O eterno debate sobre a “vantagem” de jogar a segunda mão em casa

Marcial CortezAgosto 23, 20215min0

O eterno debate sobre a “vantagem” de jogar a segunda mão em casa

Marcial CortezAgosto 23, 20215min0
Nos sorteios de jogos decisivos, muito se fala sobre a vantagem de decidir a segunda mão em casa. Mas até que ponto isso realmente existe? O Fair Play foi a fundo nessa questão e analisou resultados, antes e depois da pandemia, para pontuar percentualmente o aproveitamento daqueles que decidiram os confrontos em casa.

Nos sorteios de jogos decisivos, é muito comum os adeptos de uma equipa saírem a comemorar a grande vantagem de poder decidir a segunda mão em casa. Mas até que ponto isso é verdade? Decidir o segundo jogo em seu próprio território é uma bênção ou uma maldição? O Fair Play foi a fundo na questão e analisou o histórico de confrontos pra tentar dar um ponto final a esta discussão.

A pesquisa examinou os resultados de todos os jogos decisivos a partir de 2015, incluindo as duas principais competições, a saber: Copa do Brasil e Libertadores. Ao todo, foram 196 jogos (98 confrontos) da Copa do Brasil e 192 partidas (96 disputas) válidas pela competição continental.

Copa do Brasil

A Copa do Brasil é um torneio de caráter eliminatório desde a primeira fase. Sendo assim, o critério foi considerar apenas os confrontos de quartos de final em diante. Isso porque na fase de oitavos de final são comuns as decisões entre equipas da Série A e equipas das séries C e D, e isso poderia gerar um viés no resultado, devido à diferença técnica entre os times. Assim, vamos mostrar os resultados com e sem os oitavos de final.

Aproveitamento dos mandantes da segunda mão na CB. Arte: Adalberto Antunes

Como vemos no quadro, na Copa do Brasil é vantagem jogar a segunda partida em casa. Ao contarmos os confrontos dos oitavos de final, a porcentagem da vantagem cai pelos efeitos explicados anteriormente. Quando consideramos apenas os jogos a partir dos quartos de final, num total de 42 confrontos, classificou-se para a fase seguinte 71% de quem mandou a segunda mão em casa.

Podemos pensar então que decidir o segundo jogo em casa é uma vantagem por conta de ser uma partida definitiva e que ter a torcida a seu favor no momento crucial do confronto pode ajudar nesse processo? A resposta pode não ser tão simples.

Estádios vazios, equipas mais fortes

Estádios vazios aumentam aproveitamento dos mandantes. Foto: Rodrigo Coca / Ag Corinthians

Por mais paradoxal que possa parecer, os números surpreendem exatamente neste ponto. Se considerarmos os confrontos do ano de 2020 (quando não tivemos público nos estádios), a porcentagem de aproveitamento dos mandantes da segunda mão é ainda maior. Na Copa do Brasil da época passada, 100% dos confrontos a partir dos quartos de final tiveram como vencedor o mandante da segunda partida. Cem-por-cento!

Libertadores da América

Na Copa Libertadores, há uma fase de grupos classificatória para os confrontos decisivos. E quem fica em primeiro lugar na classificação geral tem a vantagem de decidir a segunda partida em casa nos jogos definitivos.

Dessa forma, na Libertadores a fase de oitavos de final fez parte da pesquisa e os números mostram um equilíbrio maior da competição quando comparada à Copa do Brasil:

Aproveitamento dos mandantes da segunda mão na Libertadores. Arte: Adalberto Antunes

Como podemos ver, na Libertadores a porcentagem de aproveitamento dos visitantes é maior quando comparada à Copa do Brasil, mas ainda assim é menor que a dos mandantes, o que prova mais uma vez a teoria de que jogar a segunda em casa é uma vantagem considerável.

No entanto, alguns números chamam a atenção. As equipas do Cruzeiro, Flamengo e Palmeiras são as que mais aproveitam a vantagem de jogar a segunda em casa, com valores acima da média da competição. Por outro lado, equipas como o Corinthians e o Santos não costumam se dar bem como mandantes do segundo jogo.

Uma equipa chama a atenção nesse cenário: o Barcelona de Guaiaquil já acumula duas vitórias como visitante contra times brasileiros: eliminou o Palmeiras e o Santos em suas casas no ano de 2017. O Barcelona de Guaiaquil é um dos semifinalistas da época atual. Será o adversário do Flamengo no mês que vem.

Sem torcida, a vantagem aumenta

O melancólico Maracanã vazio e o paradoxo do aproveitamento. Foto: André Durão

E por incrível que pareça, na Libertadores observou-se o mesmo fenômeno que ocorre na Copa do Brasil. Jogar a segunda em casa sem torcida aumenta o aproveitamento: ao considerarmos apenas os confrontos do biênio 20-21, quando a pandemia de Covid 19 afastou definitivamente o público dos estádios, a porcentagem de aproveitamento cresce consideravelmente.

Em 26 confrontos, tivemos 21 vitórias dos mandantes da segunda mão, contra 5 vitórias do visitante. Em termos percentuais, temos 81% a 19% a favor dos mandantes da segunda mão.

Sem dúvida, um mistério a ser desvendado. Por que o aproveitamento das equipas em casa aumenta com a ausência dos adeptos? Muitos comentam que com os estádios vazios, tanto faz jogar em casa ou fora de casa. Mas os números provam exatamente o contrário.

Eu tenho minhas teorias. Que não podem ser provadas. Acredito que a comunicação entre técnico, jogadores e arbitragem fique mais clara sem o barulho dos adeptos, e isso aumenta a concentração e o foco na partida. Tudo isso somado à mística de decidir em casa pode favorecer as equipas mandantes da segunda mão.

E você, o que pensa a respeito disso?


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