Premier League: O hotspot do mercado de transferências

Francisco IsaacAgosto 20, 201810min0

Premier League: O hotspot do mercado de transferências

Francisco IsaacAgosto 20, 201810min0
Não há melhor liga que a Premier League e o Mercado que fechou logo no início de Agosto foi um autêntico hotspot de transferências! Sabes qual foi o valor final gasto em reforços?

Pela primeira vez na História, a Premier League fechou o seu mercado de transferências antes do início da primeira jornada, numa decisão que reverte a favor dos clubes. Menos 20 dias para contratar jogadores! Fique a saber alguns pormenores do Mercado de Verão da Premier League 2018.

Mil milhões e meio de euros gastos depois, a Premier League entra mais forte e emotiva para a nova época. Sim, leram bem, a maior liga de futebol à escala mundial, teve um gasto em reforços à volta de mil milhões e meio, mais precisamente mil quatrocentos e dez milhões de euros.

Foi um verão estranho para as Terras de Sua Majestade, que não sofreu com grandes saídas do seu espaço territorial, mantendo quase todas as suas estrelas. Alguns clubes não mexeram de todo no seu elenco, como o Tottenham, Crystal Palace ou Burnley, mas já iremos a esses dados.

Depois de uma campanha no Mundial acima das expectativas, a Inglaterra manteve o seu perfil de dominador no Mercado de Verão, acertando várias entradas por valores recorde como Alisson e Kepa, dois guardiões que para o bem ou mal ficaram na história como os mais caros na sua posição.

Por outro lado, a nível de vendas o balanço da liga inglesa é bastante negativo, com um saldo negativo de mil milhões de euros, pois em vendas atingiram somente os 391M.

É, sem dúvida alguma, o campeonato mais forte, com os direitos televisivos e prémios das ligas a conferirem um poder monetário aos clubes fenomenal, o que permite blindar os melhores jogadores e gastar (quase) à vontade em novos recursos.

Sem contabilizarmos os regressos de emprestados, foram contratados 113 jogadores para os plantéis de Sua Majestade. Em termos de saídas absolutas, 88 atletas foram vendidos, emprestados com um custo associado ou findaram contrato.

O reforço mais caro foi Kepa, o novo guarda-redes do Chelsea, que custou 80 milhões de euros (o Atlético Bilbao agradece), enquanto a melhor venda passou pelo Leicester com a saída do fantasista Mahrez para o Manchester City.

Em comparação com as restantes Big5, a Premier League ganha/perde nas seguintes frentes:

– A Premier League foi o campeonato que mais gastou no mercado (até agora) com a Serie A (1000M€) em segundo lugar. A La Liga (753M€) fecha o pódio e a Bundesliga (447M€) e Ligue 1 (394M€) em 4º e 5º lugar;

– No top-5 das mais vendedoras, a liga inglesa (391M€) ocupa o último lugar, num top dominado pela Bundesliga (772M€);

– Foi a liga que pagou mais, em média, por jogador, mas sendo este um dado fácil de deturpar, então podemos dizer que a Premier League contratou em menos quantidade, mas pagou sempre mais no geral;

– É também na Premier League que os recém-promovidos têm mais poder de compra, com Fulham (116,5M€), Wolves (70M€) e Cardiff (31M€) a gastarem um total de 217,5 milhões de euros. Os Cottagers adquiriram um total de 12 jogadores;

Passemos aos tops, análise ao dinheiro gasto, às receitas e quem comprou melhor!

Quem reina em Inglaterra, não é nem o campeão, nem o vice-campeão

Manchester City e Manchester United, 1º e 2º classificado respetivamente da Premier League 2017/2018, foram pouco ativos no mercado.

A formação liderada por Pep Guardiola, que nos habituou a avultados gastos a cada nova abertura de mercado, investiu 70M€ nesta época com a chegada de Mahrez a consumar praticamente esse valor (Philippe Sandler e Daniel Arzani foram os outros dois reforços).

José Mourinho, pelo seu lado, desesperou até ao último dia, mas não chegaram mais munições para os Red Devils, reduzidos então a três caras-novas: Fred (59M€), Diogo Dalot (22M€) e Lee Grant (1,7M€).

