La Liga Scouting #1 – Diego Lainez

Bruno DiasJaneiro 13, 20195min0

La Liga Scouting #1 – Diego Lainez

Bruno DiasJaneiro 13, 20195min0
Uma das mais recentes adições de qualidade à La Liga assinou pelo Real Betis. Vamos conhecê-la um pouco melhor.

Novo ano, novos conceitos. Em 2019, e no que toca à La Liga, o FairPlay deixará de olhar principalmente para as equipas que compõem o espectáculo, e focar-se-á também naqueles que, directamente, contribuem para que este tenha a dimensão que tem nos dias que correm: os jogadores. Esta é a edição #1 do “La Liga Scouting”, espaço que servirá para dar a conhecer alguns dos maiores e não muito conhecidos talentos que espalham a sua qualidade pelos relvados de Espanha.

E para primeira edição, nada melhor do que começar por alguém que também muito recentemente chegou a esta liga. Apenas há alguns dias atrás, o Real Betis anunciou a contratação de uma das grandes promessas mexicanas da actualidade, vinda do “histórico” Club América, por valores que rondam os 14M€.

Diego Lainez é um jovem mexicano de 18 anos. Estreou-se na equipa principal do Club América com apenas 16 anos, pela mão de Ricardo La Volpe, experiente técnico argentino que comandou a equipa entre 2016 e 2017, naquela que foi a sua segunda passagem pelo clube. Considerado desde muito cedo uma das grandes esperanças do futebol mexicano para a próxima década, bateu vários recordes no clube, tendo-se tornado o jogador mais jovem da história do mesmo a bisar numa partida e o 5º mais jovem de sempre a marcar por “Las Águilas”.

 

Como joga Lainez?

Lainez é dono de um maravilhoso pé esquerdo. Essa é a característica que salta de imediato à vista de qualquer espectador que o veja jogar pela primeira vez. Destaca-se pela forma como dribla sempre com a bola colada ao pé, apresentando uma qualidade técnica muito invulgar neste aspecto. É dificílimo de travar de forma legal quando arranca no drible, pois a essa qualidade técnica associa uma agilidade tremenda (potenciada também pelo seu baixo centro de gravidade, fruto do seu 1,67m), uma capacidade de explosão acima da média e uma velocidade de execução que impressiona qualquer pessoa.

É deste conjunto de características específicas que, desde cedo, surgiram as comparações com o astro argentino Lionel Messi. De resto, é o próprio Lainez a admitir que Messi é um ídolo e um exemplo que procura seguir em campo. E de facto – ao contrário de muitos outros casos, em que a comparação era infundada -, o estilo de Lainez faz claramente lembrar a forma como um jovem Messi se movia pelo ataque do FC Barcelona, recebendo a bola a partir das alas (preferencialmente a direita, tal como este prodígio mexicano) e explodindo no drible rumo à última linha adversária, sempre com ela perfeitamente controlada no seu pé esquerdo, de onde depois saíam remates fortes e colocados, tabelas simples com os colegas de ataque ou passes decisivos para golo, com uma clarividência e consistência tremendas no momento da decisão.

Lainez, obviamente, ainda não se encontra nesse nível, ou não fosse esta uma comparação ingrata para qualquer jogador da modalidade. Revela ainda limitações no capítulo da decisão, nem sempre conseguindo identificar quais os momentos em que deve soltar a bola depois de fixar um ou mais adversários (aspecto que surge de forma completamente natural, pela forma como joga), ou quais os momentos em que deve visar a baliza em vez de optar por mais um drible. Uma limitação natural para um jovem de 18 anos, no entanto, e que certamente irá corrigir à medida que for adquirindo maturidade no seu jogo. Aqui, certamente que o salto competitivo, da Liga MX para a La Liga, também o ajudará a acelerar esse processo.

 

Como deverá ser utilizado?

No Betis, é muito provável que Quique Sétien não lhe atribua a titularidade desde o primeiro momento, e provavelmente também não o fará até final da temporada (pelo menos de forma indiscutível). Dada a forma como os “verdiblancos” actuam, variando entre o 3x4x3 e o 3x5x2, Lainez deverá alinhar sempre na frente de ataque, próximo da referência mais fixa do ataque (normalmente Sanabria ou Loren). No entanto, será interessante perceber até que ponto – caso Lainez efective todo o potencial que lhe é reconhecido em rendimento dentro das quatro linhas – Sétien poderá adaptar o esquema táctico da equipa de forma a potenciar o extremo, que claramente se encontra na sua zona de conforto quando pode partir da ala direita para deambular por toda a frente de ataque, dando também liberdade a toda a sua panóplia de recursos técnicos, criativos e até artísticos, de que usa e abusa no 1×1 ou 1×2.

Até lá, deliciem-se com aquilo que Lainez promete mostrar, em primeira mão, aos defesas da La Liga, que terão neste pequeno extremo novas causas para pesadelos e noites mal passadas:


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