França, Portugal, Bélgica, Espanha ou Alemanha. E se nos estivermos a esquecer da Itália?

Gonçalo MeloNovembro 14, 20207min0

França, Portugal, Bélgica, Espanha ou Alemanha. E se nos estivermos a esquecer da Itália?

Gonçalo MeloNovembro 14, 20207min0
O Euro 2020, que se vai jogar em 2021, está a aproximar-se. Com todas as grandes seleções europeias presentes, em quem apostarias as tuas fichas?

Estamos em contagem decrescente para o Euro 2020 (sim, parece que o ano muda mas o nome da competição não), e as casas de apostas já estão a faturar com a prova. Há algum tempo que não tínhamos tantos teóricos candidatos a lutar pelo troféu, algo que só pode ser positivo e que nos faz estar ainda mais ansiosos pela chegada do dia 11 de Junho. França, Bélgica e Inglaterra reúnem para já as preferências dos entendidos, seguidos de perto pela Alemanha. Espanha e Holanda vêm logo a seguir, à frente do atual campeão europeu, Portugal. E se nos estivermos a esquecer da Itália?

A Squadra Azurra de Roberto Mancini dominou a seu bel prazer o grupo J de qualificação para o europeu, arrecadando nada menos que 30 pontos em 10 jogos, com uns impressionantes 37 golos marcados e apenas 4 sofridos, num grupo com Finlândia, Grécia ou Bósnia-Herzegovina. A juntar a isso, a equipa transalpina vem apresentando uma dinâmica impressionante, querendo ter a bola o tempo todo e encostando muitas vezes os adversários às cordas. Mas até onde pode ir esta Itália?

Depois de alguns anos numa espécie de travessia no deserto (a equipa falhou de forma escandalosa o apuramento para o Mundial de 2018, caindo no Playoff frente à Suécia), Mancini pegou numa equipa quase arrasada e colocou-a no trilho certo, aproveitando não só a excelente nova geração italiana como também alguns veteranos e figuras mais consagradas dentro da seleção, conseguindo neste momento ter um lote de pelo menos 40 jogadores nas cogitações e com perspetiva de verem o seu nome nos 23 finais para o Euro.

Na baliza o dono tem nome. Gianluigi Donnaruma é o guarda redes titular da equipa, e apesar de já andar nestas lides há alguns anos, tem apenas 21 anos. Um gigante na baliza, é o menino bonito do Milan, e a sua agilidade e reflexos serão fundamentais no Europeu. O experiente Salvatore Sirigu parece ser o claro numero 2, fazendo valer os seus 33 anos na forma como lidera a equipa em campo. Para posto de 3º keeper, opções não faltam. Pierluigi Gollini da Atalanta parece partir com alguma vantagem, mas Alessio Cragno, Alex Meret e Mattia Perin podem claramente sonhar.

Armenia-Italia, Donnarumma-Sirigu comincia la sfida per la maglia n.1 - Corriere.it
Donnaruma e Sirigu vão tentar manter a zero a baliza da Squadra Azurra a zero

No eixo defensivo, há coisas que mais vale não mudar. Os experientes e quase lendários Leonardo Bonucci e Giorgio Chiellini da Juventus deverão formar dupla no Europeu, e dificilmente haverá dupla que se conhece melhor. Vão chegar ao verão com 34 e 36 anos, respetivamente, mas a idade não parece pesar em nenhum dos dois elementos. Francesco Acerbi e Alessio Romagnoli parecem partir à frente para ocupar as duas vagas no banco, mas nomes como Gianluca Mancini, Armando Izzo, Alessandro Bastoni ou até Daniele Rugani terão uma palavra a dizer.

Bonucci-Chiellini: Mancini punta sul tandem Juve per Italia-Olanda
Haverá dupla no mundo com mais jogos somados?

Nas laterais, os nomes são muitos, e não parecem haver para já indiscutíveis para o técnico Mancini. Ainda assim, Alessandro Florenzi e Giovani Di Lorenzo parecem partir à frente na direita, mas nomes como Danilo D´Ambrosio, Manuel Lazzari, Davide Calabria e Mattia De Sciglio podem entrar nas contas. Quanto à esquerda, Emerson Palmieri e Cristiano Biraghi foram os mais utilizados durante a qualificação, mas Leonardo Spinazzola está num excelente momento na Roma, e tem a vantagem de poder atuar nas duas laterais. O jovem de 21 anos Luca Pellegrini pode ser uma surpresa na convocatória.

