Há uma polarização entre Palmeiras e Flamengo no futebol brasileiro?

Rafael RibeiroJaneiro 27, 20195min0

Há uma polarização entre Palmeiras e Flamengo no futebol brasileiro?

Rafael RibeiroJaneiro 27, 20195min0
Palmeiras e Flamengo disputam nos últimos anos o protagonismo dentro e fora dos relvados. Mas como as duas equipas conseguiram se estruturar administrativamente para potencializar seus plantéis?

Nos últimos anos, os adeptos brasileiros conviveram com uma mudança de ambiente fora dos relvados. A preocupação administrativa, financeira e política das equipas também aparecem nas rodas de conversas, já que duas delas merecem destaque no atual cenário: Palmeiras e Flamengo, protagonistas em janelas de transferências, seja contratando jogadores de renome ou segurando jogadores assediados por outras ligas.

 

Mas o que fizeram estas duas equipas para chegar a este nível? Como se estruturam fora das quatro linhas para serem protagonistas nas principais competições que disputam? O Fair Play enumera alguns itens que podem ter sido chave no início desta fase alvi-verde e rubro-negra.

 

O início do equilíbrio

 

No Palmeiras, os primeiros passos para a casa ser arrumada se deram pelo então presidente Paulo Nobre. O presidente não só conduziu a equipa a ter um plantel forte, como também reduzir a dívida financeira. Um empréstimo feito por ele mesmo ao Palmeiras ajudou a equilibrar as contas e, junto com outros dois pilares, a rentabilidade do novo estádio e um patrocinador forte, deram base para o crescimento.

O então presidente do Palmeiras, Paulo Nobre (Foto: Cesar Greco/ Fotoarena)

 

Já no Flamengo, outros pontos levaram a equipa a ser uma potência financeira e administrativa. Na gestão Bandeira de Mello, a prioridade foi cortar os gastos, mesmo que isso significasse uma queda no investimento da equipa, para poder diminuir também uma das maiores dívidas entre as equipas brasileiras. Sem contar necessariamente com a rentabilidade de um estádio (como no caso do Palmeiras), o aproveitamento das cotas de TV e de uso da marca em geral, em uma gestão que priorizou pagar as contas, resultou nessa credibilidade atual.

O então presidente Bandeira de Mello (Foto: Gilvan de Souza/CR Flamengo)

 

As formas de se manterem no topo

 

Com a situação financeira encaminhada, o Palmeiras se mostrou uma equipa com credibilidade para investimentos. Foi aí que o aporte de um novo patrocinador elevou o patamar palmeirense. A chegada da Crefisa (empresa de crédito pessoal) fez com que este dinheiro fosse convertido diretamente para o uso no futebol, sem a necessidade de quitar dívidas. A estrutura palmeirense, nos centros de treinamento, recuperação de atletas e até mesmo o estádio como já citamos, fazem parte de uma liderança neste quesito, sendo uma das estruturas mais modernas atualmente.

Leila Pereira, da Crefisa, e Galiotte, presidente do Palmeiras, anunciam renovação até 2021 (Foto: Gazeta Press)

 

Neste ponto, o Flamengo também não reclama. Se não possui um patrocinador tão forte, a renda de patrocínios pontuais menores também fortaleceram a equipa. Caixa (banco), Carabao (bebidas), MRV (construção) e TIM (telefonia) somaram uma fatia importante do valor arrecadado. E com as contas em dia, o direcionamento dos lucros é direcionado a melhora de estrutura, e na contratação de jogadores para tentar enfim ganhar títulos, já que anteriormente a direção havia deixado claro a ideia de balancear as contas da equipa, mesmo que isso significasse abrir mão de certas disputas.

 

Resultados desportivos

 

Diferentemente do que podem achar, os resultados dentro de campo foram adversos. Neste período de “austeridade fiscal”, iniciado no Palmeiras em 2013, e continuado pelo sucessor de Paulo Nobre, Maurício Galiotte, os paulistas conquistaram uma Copa do Brasil em 2015, e dois Campeonatos Brasileiros (em 2016 e 2018). As chegadas de Dudu, Felipe Melo, Gustavo Scarpa, Zé Rafael, além de Felipão, são exemplos de jogadores valiosos que compõem o plantel palmeirense.

 

Já o Flamengo, mesmo com a boa situação administrativa, não conseguiu transformar este êxito em campanhas de maior destaque até o momento. Também iniciado em 2013, com Bandeira de Mello, essa gestão (sucedida por Rodolfo Landim) conseguiu conquistar uma Copa do Brasil em 2013 e dois Campeonatos Cariocas (em 2014 e 2017). Nomes como Guerrero, Diego, Éverton Ribeiro, Diego Alves e, para este ano, Gabigol, Arrascaeta e Bruno Henrique são os nomes que também formam um plantel badalado. Mesmo que as contratações deste ano possam ter vindo a um custo maior do que valem, o Flamengo pôde se dar a este luxo para tentar conquistar títulos maiores.

Arrascaeta e Gabigol são os nomes de peso para 2019 (Foto: Gávea News)

 

Por fim, atendendo ao questionamento do artigo, a polarização ainda se reflete muito na parte administrativa e no poder que estas equipas obtém no mercado, tendo influência tanto nos valores em que as equipas brasileiras se dispõem a gastar para melhorar seus plantéis, quanto em como as demais se portam ao tentar no os patrocinadores, novos contratos de TV, e assim tentarem se equiparar ao que estas duas equipas fizeram até agora. De certo modo, isto muda positivamente a forma em que outras equipas administram sua vida fora do relvado. Porém, o que vemos nos jogos ainda não é uma grande disparidade de Palmeiras e Flamengo para as demais. Grêmio, Inter, Cruzeiro, São Paulo e Atlético Mineiro caminham para uma disputa sempre aberta das principais competições, e o equilíbrio desportivo ai da mantém o Brasileirão e demais competições sulamericanas como muito disputadas, sem uma polarização iminente.


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