Contudo, também nenhuma das suas grandes estrelas abandonou o “barco”, uma vez que só Blind e Johnstone saíram do clube a troco de 16M€ e 7,5M€.

Então, se o campeão e vice-campeão em título não foram grandes despesistas, quem foi?

Liverpool, Chelsea, Leicester, West Ham e Fulham. Só este bloco de cinco gastou no total uns 649,5M€, com uma curiosidade ainda maior: tanto Liverpool e Chelsea, tiveram os seus dois novos guarda-redes como maiores custos. Alisson era uma peça que há algum tempo Jürgen Klopp desejava, e para convencer a AS Roma foi necessário avançar com uma proposta de 62,5M€.

Os Blues ultrapassaram o recorde dos Reds, ao assinarem com Kepa por 80M€, um valor incrivelmente surpreendente, pois o jovem espanhol atuava pelo Atlético de Bilbao e não joga na selecção espanhola (foi a 3ª escolha no Mundial 2018).

O Liverpool ainda contratou mais três atletas: Naby Keita (60M€), Fabinho (45M€) e Shaqiri (15M€). Voltando ao clube londrino agora comandado por Sarri, chegaram ainda Kovacic através do negócio Courtois, Jorginho, fiel discípulo do técnico italiano (57M€) e Robert Green para 3º guarda-redes (custo-zero).

Leicester e West Ham dois emblemas que passaram por dificuldades na temporada transacta, decidiram atacar em força nas transferências. Como?

O Leicester reforçou-se com um atleta internacional português na pessoa de Ricardo Pereira (22M€), que foi ultrapassado por James Maddison (25M€) como o reforço mais caro. A saída de Mahrez ajudou abrir os cordões à bolsa e Claude Puel tem um plantel mais capaz e com novos jogadores bem interessantes como Filip Benkovic, Caglar Söyüncü, Rachid Ghezzal, Danny Ward e Jonny Evans.

Os hammers não conseguiram nem Brahimi nem Marega, mas ficaram satisfeitos com a chegada do virtuoso Felipe Anderson (38M€ pagos à Lazio de Roma), Issa Diop (veio do Toulouse o central), Yarmolenko (20M€ pelo lateral ex-Dortmund), Fabián Balbuena (o suposto melhor central do Brasileirão), Lucas Pérez e Lukasz Fabianksi.

Ainda assinaram a custo-zero Jack Wilshere e Ryan Fredericks, desconhecendo-se os valores de Carlos Sanchez, o trinco ex-Fiorentina.

Mas acima destes dois, veio um contender inesperado: o Fulham. É verdade, os recém-promovidos à Premier League fecham o pódio dos três clubes que mais gastaram neste defeso, assim como os que se reforçaram mais (nada mais, nada menos que 12 jogadores).

Os Cottagers foram ao banco e tiraram das poupanças cerca de 116M€ para fazer chegar alguns nomes curiosos: André Anguissa (era a cola do Marselha de Payet e companhia), Jean Seri (30M€ pelo ex-Paços de Ferreira), Mitrovic, André Schurrle (por empréstimo a troco de 400 mil euros) e os empréstimos de Vietto, Chambers, Sérgio Rico e Fosu-Mensah.

Estas chegadas são com vista não só a garantir a manutenção, mas também de poder lutar pelo top-10 da liga inglesa. Será que gastar muito e trazer vários reforços é a solução?

A título de curiosidade o Everton, novo clube de Marco Silva, trouxe 6 novidades, depois de meses de desespero para o treinador português: os extremos brasileiros Richarlison (39,2M€) e Bernard (custo-zero), o central Yerry Mina (30M€), o lateral-esquerdo Lucas Digne (30M€) e o internacional português André Gomes (empréstimo com 2M€ de custo).

O outro clube treinado por um português, o Wolves de Nuno Espírito Santo, desembolsou cerca de 70M€ neste verão para reforçar a equipa com vários portugueses e o espetacular Adama Traoré (22M€).

No outro lado da tabela, Tottenham nem contratou nem deixou sair um único jogador, terminando esta fase de pré-época com um breakeven de 0€. Crystal Palace só operou algumas contratações cirúrgicas e tentou ir a atletas a custo-zero, terminando o defeso com 11M€ despendidos.

