ou Trincão, ambos extremos, terá de forçar Cristiano Ronaldo a ficar mais no centro do ataque e a servir de referência, uma função que o mais internacional atleta português consegue fazer com qualidade.

Contudo, André Silva acabou bem a época ao serviço do Frankfurt, pelo qual fez 16 golos em 37 jogos, e não seria de todo de estranhar a escolha por ter um ponta-de-lança mais vocacionado a ocupar a grande-área e que consiga tabelar com os seus colegas fora desta, permitindo a Cristiano Ronaldo fugir para uma dos corredores de ataque. Diogo Jota será sempre uma opção de recurso e João Félix realizou uma temporada bem medíocre pelo Atlético de Madrid, mas pode ainda ganhar espaço pela insistência de Fernando Santos.

Posto isto, o onze de Portugal deverá ser ocupado da seguinte forma:

Foto: O onze provável de Portugal

Atenção que este elenco não é o que o Fair Play escolheria, mas sim o mais provável de ser optado por Fernando Santos. Caso fôssemos nós a compôr a equipa que vai começar o jogo de início frente à Suécia efectuaríamos algumas alterações com a introdução de José Fonte (por Rúben Dias) e Rúben Neves (por Danilo Pereira). Todas as selecções vão entrar em pé de igualdade nesta reabertura do calendário internacional e Portugal vai ter de puxar pelos galões de campeões tanto da Europa como da Liga das Nações, com o objectivo de afirmar o seu potencial e capacidade de domínio.


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