La Liga – Posse e controlo: o Sevilla FC de Lopetegui

Bruno DiasJaneiro 30, 20215min0

La Liga – Posse e controlo: o Sevilla FC de Lopetegui

Bruno DiasJaneiro 30, 20215min0
O Sevilla continua a estabelecer-se como uma equipa de topo espanhola, também graças a uma cara bem conhecida do futebol português.

A carreira de Julen Lopetegui nos últimos 3 anos tem sido, no mínimo, atribulada. Aos 54 anos, o ex-treinador do FC Porto encontra agora, finalmente, alguma calma e tranquilidade no Sevilla. Em 2018, foi despedido da selecção espanhola apenas meros dias antes do início do Mundial 2018, por estar presente em negociações activas com o Real Madrid no sentido de assumir o cargo dos “merengues” depois da competição. Foi isso mesmo que fez, sucedendo a um percurso genial de Zinedine Zidane, que havia conquistado 3 Champions League consecutivas ao serviço do clube da capital espanhola.

Lopetegui não conseguiu estar à altura da enorme herança deixada pelo francês, e acabou por ser despedido apenas 4 meses depois da sua contratação. Mas o Sevilla percebeu que havia ali qualidade, e contratou-o para liderar os destinos da equipa no início da época 2019/20. O espanhol adaptou-se ao plantel de imediato, demonstrou rendimento e qualidade de jogo, e a temporada acabou por ser um estrondoso sucesso, com um lugar no campeonato e a conquista da Europa League, competição em que o Sevilla é rei e senhor.

A este sucesso imediato, e para além da qualidade do seu trabalho e do talento dos seus jogadores, não terá sido de todo indiferente uma figura incontornável quando falamos do Sevilla no século XXI: Monchi. Na sua segunda passagem pelo clube, o director desportivo continua a demonstrar a razão pela qual é, de forma inequívoca, um dos melhores do mundo naquilo que faz, e o plantel do Sevilla volta a estar recheado de “provas vivas” da sua competência. A mais recente foi a contratação de Alejandro “Papu” Gómez à Atalanta, após o argentino se ter desentendido com Gasperini na equipa italiana.

(Foto: sevillafc.es)

O futebol dos “rojiblancos

Tal como no FC Porto, na selecção espanhola ou no Real Madrid, Lopetegui utiliza em Sevilha o seu típico 4x3x3, estrutura com a qual se sente claramente mais confortável.

Começando pela zona defensiva, na baliza o marroquino Bono ganhou a titularidade ao checo Vaclik (que foi dono e senhor da posição na temporada passada). À sua frente, a dupla de centrais composta por Diego Carlos e Jules Koundé revela-se como fulcral para a solidez e consistência da estrutura defensiva da equipa. Nas laterais, a acompanhá-los, Lopetegui tem o lendário Jesús Navas na direita (capitão de equipa) e o ex-Sporting Marcos Acuña na esquerda, que chegou de Alvalade para tentar fazer esquecer Sergio Reguilón, que rumou ao Tottenham de José Mourinho e cujo sucesso no Sevilla foi indiscutível.

Na zona intermédia, Fernando é o dono da posição “6“. Aos 33 anos, o “Polvo” – bem conhecido dos adeptos portistas – continua a assegurar estabilidade e um alto número de recuperações de bola. Ocasionalmente, neste Sevilla, tende também a recuar para o meio dos centrais na saída de bola, formando uma linha de 3 que cada vez mais é utilizada de forma geral no futebol europeu. Juntamente com o brasileiro, normalmente temos Joan Jordán e o croata Ivan Rakitic, que regressou a Sevilha já na fase final de uma carreira ilustre e recheada de troféus. Qualidade na circulação, segurança na posse e uma boa gestão dos tempos do jogo são alguns dos pontos positivos que este trio geralmente garante a Lopetegui.

Já no ataque, Suso, Ocampos e En-Nesyri são os responsáveis pela criação e concretização das oportunidades de golo. Na direita, o espanhol baixa regularmente para procurar o espaço entre linhas e para deambular também pela zona central, de forma a melhor se associar com os restantes colegas. Pela esquerda, Ocampos apresenta-se como um jogador mais vertical e directo na procura da baliza adversária, e no centro, outro marroquino: En-Nesyri “roubou” o lugar a Luuk de Jong, estando actualmente a atravessar um grande momento de forma. É, de resto, dele que falaremos melhor a seguir.

A figura: Youssef En-Nesyri

(Foto: sevillafc.es)

Há cerca de dois anos, na segunda edição do “La Liga Scouting“, falava aqui de um marroquino que se destacava no ataque do Leganés. Na altura com 21 anos, o potencial já era por demais evidente, mas o seu rendimento não era ainda o de um avançado incontornável no contexto do futebol espanhol.

Dois anos volvidos, isso mudou. Actualmente num momento de forma extraordinário, Youssef En-Nesyri leva já 12 golos em 20 jogos na La Liga pelo Sevilla, é o melhor marcador da competição (juntamente com Luis Suárez) e a sua evolução promete não parar por aqui. Um “9” puro, o marroquino destaca-se pela forma incessante como trabalha na frente de ataque, seja no capítulo ofensivo, seja na reacção à perda da bola. Possante (1,88m) e explosivo, leva a melhor na maioria dos duelos individuais que disputa, domina o jogo aéreo e tem demonstrado claras melhorias na forma como se associa aos seus companheiros em fases de construção e criação. Interessante em termos técnicos, sobretudo em acções de finalização, também aqui tem progredido e apresentado evolução em alguns aspectos.

Uma autêntica “pérola” ao serviço de Lopetegui, que promete continuar a ser um dos destaques desta temporada, no futebol espanhol.


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