La Liga Legends #2 – Carles Puyol (FC Barcelona)

Bruno DiasJulho 31, 20225min0

La Liga Legends #2 – Carles Puyol (FC Barcelona)

Bruno DiasJulho 31, 20225min0
Segunda edição do "La Liga Legends", o espaço das míticas figuras do passado futebolístico espanhol. Desta vez, com uma lenda "blaugrana".

Quando pensamos nas figuras icónicas do futebol, pensamos quase instintivamente nos grandes craques ofensivos. Os mágicos, os criativos, os goleadores. São aqueles que puxam para si todos os holofotes, que figuram no marcador após cada jogo, que reúnem a preferência da maioria dos adeptos.

Mas nem só do ataque se faz o jogo, e a segunda lenda deste espaço é uma forte prova disso mesmo. Nascido em 1978, Carles Puyol respira a Catalunha.

Aguerrido e carismático, a sua vida futebolística começou por várias mudanças de posição no terreno de jogo. O jovem de longa cabeleira não era propriamente um talento nascido para uma posição específica, mas o que não saltava à vista em talento para a bola era compensado pela sua principal qualidade: a perseverança. Acabou por se estabelecer como defesa-central, talvez pela forma altruísta e temerária com que procurava sempre recuperar a bola para a sua equipa e aproximá-la da vitória.

A única transferência da sua carreira foi aquela que o levou até La Masia, a academia do FC Barcelona, para iniciar um percurso histórico que o consagraria como um dos maiores e melhores defesas de sempre do futebol mundial e, naturalmente, da “La Liga“, onde realizou toda a sua carreira.

Ao serviço do seu Barça, conquistou tudo o que havia para conquistar. 6 campeonatos, 2 Taças do Rei, 3 Ligas dos Campeões, 2 campeonatos do mundo de clubes. Títulos atrás de títulos, assentes num rendimento altíssimo e constante de um defesa que funcionava como uma autêntica “muralha”, um poderoso último recurso para evitar o golo.

Para além de liderar com sucesso no clube, Puyol estendeu também essa capacidade à selecção espanhola, onde participou exactamente numa centena de jogos ao longo da sua carreira. À boleia do que ia fazendo em Barcelona, o central foi peça fundamental na hegemonia estabelecida por “nuestros hermanos” entre 2008 e 2012, sobretudo no Euro 2008 e no Mundial 2010. Um capítulo de ouro que abrilhante ainda mais o seu fabuloso palmarés.

Puyol era muito mais do que apenas o atleta ou o futebolista por si só. E demonstrava-o a cada lance ganho na garra, na raça, no esforço, no sacrifício. Não era o jogador mais talentoso em campo, mas era seguramente sempre o mais trabalhador.

Um líder nato e um capitão exemplar.

(Foto: barcablaugranes.com)

Assim jogava…Puyol

O eterno capitão “blaugranaera a personificação da liderança dentro das quatro linhas, mas o seu simbolismo ultrapassava em muito o rectângulo de jogo. Puyol era largamente respeitado por companheiros e adversários, que lhe reconheciam a forma intensa mas leal com que disputava cada segundo de todas as partidas.

No que ao futebolista diz respeito, o central era igualmente muito dotado. Tecnicamente capaz, não temia transportar o esférico a partir da defesa, na saída de bola, e apresentava-se certeiro no passe, tanto curto como longo. Esta qualidade, de resto, alargava-se à forma como desarmava os seus oponentes, sempre no timing certo e com uma variedade de abordagens pouco ortodoxas mas altamente eficazes.

Porém, onde Puyol realmente fazia a diferença era nos planos físico e defensivo. Apesar de baixo (1,75m), sobretudo para a sua posição no terreno, a sua capacidade de impulsão e tempo de salto eram notáveis e tornavam-no numa força pelo ar. E ao nível do relvado, não existiam limites à forma como utilizava o seu corpo para parar a ofensiva adversária. Ávido adepto do “carrinho” como forma de desarme, Puyol era um monstro na maneira como lia o jogo e percebia o momento correcto para arriscar o desarme, impedindo quase sempre uma progressão limpa ou travando o ímpeto de quem lhe surgia pela frente, dando à equipa e aos seus companheiros tempo para recuperarem a posição e o controlo do lance.

No decorrer de uma longa e ilustre carreira, Puyol haveria de atingir o seu ponto mais alto quando a ele se juntou Gerard Piqué, formando uma dupla de estrondoso sucesso que comandava o mítico Barcelona de Pep Guardiola, revolucionador no panorama futebolístico espanhol e mundial. Entendiam-se e complementavam-se de forma perfeita. Piqué era a classe, o requinte, a saída de bola perfumada, que jogava constantemente na tentativa de antecipar a jogada adversária. E Puyol actuava na sua “sombra”, completando as suas acções e acrescentando agressividade, impetuosidade e vigor nos duelos individuais.

Uma parceria destinada à glória.

Tal como o vídeo indica, Puyol foi o último de uma espécie que não mais parece existir no futebol actual. Altruísta até ao último pingo de suor, o bem colectivo do seu Barça estava acima de tudo, assim que pisava o terreno de jogo. É um nome incontornável da história “blaugrana” e da “La Liga”.


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