Major League Soccer 2018

António Pereira RibeiroMarço 3, 20188min0

Major League Soccer 2018

António Pereira RibeiroMarço 3, 20188min0
Antevisão da principal competição de clubes norte-americana

23 anos, 23 participantes. A nova temporada da Major League Soccer arranca já este fim-de-semana, e o Fair Play deixa-te algumas pistas sobre aquilo que poderá acontecer em 2018. Para acompanhar a competição de perto, e em português, convidamos-te a espreitar o ‘Futebol Exótico’, Podcast do Fair Play de periodicidade semanal, onde damos conta de tudo o que de relevante se passa na MLS (para além do Brasileirão e da CSL). Na nossa página também poderás encontrar regularmente artigos exclusivos sobre o futebol norte-americano. Por último, caso queiras assistir às partidas, basta sintonizar os canais Eurosport, que asseguram novamente a transmissão em directo de vários confrontos por jornada. Bom soccer!

CANDIDATOS AO TÍTULO

A presente antevisão começa desde logo com um erro básico no subtítulo, porque neste momento só existe um verdadeiro candidato ao título: Toronto FC. Todos os restantes são outsiders. Já se escreveram muitas linhas elogiosas sobre este emblema canadiano por aqui, fruto de um fantástico 2017 em que conquistaram um triplete nunca antes visto. O Fair Play comprometeu-se inclusive a acompanhar de perto a caminhada da melhor equipa da história da MLS, em 2018, em busca da glória continental. Mas porque é que o Toronto FC surge como uma aposta tão segura?

Replicar ou até superar o êxito conquistado na época transacta parece demais lógico, visto que os canadianos mantiveram as peças-chave do plantel, e ainda conseguiram reforçar-se valorosamente, aumentando desta forma o fosso qualitativo que os separa dos restantes competidores. O quarteto fantástico composto por Sebastian Giovinco, Michael Bradley, Victor Vázquez e Jozy Altidore, viu entrar no balneário o vice-campeão do mundo Gregory van der Wiel. Outras contratações cirúrgicas que podem vir a revelar-se determinantes em 2018 são a do defesa brasileiro Auro (São Paulo), e do centrocampista espanhol Ager Aketxe (Athletic Bilbao). Caberá ao treinador promissor Greg Vanney, garantir a adaptação harmoniosa dos novos elementos.

O ano já começou oficialmente para o Toronto FC, com os oitavos-de-final da Liga dos Campeões CONCACAF, frente ao Colorado Rapids. Se alguém reservava algumas dúvidas quanto ao eventual sucesso na temporada que aí vem, estas foram dissipadas ao ver a forma pacífica como os canadianos eliminaram outra equipa da MLS da prova continental.

Fotografia: USA Today

POSSÍVEIS OUTSIDERS

Dentro do extenso leque de outsiders, é na Conferência Este que encontramos os conjuntos com melhores hipóteses de se intrometerem na luta pelo título. Ora se isto por um lado reforça o valor competitivo da Conferência, também poderá levar à ocorrência de algumas finais antecipadas, até chegarmos ao duelo final entre o Este e o Oeste.

Comecemos pelo Atlanta United, clube que cumprirá somente a segunda temporada da sua história, mas que ainda assim, integra o grupo restrito de equipas capazes de beliscar o domínio de Toronto FC. Com ‘Tata’ Martino no comando, os rubro-negros detêm um dos elencos ofensivos mais intimidadores de toda a prova. Miguel Almirón, Josef Martínez, Héctor Villalba, e os recém-contratados Ezequiel Barco e Darlington Nagbe, juntos prometem deixar as defesas contrárias em pânico permanente. No entanto, esta efusividade qualitativa não encontra correspondência no sector mais recuado, e com a saída do chileno Carlos Carmona, figura maior na altura de equilibrar a equipa, o campo pode ficar demasiado inclinado para a frente. Avizinham-se exibições dominantes, resultados volumosos, e também alguns desgostos, sobretudo na altura dos Playoffs.

