À Procura de um Guardião Para o Templo do Dragão

Francisco da SilvaMarço 24, 20185min0

À Procura de um Guardião Para o Templo do Dragão

Francisco da SilvaMarço 24, 20185min0
A história do FC Porto está recheada de inúmeros guardiões icónicos que alimentaram o imaginário dos adeptos azuis e brancos. Atualmente, existem vários candidatos à guarda do templo do Dragão.

Ao longos das últimas décadas, o FC Porto sempre habituou os seus aficionados a ter guardiões de excelente calibre nas suas fileiras, autênticos “senadores do Dragão” no estatuto brioso e discurso sapiente, bem como, fatores tranquilizadores para todos os adeptos e sócios azuis e brancos por via das suas qualidades futebolísticas dentro e fora dos quatro postes.

Mihaly Siska. Frederico Barrigana. Józef Mlynarczyk. Vítor Baía. Helton Arruda. A galeria dos imortais “mãos de ferro” é imensa e em linha com a história da cidade e do clube, no entanto, será que o FC Porto atual já encontrou o seu fiel escudeiro para os próximos anos?

Józef Mlynarczyk | Fonte: Twitter FC Porto

A saída de Helton Arruda e a manutenção de Iker Casillas no início da época desportiva 2016/2017 marcava em definitivo a passagem de testemunho do carismático brasileiro para o guardião espanhol. Talvez o canto do cisne de Helton Arruda tenha sido a exibição muito infeliz na final da Taça de Portugal de 2015/2016, no entanto, a forma absoluta como Iker Casillas conquistou a baliza azul e branca não deixou grande margem para que o carioca continuasse no plantel do FC Porto.

Desde então, o estatuto de “estrela mundial” do espanhol jamais ofuscou a personalidade humilde e cooperante de Iker Casillas dentro e fora das quatro linhas, o que veio a aproximar cada vez mais uma massa associativa carente de referências e um jogador de futebol à procura de valorizar pessoalmente os seus últimos anos de carreira.

Helton Arruda | Fonte: Ivan Del Val/Global Imagens

Na presente temporada, a manutenção de Iker Casillas no plantel portista e a não saída de José Sá por empréstimo foi percecionada como um erro de gestão desportiva, especialmente se tivermos em conta que durante o primeiro terço da temporada 2017/2018 o guardião espanhol exibiu-se a um nível alto e seguríssimo, capaz de fazer lembrar os bons velhos tempos em que o keeper nascido em Móstoles atuava no poderoso Real Madrid.

A paragem para as seleções e um momento de menor fulgor de Iker Casillas foi o mote para a assunção de José Sá no onze azul e branco. A infelicidade em Leipzig não transcendeu a confiança de Sérgio Conceição no jovem português e assim, José permaneceu longas semanas na liderança das sagradas balizas do Dragão.

As exibições intermitentes do guardião de 25 anos nunca deixaram devidamente tranquilos os adeptos portistas, contudo, o discurso emotivo e raçudo do jogador dentro e fora das quatro linhas foi criando e desenvolvendo uma relação especial com a exigente massa associada, até que dá-se o penoso jogo em casa frente ao Liverpool para a Liga dos Campeões.

José Sá | Fonte: Miguel Pereira/Global Imagens

À goleada histórica sofrida em casa associou-se uma exibição extremamente infeliz do guardião português, que “engordou” os números da derrota e relegou-o novamente para o banco de suplentes. Com o final da temporada desportiva a terminar, certamente que se irão intensificar os rumores da saída de Iker Casillas do Dragão, levantando inúmeras questões tão pertinentes como sem resposta em relação a quem deverá ser o próximo guardião do templo do Dragão.

José Sá teve na presente temporada a sua primeira real oportunidade de se assumir, demonstrando primeiramente um evolução moderada nas suas qualidades futebolísticas, no entanto, durante algum tempo será difícil de esquecer o seu papel no traumático 0-5.

O potencial do keeper português está lá e serão muitos os adeptos azuis e brancos a pedir a ascensão definitiva de José Sá na baliza do Dragão, porém, há outros nomes a ter na equação.

Fabiano fica ligado à humilhante derrota do FC Porto em Munique na temporada de 2014/2015 e dificilmente voltará a conquistar a confiança do Dragão. Melhor sorte deverá ter Vaná Alves que, com a provável saída de Iker Casillas e Fabiano no final da presente época, terá condições para finalmente lutar por um lugar no onze titular portista. Se é indubitável que existem dúvidas quanto à sua qualidade, é também inquestionável que essas dúvidas só serão realmente desfeitas quando o brasileiro tiver oportunidade de assumir a baliza azul e branca durante alguma partida oficial.

João “Andorinha” Costa tinha tudo para se estabelecer como o real sucessor de Vítor Baía, mais não fosse pelo facto de ter sido campeão pelo FC Porto em todos os escalões de formação, no entanto, uma gravíssima lesão no joelho atirou o guardião para fora do radar azul e branco.

Resta por fim Diogo Costa, um jovem atleta ao qual qualquer adepto azul e branco não tem dúvidas em apontar semelhanças com Tibi, Barrigana ou Vítor Baía. A insaciável sede por um fiel escudeiro do templo do Dragão tem alimentado a imaginação dos adeptos portistas, colocando assim pressão adicional no promissor guarda-redes de 18 anos.

Em 2018/2019, veremos como é que os responsáveis azuis e brancos irão analisar a questão da baliza portista. Se José Sá terá confiança reforçada, se Vaná Alves aproveitará uma eventual oportunidade ou se Diogo Costa queimará etapas para segurar o templo do Dragão.

Diogo Costa | Fonte: Twitter FC Porto

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