Relembre as arbitragens mais polêmicas da história do futebol brasileiro

João Pedro SundfeldSetembro 20, 20207min0

Relembre as arbitragens mais polêmicas da história do futebol brasileiro

João Pedro SundfeldSetembro 20, 20207min0
Ao longo das décadas, o futebol brasileiro encantou o mundo devido a qualidade de suas equipas, da grande vontade dos jogadores, entre outros. A arbitragem no país, porém, coleciona erros e polêmicas.

O futebol brasileiro é um dos mais interessantes do mundo por diversos motivos: bons jovens jogadores, algumas equipas de qualidade, grandes rivalidades, adeptos apaixonados, etc. A arbitragem no país, por outro lado, torna o esporte menos atrativo devido aos seus inúmeros problemas e polêmicas. O Fair Play, por isso, selecionou alguns dos mais controversos jogos da história do futebol brasileiro para exemplificar esta grande debilidade do esporte no país.

Santos x Portuguesa – 1973

Na final do Campeonato Paulista de 1973, o poderoso Santos – que contava com Clodoaldo, Pelé e Carlos Alberto Torres, três campeões mundiais com o Brasil, em seu plantel – enfrentou a Portuguesa – que tinha em seu time titular o volante Badeco, um dos grandes ídolos da história do clube, e Enéas, o segundo maior artilheiro da história da Lusa. A partida, mesmo com grandes jogadores em campo, terminou empatada em zero a zero. A grande polêmica, portanto, viria a seguir.

Nas penalidades, o time da Portuguesa errou as três primeiras cobranças, enquanto o Santos marcou duas vezes. Sendo assim, a Lusa ainda poderia empatar, caso o Santos perdesse as cobranças seguintes e a equipa lusitana as convertesse. O árbitro Armando Marques, porém, havia contabilizado quatro cobranças e encerrou a partida, confirmando o título do Peixe.

Após a Partida, os jogadores da Portuguesa foram embora do estádio e, com isso, as cobranças restantes não puderam ser feitas. Deste modo, a Federação Paulista de Futebol dividiu o título entre os dois clubes.

“Além de excelente marcador, Badeco tinha um toque de bola refinado e iniciava as jogadas no meio campo da Portuguesa” – Excerto presente neste cartão comemorativo feito pelo Museu Histórico da Portuguesa

Atlético-MG x Flamengo – 1981

Esta partida ocorreu pela Copa Libertadores da América, que foi conquistada pelo Flamengo de Zico & cia. O jogo em questão foi o embate de desempate entre os times na primeira fase da competição, culminando na eliminação do Galo. Este jogo, porém, nunca foi devidamente finalizado. O árbitro da partida, José Roberto Wright, foi o grande protagonista do jogo, pois ele expulsou cinco atletas atleticanos e, com isso, acabou com o jogo de maneira precoce.

O jogo era tenso. Os vinte e dois jogadores reclamavam muito, e batiam ainda mais. Faltas duras e advertências. Foram muitas as paralisações e os cartões amarelos até que, aos 32’ da primeira etapa, o primeiro vermelho fosse dado. Reinaldo foi expulso após uma falta dura em Zico. O jogo, porém, acabou poucos minutos depois, quando Éder também foi expulso, após se chocar, acidentalmente, com o árbitro.

Uma confusão sem fim começou e mais dois jogadores atleticanos receberam o cartão vermelho. Depois disso, atletas do Galo saíram do gramado e, quando voltaram, fizeram tudo o que podiam para evitar que a partida continuasse, ou seja, eles simularam diversas lesões para a partida ser paralisada. Numa dessas simulações, o guarda-redes João Leite foi ao chão. Wright, depois de pedir, sem sucesso, para o jogador se levantar, tirou o vermelho do bolso e, com isso, garantiu a classificação da equipa carioca.

Corinthians x Portuguesa – 1998

Pela semifinal do Campeonato Paulista, o Corinthians enfrentou a Portuguesa e precisava de, apenas, dois empates para ir à final, dado que o Timão havia sido o líder do Grupo 1 na segunda fase da competição. Na partida, contra uma boa Lusa, o Alvinegro, mesmo contando com jogadores como Marcelinho Carioca e Rincón em seu plantel, precisou da ajuda do árbitro argentino Javier Castrilli para passar de fase.

