O renascimento do “submarino amarelo” – o Villarreal de Unai Emery

Bruno DiasJaneiro 7, 20215min0

O renascimento do “submarino amarelo” – o Villarreal de Unai Emery

Bruno DiasJaneiro 7, 20215min0
Depois de alguns anos de mediania, o Villarreal reencontrou o sucesso com um velho conhecido do futebol espanhol.

Há já algum tempo que, pese embora o talento disponível no plantel, o Villarreal se encontra fora daquele que é o lote dos melhores clubes espanhóis. As razões reais e concretas para um elevado entusiasmo desportivo têm sido poucas, e depois de vários anos de crescimento a todos os níveis, o clube aproximava-se perigosamente de um estado amorfo, de estagnação e resignação com a sua condição no seio do futebol espanhol.

Mas esse momento de estagnação de resultados e de evolução desportiva parece estar a mudar desde que Unai Emery chegou ao clube. O técnico espanhol, de 49 anos, regressou a Espanha depois de um trabalho bastante aquém das expectativas em Londres, ao serviço do Arsenal, e parece estar a comprovar que a “La Liga” é, sem dúvida, a sua “praia” de eleição. Com ele, o “Submarino Amarelo” – como o clube é tradicionalmente conhecido – regressou às boas exibições, ao bom futebol e aos bons resultados, sustentados por um conjunto muito interessante de jogadores, que misturam nas doses certas experiência, maturidade, irreverência, talento e objectividade.

Assim, pela competência apresentada e pelo potencial visível, há motivos para que os adeptos do clube desta pequena cidade da província de Castellón voltem a ambicionar mais.

Como joga o Villarreal

Emery caracterizou-se sempre por ser um “camaleão táctico“, adaptando constantemente as suas ideias ao plantel que tem à sua disposição e aos adversários que defronta, e este Villarreal acaba por não ser excepção à regra. Em poucos meses, a equipa já actuou em 4x4x2 e em 4x2x3x1, com jogadores de perfis distintos em várias posições.

(Foto: talksport.com)

No entanto, é a partir do seu 4x3x3 que o Villarreal mais tem jogado e conseguido obter os seus melhores resultados. Emery não abdica de solidez e consistência em termos defensivos, o que leva a que normalmente actue com um “6” posicional à frente dos centrais (Iborra ou Coquelin), que por sua vez se complementa e interage com dois interiores mais preocupados em equilibrar a equipa em todos os momentos do que propriamente em desequilibrar a organização contrária (principalmente, os espanhóis Dani Parejo e Manu Trigueros). Mais atrás, a experiência, a serenidade e o conhecimento do contexto do clube e da liga que Sergio Asenjo, Mario Gaspar e Raúl Albiol oferecem é de valor inestimável, com o jovem talento Pau Torres a acrescentar à defesa o toque de classe e superior qualidade que a diferencia.

Já no ataque, enquanto de uma ala parte um avançado mais móvel (normalmente Gerard Moreno, de quem falaremos melhor abaixo), da outra parte um médio “disfarçado” de extremo, que permite à equipa alternar de forma saudável e positiva entre uma construção mais rápida, pelos corredores (através da projecção dos seus laterais, sobretudo do lado esquerdo, onde actuam Pedraza ou Estupiñán), e um futebol mais apoiado, pausado e organizado pelo corredor central, com uma alta concentração de jogadores nessa zona do terreno e a constante ameaça do avançado (Paco Alcácer) à profundidade, oferecendo variabilidade ao jogo.

Uma fórmula que se tem revelado relativamente bem-sucedida, e que parece suficientemente consistente para fazer acreditar que a equipa pode estar na disputa dos seus objectivos até ao final do campeonato.

 

A figura

Não há como falar deste Villarreal sem falar em Gerard Moreno. Aos 28 anos, o avançado espanhol – internacional A – demonstra uma versatilidade cada vez maior no último terço, e assume-se como um jogador diferenciado e claramente preparado para voos mais altos. O seu perfil completa-se a cada época que passa, o seu rendimento (é de longe o melhor marcador da equipa nesta temporada, com 9 golos apontados) continua elevado e a estrutura colectiva enquadra-o de forma a que este não necessite de se desgastar em tarefas defensivas ou de se afastar em demasia das zonas de finalização.

Com Emery, Moreno tem actuado a partir de uma das alas do ataque, de forma a aproveitar a sua eficaz combinação de mobilidade, qualidade técnica, capacidade física e leitura do jogo e dos espaços no terço final do terreno, que lhe permitem aparecer com frequência entre linhas e o tornam num oportunista nato. É possível alegar, como referido acima, que o espanhol se encontra um pouco deslocado do espaço onde é mais letal – a zona central mais próxima da baliza adversária. Porém, e na ausência de um 4x4x2 onde as suas características encaixam como “peixe dentro de água”, na posição imediatamente atrás do “9“, Emery encontrou uma forma de, simultaneamente, retirar rendimento do avançado espanhol enquanto mantém a estrutura com a qual se sente mais confortável e que lhe dá maiores garantias de segurança e estabilidade. Uma decisão que beneficia todas as partes, e que se reflecte no rendimento que Moreno continua a apresentar.

(Foto: besoccer.com)

Actualmente na posição, com 29 pontos em 17 jornadas, o Villarreal volta a olhar para a Europa como um objectivo realista e até expectável, fruto do trabalho de qualidade que está a ser desenvolvido. O clube volta a estar, inclusive, de olhos postos na possibilidade de regresso à UEFA Champions League, palco que o clube até já se habituou a pisar em outras temporadas deste século. A ambição volta assim a renascer no El Madrigal, que poderá em breve voltar a ter os maiores clubes mundiais no seu relvado.


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