La Liga Scouting #19 – Manu Vallejo (Valencia CF)

Bruno DiasSetembro 16, 20205min0

La Liga Scouting #19 – Manu Vallejo (Valencia CF)

Bruno DiasSetembro 16, 20205min0
19ª edição do "La Liga Scouting", a primeira da temporada 2020/21. E a escolha de hoje é, precisamente, aquela que terá sido talvez a principal figura da jornada inaugural em Espanha.

2020 não tem sido um ano fácil para o Valencia. Como já aqui referimos anteriormente, o clube encontra-se em plena “guerra civil” entre o dono e os seus adeptos, e vendeu o seu capitão (Dani Parejo) e alguns dos seus principais jogadores (Francis Coquelin, Rodrigo, Ferrán Torres) sem acautelar minimamente os seus respectivos substitutos, até ao momento.

No entanto, nem tudo é mau. Contrariamente àquelas que seriam porventura as expectativas da maioria, a estreia na La Liga 2020/21 foi vitoriosa, com um triunfo caseiro por 4-2 frente ao Levante. A equipa esteve em desvantagem por duas vezes no marcador, conseguiu chegar ao empate… e depois surgiu Manu Vallejo.

O espanhol, de 23 anos, entrou a 20 minutos do final da partida e aproveitou da melhor forma possível a sua oportunidade para mostrar todo o seu talento. Bisou e garantiu não só a vitória da equipa agora treinada por Javi Gracia, como muito provavelmente também a confiança do técnico espanhol, que terá em Vallejo mais uma arma ofensiva para o 11 titular da equipa “che“.

Formado em Cádiz, Vallejo desde cedo demonstrou estar destinado a brilhar ao mais alto nível. Estreou-se pela equipa principal em 2017, mas foi apenas em 2018/19 que realmente “explodiu”, apontando 10 golos em 35 partidas e despertando o interesse de vários dos principais clubes espanhóis.

Foi o Valencia quem assegurou a sua contratação, e o “baixinho” (1,67m) chegou ao Mestalla no início de 2019/20, por uma verba a rondar os 5,5M€, apenas poucas semanas depois de se ter sagrado campeão europeu de sub-21 com a selecção espanhola. Embora actue numa posição tradicionalmente recheada de talento no futebol espanhol, a possibilidade de vermos Vallejo chegar à selecção A nos próximos anos parece ser muito real, pelo conjunto de características que possui.

 

O futebol de Vallejo

Para Manu Vallejo, tudo gira em torno do seu centro de gravidade. Essa é, sem dúvida alguma, a sua principal qualidade, pela forma como influencia todas as outras – e ainda são umas quantas – que o pequeno criativo espanhol possui. É através da forma como se move e como dribla que os desequilíbrios surgem naturalmente. Do meio-campo para a frente, torna-se complicado definir qual a sua melhor posição, uma vez que aporta características positivas e disruptivas para a equipa em cada uma delas.

Partindo de uma das alas, confere capacidade de desequilíbrio e uma tremenda facilidade em mudar a velocidade do jogo repentinamente. Possui alguns recursos no 1×1, utilizando normalmente a sua mudança de velocidade para fugir ao adversário directo. Podendo também funcionar em espaços curtos, é ainda um jogador que precisa de alguns retoques em termos técnicos, dado que o seu jogo está ainda muito orientado para o campo aberto e para um drible mais largo e explosivo.

Já se a ideia for actuar no corredor central, atrás do avançado, Vallejo poderá ser uma arma poderosa no espaço entre linhas. Deambulante, não se dá à marcação e oferece muita qualidade no último passe e no timing de chegada à área adversária. Destro, é no entanto um jogador confortável a utilizar ambos os pés, sobretudo no momento da finalização, onde também se distingue pela facilidade com que remata, muitas vezes de forma espontânea e sem grande preparação.

Outro dos seus principais traços é a sua intensidade. Vallejo imprime naturalmente um ritmo alto ao jogo, e essa característica inicia-se nas suas próprias acções. Pode parecer até paradoxal, mas lançá-lo no decorrer do jogo, já contra defensivas adversárias desgastadas, é uma estratégia bastante eficaz. Porém, para que se possa usufruir de todas as suas potencialidades, o ideal será dar-lhe continuidade, até porque Vallejo é um jogador claramente associativo e que cresce com a ligação com os seus colegas.

Tal como referido acima, na sua melhor época em Cádiz apontou 10 golos em 35 jogos, partindo maioritariamente da ala esquerda. Num enquadramento ideal para o seu perfil, com liberdade posicional e de movimentos para poder aproveitar toda a largura do ataque e sem a marcação directa que normalmente surge num dos corredores ou como única referência na frente, há claramente potencial para que possa voltar a atingir e inclusive aumentar a sua produção ofensiva. Por outras palavras, Vallejo poderá evoluir de um perfil de extremo desequilibrador para o de um avançado exímio a explorar o espaço entre linhas e as zonas livres criadas pelo movimento de um parceiro no ataque, assim a sua evolução individual corresponda também a esta evolução táctica.

Talento, Vallejo tem de sobra, e com a saída de várias peças relevantes na equipa, abre-se espaço para que novas estrelas surjam no imaginário dos adeptos para esta temporada. Uma delas poderá muito bem ser este “baixinho”, que tem o condão de entusiasmar qualquer fã do jogo a cada toque na bola.


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