Euro 2020: As 3 Desilusões do Campeonato Europeu

Bruno DiasJunho 30, 20218min0

Euro 2020: As 3 Desilusões do Campeonato Europeu

Bruno DiasJunho 30, 20218min0
3 selecções defraudaram claramente as expectativas que os seus adeptos possuíam para este Euro 2020. Mas porquê?

Em todas as fases finais de competições de selecções (onde se inclui este Euro 2020), há sempre países que, por diversos motivos, acabam por ficar aquém daqueles que eram os seus objectivos iniciais ou das expectativas gerais criadas pelos fãs de futebol, seja pela forma como jogam, pelos seus resultados recentes ou simplesmente pela qualidade individual dos talentos que reúnem.

Formações com capacidade para chegarem longe na prova, mas que rapidamente acabam por se destacar pela negativa, sendo que são até célebres algumas participações absolutamente desastrosas de putativos candidatos teóricos à vitória.

Este Euro 2020 não foge à regra e, como tal, existem já 3 selecções que, embora em diferentes patamares de exigência, voltaram para casa mais cedo do que aquilo que seria de esperar. São as primeiras desilusões do torneio.

Turquia

A Turquia chegava ao Euro 2020 com elevadas ambições. Assentes numa nova fornada de jovens talentos (com o guardião Ugurcan Çakir à cabeça), misturada com elementos experientes e numa boa fase das suas respectivas carreiras (como o goleador Burak Yilmaz, recentemente campeão francês pelo Lille, o seu colega de equipa Zeki Çelik ou o criativo Hakan Çalhanoglu, peça importante de uma boa temporada do AC Milan), a formação comandada por Senol Gunes procurava aqui ultrapassar a fase de grupos e, quiçá, tentar até surpreender selecções mais poderosas na fase a eliminar.

Claro, também há que reconhecer que o início na competição não era meigo, frente a uma Itália em grande forma, com uma ideia clara de jogo, um futebol positivo e ofensivo e ainda com o “bónus” de actuar perante o seu público, em Roma. Para além disso, é um facto que um mau resultado no primeiro jogo da competição pode, muitas vezes, afectar irremediavelmente todo o percurso.

Mas ninguém esperava a catástrofe que se seguiu, e equilíbrio, organização ou noção colectiva foi tudo aquilo que não existiu na equipa turca. Das individualidades acima referidas, só mesmo Çakir acabou por brilhar, e não necessariamente pelo sucesso da sua equipa, mas antes porque, sem as exibições de grande qualidade do guarda-redes do Trabzonspor, os resultados poderiam ter sido ainda mais dilatados e negativos. Para além dele, Çaglar Soyuncu e Irfan Can Kahveci demonstraram bons pormenores, mas pouco mais do que isso se aproveitou nos 270 minutos em que a Turquia esteve no relvado.

Uma prestação desoladora, que constitui claramente a maior desilusão da fase de grupos do Euro 2020.

(Foto: football-italia.net)

França

Não há volta a dar: este Euro 2020 era da França para perder. Ou, por outras palavras, tudo o que não fosse a vitória final dos franceses seria sempre encarado como uma desilusão.

Mas a selecção comandada por Didier Deschamps teve uma prestação ainda mais negativa do que aquilo que até o mais pessimista dos adeptos seria capaz de realisticamente prever. 4 jogos, apenas uma vitória (frente à Alemanha, na jornada da fase de grupos), 6 golos sofridos (4 deles frente a Hungria e Suíça) e um grande número de pontos negativos e/ou dos quais se esperava todo um outro nível por parte desta autêntica “constelação de estrelas”. E só mesmo as individualidades foram disfarçando uma ausência assustadora de um fio de jogo minimamente identificável, um padrão colectivo que ligasse a equipa francesa ao longo do jogo, e que servisse de base para que os seus talentos (que são muitos) explanassem o seu futebol.