No jogo, a Portuguesa saiu na frente, mas tomou um empate após a marcação de um pênalti questionável, que, por ser um lance interpretativo, não pode ser considerado um erro claro do árbitro. A equipa lusitana, mesmo assim, manteve a calma e conseguiu marcar mais um golo, que seria o da classificação. Aos 44’, porém, o árbitro apareceu com uma marcação polêmica. Após o cruzamento de Fernando Diniz, o defesa César fez o que pôde para dominar a bola e evitar um possível toque em seu braço – ação executada com sucesso. O árbitro, porém, não entendeu assim, assinalando mais um tiro penal e eliminando a equipa rubro verde.

Castrilli foi contratado pela Federação Paulista de Futebol para apitar a segunda partida entre os times na semifinal. Esta ação da FPF gerou críticas e levanta dúvidas de adeptos, que acreditam que a federação contratou o argentino para prejudicar a Portuguesa e garantir uma final entre Corinthians e São Paulo, que, por contar com duas grandes equipas, daria mais audiência.

Corinthians x Internacional – Brasileiro 2005

O Brasileirão de 2005 foi marcado pelo maior escândalo da história da arbitragem brasileira, que ficou conhecido como “Máfia do Apito”. Neste campeonato, diversos árbitros foram presos por estarem manipulando resultados e, com isso, 11 jogos foram anulados. Destas partidas, duas eram derrotas do Corinthians, time campeão da competição.

Na reta final do campeonato, Corinthians e Internacional brigavam ponto a ponto pela liderança. O confronto entre os dois, então, foi considerado como uma final antecipada, ou seja, o vencedor seria o campeão. A partida, mesmo contando com dois grandes times, ficou marcada por um erro do árbitro Márcio Rezende de Freitas, que pode ser considerado como o maior da história do Campeonato Brasileiro.

O Corinthians saiu na frente, no fim do primeiro tempo, e passou a dominar o jogo, mas, logo no início da etapa complementar, o Inter empatou a partida com Rafael Sóbis. Na sequência da partida, o árbitro cometeu o erro que, praticamente, acabou com as chances do Inter sagrar-se campeão.

Tinga, que já tinha sido advertido com um cartão amarelo, recebeu um grande passe de Rafael Sóbis e driblou o guarda redes Fábio Costa, mas foi interrompido pela sola da chuteira do jogador corinthiano. O juiz, porém, viu o lance como uma simulação clara do médio colorado e, além de não marcar a penalidade, expulsou o jogador do Internacional.

Palmeiras x Corinthians – Paulista 2018

A partida mais recente da lista é mais uma que ocorreu no Campeonato Paulista. O Palmeiras recebeu o Corinthians no Allianz Parque precisando do empate, pois havia vencido o jogo de ida, na atual Neo Química Arena, por um a zero. O resultado, porém, não foi o esperado pelos adeptos palestrinos.

O Corinthians, que na época era o campeão brasileiro, saiu na frente logo aos 2’, com Rodriguinho. O restante da partida foi do Palmeiras, que dominou a posse de bola e as finalizações, mas criou pouco e não conseguiu marcar. Aos 26’, porém, a polêmica que cerca o jogo até hoje foi iniciada.

Dudu recebeu a bola e buscou a linha de fundo. Ralf, dentro da área, derrubou o extremo palmeirense e o árbitro Marcelo Ribeiro de Souza assinalou o pênalti extremamente convicto. Após sete minutos de paralisação, o quarto árbitro, que não tinha uma visão clara do lance, chamou o árbitro e disse que não havia sido pênalti. Marcelo, então, voltou atrás e, no fim, o Corinthians foi campeão.

O Palmeiras, indignado com a situação, entendeu que não tinha como o quarto árbitro ver o lance com clareza. Por isso, Maurício Galiotte, presidente palestrino, contratou uma multinacional para investigar, e tentar provar, que houve interferência externa na partida, erro que causaria a anulação da partida. O Verdão conseguiu vídeos que mostravam o delegado da partida utilizando um telemóvel – algo proibido – e falando com o quarto árbitro. Essa evidência, porém, não foi o suficiente para impugnar o jogo.


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