O Derby foi como um algodão: não enganou!

José DuarteJaneiro 20, 20205min0

O Derby foi como um algodão: não enganou!

José DuarteJaneiro 20, 20205min0
Silas bem tentou mascarar as falhas, mas o "algodão" de Bruno Lage limpou quaisquer dúvidas que existissem... o Sporting CP foi inferior e a análise ao que se passou no Derby segue no Fair Play

Se dúvidas houvesse quanto aos inúmeros desequilíbrios que se registam no actual plantel do Sporting  e sobre as razões da fossa abissal que se abre entre nós e os dois primeiros classificados, elas ficaram dissipadas nos recentes jogos com o FCP e SLB. De uma forma muito similar em ambos as partidas, sempre que foi necessário efectuar mudanças e decidir o jogo, os treinadores adversários tinham à sua mão opções que do nosso lado eram inexistentes. Isto sem esquecer as diferenças de qualidade dos onze iniciais.Nesse sentido, o derby foi como o algodão, ninguém saiu enganado. O actual plantel do Sporting e toda preparação da época estão a ser um argumento para um filme tragicômico.

Não obstante o que é dito no parágrafo acima não posso deixar de comparar estas duas prestações recentes com as que tivemos no campeonato passado com estes mesmos adversários e até mesmo com o SLB na Supertaça no inicio da época. Mesmo sem lograr obter melhores resultados (no clássico foi até pior…) quer a réplica dada quer mesmo a ideia de jogo que a sustentou são claramente melhores que as então observadas.

Consegui-lo abona em favor do trabalho do treinador, mais ainda se atendermos às diferenças de argumentos à disposição. O que poderia ele conseguir com outra matéria prima é a pergunta que fica. Repito o que disse relativamente ao clássico: há muito mais caminho assim do que o que víamos fazer na época passada. Num momento em que o trabalho efectuado na preparação da época é justamente colocado em causa, parece-me de inteira justiça dizer isto do trabalho efectuado pelo treinador na recuperação da equipa, sendo o jogo da Supertaça e o derby de ontem bons objectos de comparação.

Contudo faltam actores em qualidade e quantidade suficientes para a sustentar as ideias que Silas quer para a equipa. Ambos os resultados se explicam por aí. Repare-se nas substituições efectuadas. Enquanto Silas chama Plata, Borja e Pedro Mendes para o jogo, Bruno Lage vai buscar ao banco Rafa, Seferovic e Taarabt. Não foi por Silas que o Sporting perdeu o jogo. Imaginando que a Liga é um concurso de culinária do tipo MasterChef, Silas ainda conseguiu fazer um bolo, apesar da escassez dos ovos e de exígua qualidade da farinha. Mas quando chegou a hora de finalizar, apenas Bruno Lage possuía cacau e natas para fazer a cobertura.

Tendo começado mal, com os médios completamente abafados por Weigel e Gabriel –  sobretudo Wendell e Doumbia – e com Cervi a condicionar logo saída de bola, a equipa foi equilibrando o jogo, tendo sido suas as principais oportunidades, por Camacho. Na segunda parte o Sporting alarga o campo, encosta mais o adversário, mas não consegue ter oportunidades claras, apesar das dificuldades criadas.

Cada jogo que passa é uma auto-explicação de tudo quanto foi mal pensado e pior executado na construção do actual plantel. Começando de baixo para cima:

– A rábula do ponta-de-lança não terminou ainda e as exibições de L. Phellype ajudam a perceber as suas limitações e uma das razões porque não marcamos golos a nenhum dos nossos rivais. O nosso único “9” não oferece soluções – não se oferece no apoio, não ajuda a criar desequilíbrios ou a baralhar as marcações, é lento a pensar e agir e pouco esclarecido a decidir – acentua os nossos problemas. A forma como consegue anular o golo a Acuña é confrangedora, dramática até.

– Não meto Pedro Mendes nestas guerras porque não se mandam inocentes para o campo de batalha.

– Sem Vietto e com Bruno Fernandes pouco inspirado – ou com a cabeça noutra Liga – foi Camacho a chamar a si as despesas na criação de perigo. Mas o miúdo, pese a boa prestação, não tem a eficácia de Rafa e muito do resultado final se explicam por aí. Mas tem aparecido sempre em crescendo, em sintonia com as oportunidades que lhe são concedidas.

Bolasie é esforçado e nada mais. É ineficaz a finalizar, remata em aflição, sem classe e, quando não, finta-se a ele, ao adversário e aos colegas. A defender é um desastre, não sabe quando ficar em contenção, ou o momento ideal para fechar ou atacar o portador da bola. A dúvida que fica é se o Matheus Pereira se ri ou se chora quando o vê jogar.

– Muitas das nossas fragilidades começam logo na titularidade de Doumbia – uma nulidade e só é explicável por não haver mais ninguém – e Wendell. O brasileiro é geralmente inconsequente a construir e usa pouco mais que os olhos para defender. Doumbia anulou todos os progressos que se lhe notaram no clássico. O comportamento no lance do golo atesta que não é o “6” que precisamos.

– O regresso de Ilori foi um acto falhado, a cada oportunidade concedida o jogador torna-se protagonista pelas piores razões.

– Apesar da prestação apagada, é penoso imaginar o que seja esta equipa sem Bruno Fernandes e com metade do campeonato ainda por jogar.

Quem esteve permanentemente fora-de-jogo foram as claques. Não vale a pena chover no molhado, torna-se cada vez mais evidente que é muito maior o amor por si próprios do que a sua utilidade para o clube.

Wendell… desenquadrado no jogo (Foto: Isabel Silva Fotografia)

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