La Liga Scouting #35 – Hugo Guillamón (Valencia CF)

Bruno DiasFevereiro 16, 20225min0

La Liga Scouting #35 – Hugo Guillamón (Valencia CF)

Bruno DiasFevereiro 16, 20225min0
Na edição #35 do "La Liga Scouting", vamos conhecer um jovem talento defensivo proveniente da "cantera" valenciana.

Ao longo dos anos, os adeptos de futebol interiorizaram a ideia de que o Valencia é um clube de muitos e bons jovens talentos espanhóis, quer sejam criados na cantera “ché”, quer surjam no clube em tenra idade e aí evoluam para os melhores anos das suas respectivas carreiras.

O 35º talento desta já longa lista presente no “La Liga Scouting” é mais um desses exemplos. Aos 22 anos, Hugo Guillamón já conquistou a titularidade no clube da região valenciana e o seu crescimento é cada vez mais evidente no seio da equipa agora liderada pelo técnico José Bordalás.

Nascido em San Sebastián, no País Basco, mudou-se com a família para a Comunidade Valenciana aos 2 anos e conheceu apenas o Valencia como a sua “casa futebolística”, tendo aí realizado toda a sua formação. Desde muito jovem visto como um talento promissor, Guillamón foi no entanto diferenciando-se de outros atletas de qualidade pelas suas inatas capacidades de liderança e de maturidade no jogo, subindo passo a passo no seio do clube e correspondendo por completo às expectativas que eram depositadas em si.

(Foto: marca.com)

Também nas selecções jovens espanholas a sua qualidade foi cedo reconhecida, recolhendo internacionalizações e sucessos nos sub-17, sub-19 e sub-21, tendo conquistado o Europeu das duas primeiras categorias. A estreia pela selecção principal chegou recentemente e inclusive com direito a golo, a 8 de Junho de 2021, quando grande parte da selecção de sub-21 “subiu” à selecção A para disputar um amigável frente à Lituânia (vitória por 4-0), por conta de múltiplos casos de Covid-19 no plantel principal a meros dias da estreia no Euro 2020.

A sua versatilidade (de que falaremos mais abaixo) pode ser uma bênção ou um obstáculo, mas Guillamón parece agora bem lançado para repetir a convocatória espanhola e para se assumir como figura habitual do seu clube.

 

Como joga… Guillamón

No futebol, é relativamente comum vermos jogadores a mudarem de funções dentro do terreno de jogo ou até mesmo a evoluírem para diferentes zonas do campo à medida que as suas carreiras progridem, seja por se desenvolverem de uma forma distinta daquela que se lhes augurava na formação ou por possuírem uma ou mais características específicas que possam tornar natural essa mudança.

Hugo Guillamón é um desses casos. Desde cedo habituado a jogar como defesa-central, todo o seu percurso na formação do Valencia foi feito no eixo defensivo, enquanto “comandante” do sector mais recuado. Foi, de resto, nessa posição de sempre que realizou a sua estreia ao nível sénior, a 22 de Fevereiro de 2020, numa partida da “La Liga” frente à Real Sociedad.

Só que, quando Bordalás assumiu o comando técnico da equipa, em Maio de 2021, identificou de imediato uma lacuna no plantel: a de médio-defensivo, o vulgo “6” no nosso futebol. E à falta de capacidade financeira para assegurar um reforço de qualidade no mercado de Verão, foi Guillamón – que, à data, tinha até em cima da mesa a possibilidade de sair do clube, dado que terminava contrato e não estava a ter tantos minutos como desejaria no Mestalla – o escolhido pelo técnico de 57 anos para actuar na zona imediatamente à frente da defesa.

Um ligeiro mas inédito passo em frente para o jogador, que poucas ou nenhumas rotinas tinha até então no meio-campo. Mas um passo que ele aceitou e assumiu como um desafio que se tem revelado vitorioso, pois os jogos vão passando e a verdade é que Guillamón está cada vez mais confortável na posição. Dono de uma leitura de jogo e de um rigor posicional incomuns, funciona como um barómetro de segurança e solidez defensiva, permitindo soltar os seus colegas mais adiantados para os momentos de criação e de desequilíbrios ofensivos.

A sua morfologia e capacidade atlética não são as de um defensor dominador nos duelos individuais ou em lances mais físicos, mas nem por isso o espanhol deixa de ser forte no jogo aéreo e bastante capaz de travar os adversários com recurso a um desarme preciso e oportuno. E depois, vem ao de cima a elegância e classe do seu futebol. Guillamón recupera, levanta a cabeça e dá o melhor seguimento à jogada, através de uma amplitude de passe claramente acima da média e de decisões maioritariamente simples mas correctas no sentido que confere ao jogo e à circulação de bola.

Há ainda muito espaço para melhorar ao nível do transporte de bola e da variedade de soluções que pode oferecer à equipa (sobretudo em posse), mas esta parece ser uma aposta certeira e ganha de Bordalás, num jovem projecto de central que se vai transformando num excelente médio, dia após dia.

O Valencia encontra-se num período de transição, no que à sua história desportiva diz respeito, e Hugo Guillamón é um dos poucos jogadores que oferece garantias de auxiliar o regresso do clube aos grandes palcos, uma rotina de tempos não muito antigos. Mantendo a mesma evolução constante que tem apresentado, é de esperar que este se torne num nome bem mais mediático do futebol espanhol em anos futuros.


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