Em Augsburgo, mora um trio atacante mortífero para as defesas

Pedro CouñagoFevereiro 11, 20188min0

Em Augsburgo, mora um trio atacante mortífero para as defesas

Pedro CouñagoFevereiro 11, 20188min0
Artigo do Fair Play que destaca um trio de jogadores de diferentes nacionalidades que tem permitido a este clube alemão de dimensão média ter desempenhos sólidos no seu campeonato.

Nesta temporada, o campeonato alemão tem sido marcado por um tremendo equilíbrio e competitividade naquilo que toca ao grosso das equipas, com distâncias curtas entre as equipas e apenas a “luta” pelo título a estar já praticamente resolvida, em favor do Bayern de Munique. Neste equilíbrio e bem por dentro desta luta titânica pelos lugares europeus mas, principalmente, pela manutenção na metade superior da tabela, surge o Augsburgo, uma equipa que, não sendo das mais fortes, tem conseguido fazer o seu percurso na Bundesliga de forma sólida, já há sete temporadas consecutivas na liga e já com uma participação na Liga Europa, com um quinto lugar.

Por agora, o clube está na metade superior da tabela, no sétimo lugar da tabela, e veja-se que as distâncias da equipa tanto para lugares mais altos (sete pontos de distância em relação ao segundo colocado) como para lugares mais baixos (apenas um ponto de vantagem em relação ao décimo primeiro colocado) são bastante curtas. Veja-se, em suma, que entre o segundo classificado e o décimo primeiro existem apenas oito pontos de diferença, algo quase impensável.

O clube parece estar bastante consistente, e para que tal aconteça, muito tem contribuído o trio atacante que mora em Augsburgo e que tem permitido à equipa ter resultados condizentes e até superiores àquilo que seria o esperado.

A equipa tem trinta e dois marcados, e, incrivelmente, vinte e cinco deles foram marcados por apenas três jogadores, três jogadores de cariz atacante e que representam três dos quatro jogadores a terem mais do que um golo marcado na Bundesliga pela equipa (Koo Ja-Cheol é o outro, com dois golos). São eles o islandês Alfred Finnbogason, o austríaco Michael Gregoritsch e ainda o brasileiro Caiuby.

Alfred Finnbogason

O jogador com mais destaque dos três, com mais créditos firmados, é Finnbogason, sendo ele o número nove da equipa. É já um jogador com bastante experiência, com bastante rodagem a nível internacional, mas que está agora a ter a sua época com maior sucesso nas principais ligas europeias, contando as Top-5, com onze golos marcados em dezoito jogos. Este é um jogador que já foi também melhor marcador da Eredivisie, em 2014, com 29 golos marcados, pelo que se percebe que, quando em forma, o ponta de lança pode ser bastante perigoso para as defensivas adversárias.

Alfred é um jogador robusto, habituado a futebol tipicamente físico, como bem sabemos que os jogadores islandeses prezam. Ainda assim, o avançado consegue complementar essa capacidade com uma finalização bastante acima da média em frente às redes. Seja golos com ambos os pés, de cabeça, da marca de penalti, sem oposição ou com a pressão dos defesas, Finnbogason consegue ser versátil em diversos aspetos do jogo.

Finnbogason é denominado como Iceman, e com total razão, tal é o perigo que consegue ter perto da baliza (Foto: Bundesliga)

Não só Finnbogason consegue marcar golos como consegue segurar a “redonda” para os seus colegas que, vindos de trás, aproveitam para se desmarcar e ter ocasiões com boas possibilidades de sucesso em frente à baliza. Principalmente, Finnbogason rende de forma positiva num jogo focado no contra-ataque, algo que, no caso do Augsburgo, acontece diversas vezes devido ao maior poderio de alguns adversários que jogam contra a equipa.

Por enquanto, o islandês permanece lesionado, com previsões deste estado permanecer até março, pelo que a equipa tem aguentado e tem de aguentar os próximos jogos sem o seu esteio atacante. A verdade é que uma lesão tão importante numa equipa deste calibre pode ser complicada para as aspirações nas competições, mas o Augsburgo permanece sólido e consistente nos seus desempenhos.

Michael Gregoritsch

Como segundo melhor marcador da equipa, aparece o austríaco Gregoritsch, um jogador que não funciona como um ponta de lança mas sim um segundo avançado, um apoio ao elemento mais avançado da equipa. No entanto, nos últimos jogos, o jogador tem mesmo desempenhado as funções de elemento mais avançado, devido à lesão do seu parceiro Finnbogason.