No meio campo as opções também parecem multiplicar-se. Jogando num 4-3-3 clássico, a posição mais recuada do triangulo do meio campo é e será do italo-brasileiro Jorginho. Muito dotado tecnicamente e imperial ao nível do passe, o médio do Chelsea é fundamental para a qualidade ofensiva da equipa, sendo ainda responsável por equilibrar no momento defensivo. Como alternativa, de entre o quarteto formado por Manuel Locatelli, Sandro Tonali, Rolando Mandragora e Roberto Gagliardini, deverá sair um.

A acompanhar Jorginho costumam estar o pequeno mas genial Marco Verrati, e o energético e intenso Nicoló Barella. Tudo o que não seja a titularidade de ambos será uma surpresa, eles que estiveram presentes em 8 jogos dos 10 realizados na qualificação. Como alternativas, Mancini terá uma séria dor de cabeça. Os elementos da Roma de Paulo Fonseca são fortes candidatos, Lorenzo Pellegrini e Bryan Cristante (Nicoló Zaniolo também poderá entrar na opções para o meio, mas o jovem italiano só regressa à competição em Março), mas Stefano Sensi, Gaetano Castrovilli, Roberto Soriano, Matteo Pessina ou até o experiente Giacomo Bonaventura podem ter uma palavra a dizer. Destaque para o facto de, dos médios enumerados acima, apenas Jorginho, Verrati, Soriano e Bonaventura terem mais de 25 anos.

Mancini vows more at Euros after Italy qualify, Football News & Top Stories - The Straits Times
Jorginho e Verrati são dois dos grandes responsáveis pela qualidade exibicional da Squadra Azurra

No ataque da Squadra Azurra, parecem existir dois indiscutíveis. Comecemos pelo lado esquerdo. Lorenzo Insigne é talvez o elemento mais desequilibrador desta seleção italiana, como comprovam os 3 golos em 4 jogos durante a qualificação. A sua velocidade e capacidade no um para um tornam-no imprescindível para Mancini. Como alternativas diretas, Stephan El Shaarawy e Vincenzo Grifo perfilam-se como candidatos. Mas é à direita que as dores de cabeça de Mancini prometem não ter fim. O já mencionado Zaniolo pode entrar nestas contas, mas nesta fase os dois elementos da Juventus, Federico Bernardeschi e Federico Chiesa (curiosamente ambos produtos da formação da Fiorentina) parecem partir com alguma vantagem. No entanto, os canhotos Domenico Berardi, Mateo Politano e Ricardo Orsolini podem e devem sonhar com a presença no Europeu, estando todos eles a atravessar bons momentos de forma.

No eixo do ataque, as dúvidas parecem ser menores. O atual bota de ouro Ciro Immobile deverá ser a referência ofensiva, mas terá a forte concorrência da estrela maior do Torino, Andrea Belotti, que curiosamente até foi o melhor marcador da equipa na qualificação. A correr por fora estarão o jovem Moise Kean, que tem a vantagem de poder jogar nas alas, Kevin Lasagna, Andrea Petagna, o experiente e recém estreante na seleção aos 33 anos Francesco Caputo, e o veterano Fabio Quagliarella.

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Outrora companheiros no Pescara, Insigne e Immobile são agora as duas grandes esperanças italianas para a conquista do Europeu

Podem alguns destes nomes ser algo desconhecidos para a maioria. Convido então esse grupo a ver a apreciar esta nova e refrescante equipa italiana. Longe vão os tempos do famoso Catenaccio, portanto para aqueles que só agora começaram a incluir esta Itália na sua lista de candidatos, não se surpreendam se em vez de uma equipa defensiva e pragmática, virem uma seleção a jogar no campo todo, a pressionar alto, a autenticamente roubar a bola ao adversário e a chegar a zona de finalização com vários elementos.

Para os que insistem em não considerar esta seleção como séria candidata a vencer o Euro, que os meninos e homens de Mancini tenham piedade de vocês. Porque dificilmente vão ter dos adversários que vão encontrar durante o verão de 2021.

 


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