Até que chegou a um ponto em que essa grave falha não mais pode ser escondida, com a falta de ideias ofensivas a ser notória sempre que Antoine Griezmann ou Paul Pogba não conseguiam descortinar uma forma de criar perigo na defensiva adversária. Karim Benzema (de regresso para este Euro 2020 após longa ausência da selecção) esteve em bom plano e apontou 4 golos nos últimos dois jogos (frente a Portugal e Suíça), mas o desnorte colectivo estendeu-se também ao aspecto defensivo (de forma progressiva na competição, com os primeiros sinais preocupantes a surgirem logo frente à Hungria, na jornada da fase de grupos), e nem N’Golo Kanté, Raphael Varane ou Presnel Kimpembe – 3 dos melhores jogadores do mundo no capítulo defensivo – chegaram para cobrir as inúmeras brechas na organização defensiva francesa, que a Suíça soube explorar e que alimentou a chocante eliminação dos actuais campeões mundiais nos oitavos-de-final.

Aparte do colectivo, tivemos ainda uma clara desilusão individual: Kylian Mbappé. No seu primeiro Campeonato Europeu, o avançado do PSG apresentou-se num nível bem abaixo daquilo que é habitual, ficando “em branco” nos 4 jogos e demonstrando-se sempre explosivo e desequilibrador, mas pouco objectivo no último terço do terreno e muito perdulário na finalização. Como “cereja no topo do bolo”, foi dele o penalty falhado que ditou a eliminação da sua equipa frente aos suíços.

Um resumo cruel mas poético da participação da França nesta competição.

(Foto: marca.com)

Portugal

E depois do campeão mundial em título, o campeão europeu. Portugal chegou a esta competição com um novo estatuto e a responsabilidade acrescida de estar a defender o título conquistado de forma épica em 2016, precisamente frente à França. Mas desde cedo se percebeu que a selecção comandada por Fernando Santos dificilmente conseguiria replicar o êxito de há 5 anos.

A caminhada até começou da melhor forma, com uma vitória por 3-0 frente à Hungria, mas já nesse jogo inaugural foram notórias as dificuldades portuguesas para desmontar o bloco baixo húngaro e para apresentar ideias ofensivas de valor, no que se viria a constatar ser uma infeliz tendência ao longo de toda a competição.

O descalabro, de resto, chegou logo depois. Frente a uma Alemanha que há muito adoptou um sistema de 3 centrais, Portugal foi tacticamente “atropelado” por um plano de jogo alemão tão simples quanto eficaz, e que consistia em atrair o conjunto das “quinas” para o lado direito numa primeira fase – com Joshua Kimmich, Ilkay Gundogan, Kai Havertz e Serge Gnabry em constantes combinações – para, posteriormente, procurar o flanco esquerdo no último terço, onde Robin Gosens, ala-esquerdo, se revelou um “carrasco implacável” (esteve em todos os golos alemães, surgindo sempre nas costas da defensiva portuguesa solto de marcação). Um autêntico desastre.

E se contra a França – numa reedição da final de 2016 – Portugal até se exibiu a um bom nível (naquela que foi a sua melhor partida no Euro 2020) e conseguiu um valoroso empate a 2 com algum domínio durante os 90 minutos, tudo voltou a piorar nos oitavos-de-final, frente a uma Bélgica que, tal como a Alemanha, actua com uma defesa a 3. Sendo verdade que Portugal corrigiu alguns dos erros tácticos cometidos frente aos alemães, a exibição voltou a não encantar, as dificuldades ofensivas voltaram a estar presentes, e mais um golo do ala-esquerdo adversário (no caso, Thorgan Hazard) ditou a eliminação portuguesa.

É, por isso, relativamente claro que a incapacidade de Portugal se adaptar a uma tendência futebolística mais dinâmica e flexível bem presente neste Europeu se revelou crucial para o desfecho obtido. No plano defensivo, com os resultados que se sabem, mas mesmo no plano ofensivo, com uma incapacidade de criação na zona central que, por sua vez, levou a raros lances de verdadeiro perigo para as balizas adversárias. Cristiano Ronaldo (o melhor português no Euro, muito activo no último terço e decisivo, com 5 golos em 4 jogos) ainda tentou agitar a ofensiva portuguesa, mas jogadores como Bruno Fernandes, Diogo Jota ou Bernardo Silva passaram claramente “ao lado” da competição, e numa equipa recheada de qualidade individual, há que pensar se não terá existido um denominador táctico comum a todos estes talentos, um factor que os tenha impedido de apresentarem o mesmo futebol que apresentam nos seus respectivos clubes.

Problemas colectivos que influenciaram substancialmente rendimentos individuais, e que combinaram para que esta tenha sido uma das competições recentes mais negativas para todos os portugueses.

(Foto: ineews.com)

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