26 Mai, 2018

O Treinador – A Peça que muda o jogo?

Rodrigo FigueiredoAgosto 31, 20176min0

O Treinador – A Peça que muda o jogo?

Rodrigo FigueiredoAgosto 31, 20176min0
Qual é a importância do treinador para uma equipa, liga ou mesmo modalidade? Desde Mourinho a Guardiola, passando por Popovich ou Sir Ian McGeechan, a importância da imagem, discurso e ideologia reflecte-se no desporto? Um artigo que abre a discussão sobre "O Treinador"

O Treinador… a peça fulcral para a mudança dos padrões não só tácticos e técnicos do jogo, mas também para os restantes campos que compõe uma modalidade. Seja no futebol, rugby, andebol, ou outro qualquer, o o treinador deve procurar fazer evoluir o jogo, adaptar-se, questionar-se constantemente e estar um passo à frente naquilo que é a interpretação do jogo e condução dos seus intervenientes.

Neste artigo abrimos espaço para uma discussão sob a sua importância, o seu papel e de que forma o treinador pode ou não afectar a evolução de uma equipa, de uma liga ou de uma modalidade


O objetivo em primeiro lugar é passar a mensagem que nem sempre o que é convencional ou hábito está certo, isto é, que no papel de treinador há que questionar constantemente o que se faz, como se faz e com que objetivo. Em segundo, explorar o conceito de vitória a todo o custo, ou que a vitória imediata é o mais importante e por isso deixo as questões em aberto para continuar a debruçar-me sobre elas. Por fim, mostrar que há espaço para os desportos aprenderem uns com os outros e que os treinadores beneficiam com essas partilhas

Desde sempre que os treinadores são peça fulcral no desenvolvimento e evolução do jogo, seja ele qual for. A sua influência no desporto moderno é inegável e o poder que o treinador tem não pode nem deve limitar-se a processos tácticos, aperfeiçoamento técnico, componente motivacional e posição de Liderança.

Vários são os exemplos de treinadores que de uma forma ou de outra revolucionaram o desporto onde se inserem; pensemos na genialidade do jogador-treinador Cruyff, na periodização tática de Vítor Frade, no jogo em equipa de Popovich, nos discursos de Sir Ian McGeechan, no carisma de Nick Bollettieri e até os “mind games” de Mourinho. Todos, à sua maneira, influenciaram gerações de jogadores mas sobretudo gerações de treinadores que procuram melhorar nas suas funções.

Ainda assim, o exemplo que estes nos dão é claro: o treinador deve procurar fazer evoluir o jogo, adaptar-se, questionar-se constantemente e estar um passo à frente naquilo que é a interpretação do jogo e condução dos seus intervenientes.

Certos que nem todos seremos treinadores ao nível dos citados, nem teremos a experiência de com eles partilhar um recinto desportivo, existe o risco de se perpetuarem métodos que enquanto jogadores fomos conhecendo. John Kessel, Diretor de Desenvolvimento do Voleibol nos Estados Unidos (USAV), escreve num artigo recente que neurocirurgiões seriam processados se utilizassem as mesmas práticas médicas que utilizavam 18 meses antes e que o mesmo deveria acontecer no Desporto Juvenil.

Existe então a necessidade de se capacitar os treinadores de jovens de mecanismos e ferramentas que evitem a perpetuação de métodos indesejados, métodos que a este nível servem provavelmente os interesses do treinador e não os dos jovens. Métodos que levarão à vitória da equipa (ou de alguns da equipa) e ao abandono de outros.

Quantos exemplos existem de jogadores fora-de-série que se revelaram treinadores medíocres e banais? Terão eles utilizado métodos do seu tempo de jogadores ou será a transição para o “back office” mais difícil do que se julga? Exemplos ao mais alto nível, que contrariam isto mesmo, não faltam: Zidane no Real Madrid, Becker com Djokovic, Simeone no Atlético, entre certamente muitos outros. Mas os que ficam por contar serão certamente mais e o impacto negativo destes é provavelmente incalculável.

O sucesso de um treinador será sempre medido pelo resultado no fim do jogo ao domingo e na classificação no final da época. Terá que ser sempre assim? O desporto amador é fértil em pequenas vitórias, o desporto juvenil idem e ainda bem que assim é. Rui Carvoeira, treinador de Rugby e seleccionador dos sub-18 da FPR disse uma vez que “vencedor só há um, mas não é por isso que os outros são todos perdedores”. As vitórias ao domingo são o resultado das variantes que o treinador pode controlar e preparar os seus jogadores para a elas se adaptarem. Os jogadores não controlam as condições atmosféricas nem o critério do árbitro, mas são estas duas variantes que mais servem de bode expiatório para o resultado que aparece no fim do jogo.

Ora, o resultado é isso mesmo, a soma de condicionantes a que uma equipa se adapta e consegue ultrapassar não só no dia do jogo mas principalmente no processo de treino. É então o papel do treinador conseguir aproximar os dois, treino e jogo, para que em momentos de pressão os seus jogadores vejam, comuniquem, e executem tal e qual como fizeram no treino.

Neste sentido é também importante que os treinadores tenham a preocupação em criar um ambiente de aprendizagem, isto é, não formarem jogadores-marionetes. James Kerr no seu livro “Legado – 15 lições de Liderança” diz, entre outras coisas valiosas, que “os líderes talentosos criam um ambiente no qual as pessoas podem desenvolver as suas competências, os seus conhecimentos e o seu carácter.”.

É então através de uma partilha de conhecimento de treinador para o jogador, entre treinadores e de jogador para treinador que todos beneficiam. Ora, um dos erros mais comuns entre treinadores é a falta de partilha de experiências. Será que os All-Blacks estão um passo à frente por terem uma cultura fechada? Será que o campeonato nacional sub 16 é o objetivo final de um treinador daquele escalão? Será mais importante todos jogarem ou ganhar o jogo? Será que um dos objetivos de um treinador não deve ser ter o mesmo número de atletas ou mais no ano seguinte?

As reflexões a fazer são imensas e se feitas em conjunto levarão certamente a um desporto, seja ele qual for, mais atrativo, mais saudável e sobretudo, nos jovens, mais divertido.

Sobre este e outros assuntos sugerimos o site changingthegameproject.com, um espaço repleto de informação sobre desporto juvenil de e para treinadores que sabem que a partilha é uma arma mais eficaz do que qualquer tática.

Popovich (Foto: Scott Halleran/Getty Images)


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