Watford trouxe um português antes do fecho do mercado: Domingos Quina, ex-West Ham. No total 24M€ para um clube que tem como objetivo fugir à relegação.

Money in the bank: quem ficou a ganhar?

E aqui vamos à raridade do mercado de verão 2018 da Premier League: clubes que ficaram com mais dinheiro no banco do que quando começou o defeso. É realmente um pormenor muito curioso e que merece atenção especial.

Tottenham, como já mencionámos, não se movimentou, com Mauricio Pochettino a ser fiel ao que disse de não estar interessado em loucuras. Ficar com tudo a zeros é um feito extraordinário para os dias de hoje, mas realmente a formação de White Heart Lane não necessitava de uma ou duas “vitaminas”?

Durante julho e início de agosto foram alguns os nomes veiculados ao Tottenham como João Mário, Hector Herrera, Kovacic, Jack Grealish, sem que se viesse a confirmar qualquer pretensão.

O Watford terminou com um saldo positivo de 25M€, muito graças à saída de Richarlison para o Everton a troco de 39M€. Sem pânicos, nem grandes histerismos, os hornets leram bem o mercado e reforçaram-se pontualmente, abrindo mão de um atleta que tinha vindo para o plantel em 2017 por causa de Marco Silva.

E, finalmente, o Newcastle de Rafa Benitez fez questão de deixar as finanças do clube com uns 11M€ extra depois de dispensarem algumas gorduras do plantel: Mitrovic (20M€), Merino (12M€), Mbemba (8M€), Sels (4M€), Armstrong (2M€) e Toney (1M€).

17 dos 20 emblemas da Premier League, ficaram com um défice e nem se preocuparam em conseguir o breakeven. Contudo, houve um clube que deve estar largamente feliz pelo investimento que fez em 2014… falamos do Leicester e Mahrez. Os foxes compraram o argelino por 500 mil euros e venderam-no quase por 70M€.

É um dos casos de extrema valorização e que nos últimos anos é acompanhado por Philippe Coutinho (chegou por 13M€ e saiu por 125M€) ou Cristiano Ronaldo.

Quem compra melhor é quem gasta mais?

É a última questão que avançamos, se os reforços mais caros são aqueles que vão render mais no futuro ou que vão ter uma influência espetacular na equipa. É difícil de dizer, todavia há alguns reforços que vieram por uma pechincha e demonstram um bom funcionamento do departamento de futebol dos seus clubes.

Max Meyer chegou a custo-zero ao Crystal Palace, quando tinha supostas propostas de AC Milan, Inter de Milão, Valência, Lyon ou Marselha. Viu na Premier League um destino ideal para dar sequência à sua excelente forma física e técnica que demonstrou no Schalke 04.

Bernard esteve três meses a receber propostas e no fim decidiu-se pelo Everton de Marco Silva. Foi inscrito às 17h00 como jogador-livre, no último dia de transferências e o extremo brasileiro vai meter as bancadas de Meryside apaixonadas pelo seu perfume.

Rui Patrício chegou a custo-zero ao Wolves, mas ainda poderá render ao Sporting CP entre os 18-40M€ dependendo se os ingleses decidem negociar ou se optam por uma ida até aos tribunais. Não deixa de ser um excelente negócio por um guardião que ganhou um Europeu em 2016. É um valor adquirido e que poderá catapultar a formação comandada por Nuno Espírito Santo para uma época mais segura.

Saindo da esfera dos atletas a zero euros, há uns quantos que vieram por menos do que o seu valor de mercado, como João Moutinho (5M€), Xherdan Shaqiri (14M€) ou Caglar Söyüncü (21M€).

O central turco talvez terá sido um dos reforços mais surpreendentes da Premier League, pois estava cotado para se juntar ao Schalke 04 ou Bayern de Munique na próxima época, reconhecido pela sua qualidade técnica e postura defensiva.

O Leicester contrata um central cheio de futuro que aos 22 anos ainda está para atingir o seu pico máximo.

Não há muito mais para dizer deste mercado de transferência da Premier League que voltou a atingir números estratosféricos, sem olhar para despesas ou contas bancárias (a não ser que seja o Manchester United ou o Tottenham), de forma a manter o seu estatuto de melhor liga do planeta.


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