O New York City FC de Patrick Vieira terá igualmente uma palavra a dizer em 2018, e esta seria mais audível, caso não tivesse perdido o talentoso Jack Harrison para o Manchester City. O técnico francês tem vindo a procurar a estabilização de um quarteto defensivo competente ao longo dos anos, e parece que à terceira época foi de vez. David Villa pode agora assegurar a sua prolífica produção ofensiva mais tranquilamente, porque cá atrás, tudo parece impecável. Talvez a contratação de um guarda-redes mais proeminente do que Sean Johnson compusesse melhor o floreado, mas verdade seja dita, o New York City FC nunca pareceu tão sólido defensivamente como hoje, e isso abnega-lhes o direito a sonhar pelo título.

Por mais que falemos sobre a força da Conferência Este, um dos finalistas terá obrigatoriamente de sair da conferência oposta, e aqui, as dúvidas são maiores. No favoritismo, partem na frente os Seattle Sounders, vice-campeões em título, juntamente com Vancouver Whitecaps, e Portland Timbers.

RIVALIDADE A ESTREAR EM LOS ANGELES

A extinção do Chivas USA em 2014 abriu espaço ao surgimento de um novo franchising na Califórnia, ocupado este ano pelos estreantes Los Angeles FC. O mais recente rival dos Galaxy será orientado por Bob Bradley, ex-seleccionador norte-americano, que já se sagrou campeão da MLS com um emblema estreante, ao serviço dos Chicago Fire, em 1998. A construção do plantel está a ser feita de uma forma relativamente vagarosa, na expectativa do que poderá aparecer no próximo Mercado de Verão. Por isso mesmo, ainda estão algumas vagas por preencher (sobretudo no meio-campo), e essa falta de opções pode gerar sérios contratempos. Entre os que já vestem preto e dourado, o nome mais sonante é o do internacional mexicano Carlos Vela (Real Sociedad), mas também vale a pena mencionar outras figuras relevantes como Laurent Ciman (Montreal Impact), Walker Zimmerman (FC Dallas), Benny Feilhaber (Sporting KC), Omar Gaber (Basileia) ou Diego Rossi (Peñarol).

JOGADORES A OBSERVAR

Vários futebolistas merecem a nossa atenção em 2018, e torna-se difícil fazer uma selecção sintética, sem cometer a injustiça de deixar figuras importantes de fora, mas aqui vai. Comecemos pela contratação do Toronto FC, Ager Aketxe. O centrocampista espanhol veio do Athletic Bilbao para oferecer ainda mais dinâmica ao sector intermédio dos favoritos ao título, e a presença de Victor Vázquez deverá acelerar o processo de adaptação. Em Atlanta temos um dos melhores defesas da época anterior, o argentino Leo González Pirez, e o talentosíssimo paraguaio Miguel Almirón. Este último tem despertado muito interesse exterior, e poderá mesmo não ficar nos Estados Unidos até ao final do ano. Outro futebolista paraguaio em evidência é Jesús Medina, o novo extremo do New York City FC, responsável por alimentar David Villa. Nos Philadelphia Union encontramos um dos Rookies do Ano, o central inglês Jack Elliot, e nos Chicago Fire, o melhor jogador universitário do ano, o avançado espanhol Jon Bakero. No leque de norte-americanos promissores, Tyler Adams, dos New York Red Bulls, carrega a esperança de um futuro mais risonho para a sua selecção. Por último, Alphonso Davies, uma espécie de Freddy Adu do Canadá, sedento por provar o seu valor aos 17 anos, com as cores dos Vancouver Whitecaps.

O CONTINGENTE PORTUGUÊS

2018 fixou um novo máximo de futebolistas lusos a actuar em simultâneo na MLS: cinco. Antes de mais, é imperioso começar por falar em João Moutinho, o primeiro português a ser seleccionado no SuperDraft, e logo como nº1. Formado na academia do Sporting CP, o lateral esquerdo escolhido pelos estreantes Los Angeles FC precisou apenas de um ano no futebol universitário para estimular a cobiça dos emblemas norte-americanos. Tudo indica que integrará o onze habitual de Bob Bradley. Nos Columbus Crew SC joga Pedro Santos desde o Verão passado, com óptimas indicações que deverá corroborar em 2018. João Pedro (Los Angeles Galaxy) e Gerso (Sporting KC) caminham tranquilamente para a sua segunda época nos relvados norte-americanos, ao passo que Rafael Ramos, nova aquisição dos Chicago Fire, vai tentar lutar contra os problemas físicos que o têm assolado. A este contingente poderá ainda juntar-se André Horta, uma história de amor dos Los Angeles FC que se arrasta há muito, mas que o SC Braga não tem aprovado.


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