Famalicão: o “Case Study” do futebol português

Fair PlayOutubro 7, 20195min0

Famalicão: o “Case Study” do futebol português

Fair PlayOutubro 7, 20195min0
O sucesso do FC Famalicão não caiu do céu e é algo sustentado e bem trabalhado. Mas de onde vem o primeiro lugar do clube do norte? Descobre tudo aqui!

Artigo escrito por João Ribeiro

Há aproximadamente um ano, mais especificamente em junho de 2018, a Quantum Pacific Group adquiriu a maioria do capital da SAD do FC Famalicão, comprando 85% do capital social da Sociedade Anónima Desportiva.

O objetivo deste mesmo grupo era e é bem claro: colocar o FC Famalicão no principal escalão do futebol português e com uma equipa competitiva que lutasse pela vitória em todos os jogos que participasse e não com a intenção de apenas lutar pela manutenção, que seria a situação mais “óbvia” de uma equipa que chega ao primeiro escalão do futebol nacional após um interregno de 25 anos.

E logo passado um ano esse objetivo é alcançado e para o público comum fora do seio do FC Famalicão o que está a acontecer neste momento pode ser uma verdadeira surpresa, mas dentro do clube, e acredito que dentro da estrutura do mesmo, não seja assim um “fenómeno” tão estranho a classificação e o futebol atrativo que João Pedro Sousa implementou e que trouxe para a ribalta um clube à muito afastado da fama.

A chegada à Liga NOS

Ao cabo de sete jornadas disputadas, 6V 1E 0D, uma vitória (1-2) no reduto do Sporting Clube Portugal, crónico candidato ao título e logo com uma “remontada” que ainda deu mais valor e sabor a este triunfo ao cair do pano em Alvalade.

Os únicos dois pontos perdidos pela FC Famalicão foram no D. Afonso Henriques, casa do Vitória Sport Clube, uma casa sempre difícil de jogar que conta com adeptos fervorosos e uma grande mística que leva todos os jogadores a sentirem muito a camisola que envergam. Empate 1-1 no final da partida, depois de também terem recuperado de uma desvantagem no marcador.

A equipa sensação da Liga NOS

Primeiro classificado da Liga NOS, à frente dos principais candidatos ao título Sport Lisboa Benfica e Futebol Clube do Porto, melhor ataque da prova com 16 tentos em igualdade com Benfica e Porto e sem auferir qualquer derrota até ao momento, a par de um surpreendente Boavista.

Para este início de sonho da turma de Famalicão muito contribuiu o investimento realizado após a certeza da subida do clube ao principal escalão do futebol nacional. Foram 19 reforços, tendo 15 deles idades na média dos vinte e poucos anos. Um plantel muito jovem, mas com alguma experiência em clubes com grande nome no futebol mundial, exemplos de Tiago Dias (AC Milan), Vana (FC Porto), Roderick (Wolves), Urus Racic (Valência), Toni Martinez (West Ham), Fábio Martins (Braga), Guga (Benfica), entre outros que vieram acrescentar qualidade a este plantel.

Além destes jogadores, chegou também o técnico João Pedro Sousa que, para a maioria das pessoas é um desconhecido no mundo do futebol, mas tem como trajeto profissional o facto de ter sido treinador adjunto de Marco Silva, por exemplo nas passagens mais conhecidas no Estoril, Sporting e Everton antes de abraçar este projeto ambicioso com a particularidade de ser a sua primeira experiência como treinador principal.

Mas em que se baseia parte deste sucesso ao nível da organização tática e da identidade da equipa?

4-3-3 Dinâmico, Versátil e Coeso

O sistema tático por si só não diz realmente o que uma equipa pode produzir no campo. As suas dinâmicas dentro do sistema de jogo, as ligações entre os jogadores e o que cada um tem de fazer em cada momento do jogo é o que definem uma alta ou baixa produção ao nível técnico/tático no decorrer do jogo e por consequência o sucesso da mesma.

O mérito do Famalicão nasce precisamente nessa simbiose de conceitos que já existe e que será ainda mais consolidada a cada treino e a cada jogo. Ter bola é algo que João Pedro Sousa tem como prioridade, mas como uma equipa completa é feita de várias nuances e não apenas uma, as saídas na transição ofensiva e a preparação dos jogadores na possibilidade da perda da bola e organizarem-se na fase da transição defensiva é também algo que já se identifica com grande qualidade nesta equipa.

Treinador na primeira experiência e logo com sucesso

O seu coletivo é o que sobressai mais nesta equipa, mas como em todas as equipas existem jogadores que se destacam. Fábio Martins, Guga e Ruben Lameiras dando muita criatividade ofensiva, bem como Lionn e Centelles nas laterais dando grande profundidade ao jogo do Famalicão, Toni Martinez e Anderson fundamentais na concretização das jogadas e sendo os primeiros da equipa na tarefa defensiva.

Pontos a melhorar e análise final

Em termos defensivos ainda se verifica alguma incapacidade coletiva na fase de construção de jogo, com várias perdas de bola ainda na fase defensiva, correndo alguns riscos de levarem contra ataques perigosos como se verificou no jogo contra o Sporting, mas com o trabalho desenvolvido e com mais treinos e jogos em cima das pernas é algo que será certamente melhorado.

É muito provável que o Famalicão não chegue ao final do campeonato na primeira posição, mas grande parte do sucesso que poderá acontecer no futuro, surgirá da forma como a equipa irá reagir à derrota quando ela surgir e o que de positivo poderá tirar dessa mesma derrota para melhorar enquanto coletivo e a nível individual.


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