A verdade é que esta época tem servido como uma de afirmação para Gregoritsch, que já tem nove golos e quatro assistências, registos, mais uma vez, bastante assinaláveis. Michael é um jogador que faz agora a primeira época pelo clube, vindo do Hamburgo, onde fez as suas primeiras duas épocas na principal liga alemã. Com 23 anos e ainda com grande margem de progressão, podemos esperar excelentes coisas para o futuro do possante avançado de 1,93m.

A verdade é que, em vinte e um jogos, o avançado já marcou quase tantos golos como nos outros cinquenta e oito feitos nas passadas duas épocas, e tal mostra o crescimento que o avançado tem vindo a ter esta temporada, uma em que beneficia de um coletivo bem oleado. As suas principais características passam, como não poderia deixar de ser, pelo seu exímio jogo de cabeça e também pelo seu bom uso do pé esquerdo, principalmente para fortes remates, quase à semelhança de Óscar Cardozo (com as devidas diferenças). Tal tem-se vindo a refletir como importante para a equipa do sul da Alemanha.

Alto e franzino, Gregoritsch tem características pouco comuns. Os adeptos bem podem bater palmas à sua forma nesta época (Foto: fcaugsburg.de)

Gregoritsch promete ser um nome que vai dar que falar e promete ser uma referência ofensiva para uma seleção austríaca que bem precisa de sangue novo. O avançado já tem cinco internacionalizações e, a curto prazo, passará a ser uma opção bastante regular. A Áustria precisa de jogadores que lhe confiram possibilidades de qualificação para grandes competições, e é isso mesmo que este jogador pode oferecer.

Caiuby

Do trio destacado, Caiuby é o jogador mais consagrado a nível interno, visto que faz agora a sua quarta temporada no clube. Esta época está a ser uma bastante positiva para o brasileiro, ao nível do que o mesmo fez na época em que o Augsburgo chegou às competições europeias, o que pode ser um bom prenúncio para a restante temporada.

Não sendo um jogador de fino recorte técnico, o jogador nascido em São Paulo vale muito pela sua capacidade explosiva, com uma visão de jogo bastante vertical e por uma capacidade de fazer golos absolutamente incríveis, como é o caso daquele que aparece no vídeo abaixo, uma prova de que o paulista complementa o seu bom pé esquerdo com um pé direito que pode ser perigoso.

A partir dos 1:45m, aquilo que verificamos é pura magia, veja e reveja o golo!

Caiuby tem uma história bastante particular, na medida em que já joga em território alemão há uma década, acabando por fazer um percurso distinto daquele que o típico jogador brasileiro faz. Já passou por clubes como o Ingolstadt, Duisburgo e Wolfsburgo, pelo que já tem uma experiência bastante enriquecedora e que ajuda uma equipa que não é propriamente das mais recheadas de talento no campeonato alemão.

Veremos se Caiuby conseguirá continuar a guiar os seus colegas para um bom final de época. O Augsburgo continua a fazer o seu percurso na Bundesliga e Caiuby continua a fazer parte dele, tal como tem acontecido nas últimas épocas, e na sua maioria de forma positiva. Sendo o terceiro melhor marcador da equipa, não é um grande marcador de golos, mas marca alguns espetaculares.

Phillip Max

Como menção honrosa, mas muito merecida, temos de destacar o lateral esquerdo da equipa: Phillip Max. O jogador de 24 anos tem sido uma das grandes razões pelas quais os três jogadores acima destacados têm conseguido fazer tantos golos. O lateral tem influência em cerca de um terço dos tentos da equipa, com onze (!) assistências. Tal acontece, principalmente, devido à sua extraordinária capacidade de bater bolas paradas e de meter a bola na área de forma perfeita com cruzamentos tensos. Pelo comportamento que tem registado, parece claro ao Fair Play que o lateral tem grandes hipóteses de, no verão, dar um significativo salto na sua carreira, pois não é fácil encontrar laterais de qualidade e com tanta eficácia nas suas funções.

Conclusões

Com estes nomes, o Augsburgo tem conseguido fazer uma campanha bastante sólida num campeonato recheado de equipas mais poderosas que a sua. É mais uma época em que o clube está a conseguir corresponder às expectativas dos seus adeptos e até a ultrapassá-las. O caminho é feito caminhando e o trio atacante do Augsburgo tem levado a equipa a caminhar para muitas vitórias, causado muitos calafrios nas defesas contrárias e a tornando o caminho do clube mais estável. Veremos como tal se traduz em maio.


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