“La Liga Legends” #1 – Raúl González (Real Madrid)

Bruno DiasJunho 30, 20226min0

“La Liga Legends” #1 – Raúl González (Real Madrid)

Bruno DiasJunho 30, 20226min0
Primeira edição do "La Liga Legends", espaço onde serão relembradas figuras míticas do futebol espanhol. Começamos por um símbolo "merengue".

Esta é a edição #1 do “La Liga Legends“, uma nova rúbrica onde se pretende apresentar antigas glórias do futebol espanhol. Os craques, os mágicos, as estrelas, os ícones. As lendas.

Ora, falar de lendas é falar do primeiro protagonista desta série de artigos, dono de um espaço inigualável na história do actual campeão espanhol, o Real Madrid. Durante 15 longos anos, Raúl González encantou as bancadas do Santiago Bernabéu, estabelecendo-se como o melhor marcador da história dos “merengues” (entretanto superado pelo português Cristiano Ronaldo) e criando uma legião de fãs não só em Madrid como também um pouco por todo o mundo.

Originário da capital espanhola, porém, o destino futebolístico de Raúl poderia ter sido radicalmente diferente. Aos 13 anos, após brilhar pelo modesto San Cristóbal, o seu pai levou-os aos treinos do eterno rival do Real, o Atlético Madrid. De imediato os “colchoneros” perceberam o talento do espanhol e Raúl ingressou nas suas camadas jovens. Na primeira época, aponta 65 (!!) golos e o Atlético vence o campeonato da respectiva categoria, registo que se repetiu na temporada seguinte.

Porém, o clube atravessava graves problemas económicos, e o então presidente Gil y Gil não foi de meias medidas, dissolvendo as camadas jovens. Subitamente sem equipa para representar, e face ao enorme talento que apresentava, Raúl rumou então ao Real Madrid e o resto… é história.

Estreia-se pela equipa principal em 1994, com apenas 17 anos, pelas mãos de Jorge Valdano, e não mais pára de evoluir e de saltar etapas. Na partida seguinte estreia-se a marcar, precisamente frente ao Atlético, levando o Real a uma vitória por 4-2. Umas semanas mais tarde larga definitivamente as equipas secundárias dos “blancos” (pelas quais coleccionava mais golos do que jogos), assumindo cada vez maior importância no seio do plantel.

A temporada 1995/96 é a explosão absoluta de Raúl enquanto talento de nível mundial. Estreia-se na Liga dos Campeões, agarra a titularidade no 11 inicial e rapidamente atrai para si todos os holofotes, partindo para uma época estatisticamente monstruosa, com 26 golos e 24 assistências em 52 jogos, incluindo um “hattrick” na prova milionária ao Ferencváros, que ainda hoje se mantém como o “hattrick” de um jogador mais jovem na história da competição, apontado pelo espanhol com apenas 18 anos e 114 dias.

(Foto: maisfutebol.iol.pt)

Este foi o glorioso início de uma caminhada que durou 15 anos e na qual raramente se identificam pontos baixos. Consistentemente genial, Raúl transformou-se no ídolo das bancadas e marcou golos atrás de golos, garantindo vitórias atrás de vitórias e criando progressivamente uma aura icónica em seu redor.

3 Ligas dos Campeões, 6 títulos espanhóis, um pódio na Bola de Ouro (em 2001), 71 golos na máxima competição europeia (registo que ainda hoje é apenas superado por Cristiano Ronaldo, Lionel Messi, Robert Lewandowski e o seu sucessor na frente de ataque madridista, o francês Karim Benzema, com quem ainda chegou a partilhar balneário em 2009)… uma imensidão de conquistas individuais e colectivas que conferem uma dimensão assoberbante ao seu palmarés.

Ainda hoje, Raúl González é um nome universalmente reconhecido no mundo futebolístico.

 

Como jogava… Raúl

Dotado de um pé esquerdo maravilhoso, o avançado era, porém, muito mais do que apenas um finalizador com uma extraordinária apetência para o golo. A sua excelência técnica permitia-lhe igualmente marcar a diferença no espaço entre linhas, baixando para fazer a ligação com o resto da equipa e surgindo nos espaços deixados livres nas costas do meio-campo adversário. Aliada à qualidade técnica encontrava-se uma leitura sublime do jogo, estando sempre um passo à frente dos demais na forma como se posicionava e jogava com o posicionamento dos oponentes. Um autêntico pesadelo para os defesas que o defrontavam, constantemente obrigados a sair do seu raio de acção para tentar importunar o seu futebol.

Carismático, nunca se escondia da responsabilidade que cedo chamou para si mesmo, e isso era perceptível nas grandes partidas, onde brilhava de especial forma e assumia uma preponderância ainda maior. Com uma ética de trabalho acima de quaisquer dúvidas, Raúl era simultaneamente o elemento diferenciador e o primeiro defesa da sua equipa, contagiando os colegas com a sua mentalidade competitiva e vencedora.

Amplamente considerado como um dos melhores jogadores espanhóis de sempre, é talvez pela selecção espanhola que surge a maior desilusão da sua carreira. Apesar de muito pressionado pela opinião pública, em 2008, o técnico Luis Aragonés deixa o avançado de fora da convocatória para o Euro 2008. Um risco que acabou por compensar, pois os espanhóis vencem a competição e iniciam aí o seu domínio no panorama mundial, com a consequente conquista do Mundial 2010 e do Euro 2012. Apesar dos 44 golos em 102 partidas pela “La Roja“, Raúl falhava assim a página mais gloriosa do futebol espanhol.

Os últimos anos em Madrid são já de transição e apoio a uma nova geração de avançados que começa a chegar ao clube. Mas na memória dos adeptos “merengues” ficará para sempre aquele jovem sagaz e que encontrava inevitavelmente forma de ameaçar a baliza adversária e empurrar a equipa para a vitória. Foram 741 jogos (ainda hoje recorde do clube madrilenho), 323 golos e incontáveis momentos de felicidade proporcionados a todos aqueles que o viram jogar.

Um fenómeno com a camisola “blanca” vestida, que nunca deixou de brilhar mesmo entre os melhores dos melhores. Raúl marcou uma era na “La Liga” e no futebol espanhol, e ainda hoje falar dele é falar, inevitavelmente, de uma lenda que encantou uma geração e espalhou classe em todos os recantos dos relvados do Santiago Bernabéu.


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