GD Chaves, o Orgulho Transmontano que vinga na Liga NOS

Gonçalo MeloFevereiro 24, 20187min0

GD Chaves, o Orgulho Transmontano que vinga na Liga NOS

Gonçalo MeloFevereiro 24, 20187min0
Artigo sobre o Desportivo de Chaves, uma das melhores equipas do nosso campeonato, economicamente estável e com adeptos fantásticos.

Em Trás-os-Montes mora aquela que é uma das equipas surpresa do nosso campeonato. Num fantástico sexto lugar a apenas três pontos da Europa, os valentes transmontanos do Grupo Desportivo de Chaves são umas das melhores equipas no nosso país.

Fundado no dia 27 de Setembro de 1949, após a fusão dos dois maiores clubes da cidade de Chaves, o Atlético Clube Flaviense e o Flávia Sport Clube, o GD Chaves é naturalmente o orgulho da região transmontana, uma vez que foi o único clube do interior nortenho português a conseguir combater a centralização e o poderio que foi sendo obtido pelas equipas das zonas de Grande Lisboa e Porto e do litoral em geral, muito por força da enorme paixão que move os adeptos flavienses, absolutamente devotos e apaixonados pelo clube.

Com cerca de 19 000 habitantes (40 000 ao todo no município) Chaves é uma cidade completamente focada no seu Desportivo, cidade essa que quase para quando há jogo no Municipal Manuel Branco Teixeira, que alberga cerca de 10 000 pessoas. Com cerca de 5000 sócios, o GD Chaves e a cidade têm assim um dos melhores rácios sócios/população do país, o que demonstra bem a paixão e a importância que os flavienses dão ao seu clube, sendo para a maioria o seu único foco, enquanto que alguns nutrem simpatia por um dos grandes, para além do GDC.

Dotado de uma estrutura forte liderada pelo presidente Bruno Miguel Carvalho, o Chaves é um dos clubes mais estáveis economicamente e em termos de infraestruturas, tendo capacidade de pagar a bons jogadores e tendo fora da cidade um centro de estágio de qualidade onde treinam a equipa principal e as escolas de formação, pois só assim se consegue cumprir o lema da direção, “O desejo mede os obstáculos; a vontade vence-os”.

Dentro de campo a equipa tem sido uma das agradáveis surpresas do campeonato. Depois do seu positivo regresso na época passada, com um 11º lugar sob o comando de Jorge Simão e Ricardo Soares, cabia esta época a Luís Castro levar os valentes transmontanos a um campeonato tranquilo.

E a verdade é que o ex-Rio Ave levou os objetivos a outro nível, estando a equipa na luta pelos lugares europeus, com um futebol atrativo e de enorme qualidade, privilegiando a posse de bola e o jogo apoiado. Para a boa prestação da equipa, é necessária uma equipa de qualidade, e mais uma vez aqui o Grupo Desportivo de Chaves deu conta do seu profissionalismo, ao formar um plantel competitivo e com muita profundidade.

Na baliza os experientes António Filipe e Ricardo Nunes são muito difíceis de transpor, não havendo um desnível entre a qualidade dos dois, enquanto que na defesa o quarteto está bem definido.

Os rapidíssimos Paulinho e Djavan são os donos das laterais, sendo muitas vezes causadores de desequilíbrios no ataque com a sua capacidade de fazer todo o corredor, não descurando nunca a coesão defensiva. No eixo, a jovem dupla formada por Domingos Duarte e Nikolas Maras está mais do que consolidada.

Os promissores centrais destacam-se pela velocidade e capacidade que tem em construir desde trás, sendo também altamente eficazes nos duelos individuais, embora ainda cometam alguns erros de posicionamento, naturais da idade. Os experientes Pedro Queirós e Nuno André Coelho, bem como o jovem Rafael Furlan são as alternativas para a zona recuada do campo.

No meio campo moram alguns dos principais craques da equipa. A posição 6 tem sido do gigante brasileiro Jefferson, muito forte fisicamente e no desarme, mas com óbvias limitações na construção, algo que poderá levar à titularidade do jovem reforço Stephen Eustáquio, internacional sub-21 português ex-Leixões, que se destaca precisamente por ser um médio tecnicamente muito evoluído, com grande capacidade de passe, o que pode servir melhor a forma de jogar do Chaves, e complementar-se com os parceiros do meio campo, Pedro Tiba e Renan Bressan, craques titularíssimos e fundamentais para o futebol da equipa.

Tiba é um médio de rutura, rápido, agressivo e fisicamente inesgotável, Bressan é o cérebro da equipa, com grande visão de jogo e um perigo nas bolas paradas. Felipe Melo e Patrão são outros médios interessantes ao serviço de Luís Castro.

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Bressan, Jefferson, Tiba, Perdigão e Davidson, alguns dos craques que brilham em Trás-os-Montes (Foto: Desporto ao Minuto)

No ataque moram outros criativos da equipa transmontana, estes que atuam a partir das alas. Matheus Pereira, cedido pelo Sporting, tem sido o maior destaque em termos ofensivos, com 2 golos e 3 assistências, fazendo mossa nas defesas com a sua capacidade de aceleração e facilidade no um para um.

Do outro lado tem estado Davidson, também muito forte tecnicamente e rápido a procurar zonas interiores, sendo também muito forte a servir os companheiros, ele que já conta com 5 passes para golo. Perdigão e Jorginho, mais dois extremos criativos e rápidos compõem as restantes opções para as alas, sendo o primeiro um possível titular desta equipa, não fosse ele altamente fustigado por lesões. No centro do ataque, William tem sido a referência da equipa.

O forte avançado brasileiro de 26 anos leva 8 golos no campeonato, sendo por isso o melhor marcador da equipa. A alternativa, o ex-Feirense Platiny parece ser boa concorrência para William, uma vez que nas 12 partidas em que esteve presente, pouco mais de 700 minutos, já conseguiu apontar 3 golos e assistir para outro.

No banco está como já referimos, o experiente Luís Castro. Com excelentes trabalhos no Santa Clara, FC Porto B e Rio Ave, o técnico nascido no concelho de Vila Real (a cerca de 70 km de Chaves) tem feito em Trás-os-Montes mais um excelente trabalho, juntando isso ao facto de ser um filho da região, o que torna maior ainda a sua empatia e admiração junto da massa associativa, ele e a sua equipa que esta época, após um inicio que gerou dúvidas e desconfiança, somam 9 vitórias, 6 empates e 8 derrotas no campeonato, números sensacionais para o clube.

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Luis Castro, um transmontano a brilhar em “casa” (Foto: Record)

O GD Chaves é um clube histórico do futebol português. Com uma massa associativa impressionante, o clube coloca sempre grande quantidade de adeptos nos estádios, seja em que cidade for. Com paixão e entusiasmo que caracteriza os adeptos flavienses, o Desportivo de Chaves é uma das equipas mais difíceis de defrontar na nossa Liga, fazendo jus à frase ouvida da parte final do hino do clube, “jamais seremos vencidos, porque somos transmontanos!”

Ora, o Chaves perde, naturalmente, alguns jogos, não sem dar uma replica forte e vender cara essa mesma derrota, respondendo de pronto na jornada seguinte, sendo por isso possível ganhar-lhes mas impossível vencê-los. E nada melhor retrata a paixão e o espírito transmontano do que o Desportivo de Chaves e as suas gentes, que vivem como poucos o seu clube e a sua região.

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A apaixonada multidão flaviense no Jamor (Foto: Diário Atual)


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