La Liga Scouting #27 – Brais Méndez (Real Club Celta de Vigo)

Bruno DiasAbril 30, 20215min0

La Liga Scouting #27 – Brais Méndez (Real Club Celta de Vigo)

Bruno DiasAbril 30, 20215min0
27ª edição do "La Liga Scouting", espaço onde o destaque é dado aos principais artistas do futebol espanhol. O de hoje brilha... em Vigo.

É no miolo do Celta de Vigo que mora um dos mais completos e consistentes médios espanhóis da “La Liga“. Com 24 anos feitos bem no início do ano, Brais Méndez assume-se cada vez mais como um jogador de montra no panorama espanhol, apresentando ainda claro potencial para voos mais altos.

Praticamente toda a formação de Méndez foi realizada no clube da Galiza, ao qual chegou proveniente do Villarreal, com apenas 15 anos. Não demorou muito até que se estreasse a nível sénior pela equipa B, aos 17 anos. Dono de uma maturidade e estampa física incomuns num jogador jovem, Méndez foi saltando naturalmente etapas naquela que é a formação habitual de um jogador, actuando regularmente com atletas mais velhos. Porém, haveria apenas de se estrear pela equipa principal com 20 anos, numa partida frente ao Getafe.

Também nas selecções jovens espanholas, Méndez foi sempre uma presença habitual, logo a partir do escalão de sub-17. Após percorrer também os escalões de sub-18 e sub-21, acabou por se estrear pela selecção principal espanhola em Novembro de 2018, naquela que foi talvez a fase mais brilhante da sua ainda curta carreira. O adversário foi a Bósnia, e Brais não poderia ter sonhado com uma estreia mais positiva, ao apontar o único golo do jogo.

Um percurso bem nivelado por cima e que promete continuar a subir patamares qualitativos, à medida que a experiência contribui para a evolução de um jogador especial.

O futebol de… Méndez

A disputar a sua quarta época no principal campeonato espanhol, Brais Méndez é mais um caso de sucesso da “herança” futebolística de uma geração espanhola que encantou o mundo. Mas a diferença do médio do Celta para tantos outros médios ofensivos espanhóis assenta na sua morfologia. Tradicionalmente, os criativos espanhóis são jogadores baixos e/ou franzinos, e é este o perfil que lhes permite aprimorar características como a qualidade técnica em espaços curtos, a velocidade de execução ou a tomada de decisão em poucas fracções de segundo.

(Foto: cadenaser.com)

Não é o caso de Méndez. Alto (1,84m), atlético e fisicamente capaz de se impor em duelos individuais e bolas divididas, o seu perfil físico não permite associá-lo de imediato àquilo em que se destaca dentro do terreno de jogo: elegante nas execuções, subtil no toque de bola, eficaz na tomada de decisão. No panorama espanhol, o seu perfil só encontrará talvez paralelo na forma de estar dentro do relvado em Fabián Ruíz, espanhol do Nápoles e da selecção principal espanhola, pelas particularidades técnicas de um jogador dotado de inúmeras qualidades.

Ao ver Méndez jogar, é inevitável não perceber, de imediato, a mentalidade positiva e objectiva que traz para o jogo. Inteligente e com natural capacidade de movimentação por todos os espaços ofensivos, é quando possui essa mesma liberdade de movimentos que podemos assistir ao seu melhor rendimento. Evoluído em termos posicionais, compreende o jogo, lê-o da melhor forma e aproveita todas as segundas bolas próximas da área adversária para arriscar no último passe ou até na finalização, recorrendo para isso a uma capacidade de remate acima da média.

Tecnicamente muito dotado, é no entanto um jogador que rejeita sempre que possível a opção do drible, preferindo antes levantar a cabeça e fazer a equipa avançar no terreno através do passe. Arrojado nas soluções que encontra para fazer progredir a bola com qualidade, a sua preponderância directa no resultado da equipa cresce exponencialmente quando se aproxima do último terço do terreno. Prova disso mesmo são os 6 golos já apontados nas 29 partidas que disputou nesta temporada.

É também partindo da sua capacidade física e da compreensão do jogo que encontramos neste médio a disponibilidade e capacidade para trabalhar de igual forma no plano defensivo. Abnegado e determinado, reage à perda da bola em terrenos adiantados, recupera bolas com mestria e provoca naturalmente momentos de transição ofensiva para a sua equipa, repleta de potencial nessa fase do jogo (pelas características de alguns dos seus colegas, como Nolito, Santi Mina ou o inigualável Iago Aspas).

Partindo da meia-direita no 4x1x3x2 de Eduardo Coudet – técnico argentino de 46 anos que veio revolucionar a época do Celta -, Méndez pisa principalmente terrenos mais centrais, algo que lhe permite estar mais vezes no centro de jogo, abrindo ainda o corredor direito para as incursões atacantes do lateral (normalmente, o espanhol Hugo Mallo). Pela sua versatilidade, possui um rol de funções quase ilimitado no modelo de jogo, actuando como criativo, desequilibrador, segundo médio, médio-ala ou até mesmo como primeiro homem de contenção após a perda da bola, dependendo do momento da partida. Assim, e de forma mais evidente que nunca, ter este espanhol no sector intermédio significa ter um médio que confere sempre regularidade e solidez ao colectivo como um todo, independentemente da fase do jogo.

A entrar na melhor fase da sua carreira, Brais Méndez é uma peça fundamental da máquina “celeste“, e caminha a passos largos para se tornar em mais um nome “crónico”, quando se pensa nas figuras que marcam o futebol espanhol e a “La Liga”.


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