O Diário do Estagiário 4# Paragem já esperada complica o futuro

João NegreiraJaneiro 29, 20215min0

O Diário do Estagiário 4# Paragem já esperada complica o futuro

João NegreiraJaneiro 29, 20215min0
Com a paragem de todos os campeonatos não-profissionais, o dia-a-dia do nosso treinador estagiário alterou-se. Descobre todas as novidades!

Esta é uma rubrica onde um treinador estagiário partilha a sua experiência. Num contexto de aprendizagem, onde irá ser confrontado com as diferenças teóricas e práticas, vai procurar compartilhar com os leitores todas as suas vivências.

Resumo

Primeiro mês do ano e pouco vivi como treinador estagiário. No mês passado falei das intervenções que estava a ter em treino, de todo esse processo e de como estava a correr a minha evolução. Neste artigo vou falar-vos do mês que agora acaba, resumir aquilo que tem acontecido e tentar planificar algo para o futuro.

Não obstante, a verdade é que este mês de janeiro tem sido muito complicado. Até começámos o mês com algumas esperanças; depois de apenas 4 jogos na primeira metade do ano tínhamos marcados 3 jogos para este mês. 1 jogo no dia 6 de janeiro, outro no dia 16 e outro no dia 23. Ainda assim, o primeiro jogo foi logo adiado por casos de COVID na equipa adversária e acabámos por não jogar os outros pelos constrangimentos a nível desportivo nacionalmente.

Como já referi, estamos a disputar a III Divisão Feminina e com o novo Estado de Emergência Nacional, apenas as equipas profissionais e equiparadas a profissionais é que continuaram a competir e a treinar. Posto isto, o último treino que tivemos foi no dia 14 de janeiro, sem ainda qualquer data prevista para o regresso. Ou seja, treinámos 2 semanas (onde acabámos por não ter jogo) e já estamos há 2 semanas sem treinar.

Deixem-me ainda referir que algumas jogadoras da nossa equipa foram chamadas para irem treinar à equipa A e, por isso, a sua evolução não fica tão estagnada. As outras têm um acompanhamento à distância com alguns planos de treino. Nem tudo é mau, olhando deste ponto de vista.

Não está a ser fácil pois o estágio faz-se de aprendizagens no terreno. Da passagem de toda a informação teórica para a prática. E não tem sido fácil garantir isso. Depois de um início atribulado e de muitas mudanças – como puderam ler nos primeiros episódios – deixo agora de treinar e tenho que ir acompanhando e complementando o meu estágio com outros documentos que vou fazendo.

Competição

Como prometido no episódio passado vou falar-vos um pouco da competição em que estamos inseridos e quais as minhas tarefas antes, durante e após o jogo. Como já tinha dito, a equipa B feminina do SCU Torreense compete na série F da III Divisão Feminina. De mencionar que, apesar do nosso plantel ser muito jovem (composto maioritariamente por jogadoras sub-19), estamos inseridos num contexto competitivo muito facilitado, com grande domínio sobre as adversárias, como comprovam as nossas 4 vitórias em 4 jogos.

Sem qualquer historial, de referir que participam neste campeonato um total de 57 clubes que são divididos em 1 série de 9 equipas e 6 séries de 8 equipas. Na 1ª fase todas as equipas jogam entre si 2 vezes e apuram-se para a 2ª fase os 1ºs classificados de cada série e os 5 melhores 2ºs classificados. Na 2ª fase, os 12 clubes são divididos em 2 séries de 6 equipas que vão jogar entre si apenas 1 vez. São promovidos ao Campeonato Nacional II Divisão Feminino o 1º e o 2º classificado de cada série. As 2 equipas que se classificarem em 1º lugar vão jogar uma final entre si para decidir o campeão.

Em jogo, tenho diferentes tarefas, sendo que antes do mesmo posso ter que mostrar alguns vídeos e/ou falar individualmente com uma ou outra jogadora, ou até com um grupo de jogadoras. Durante o jogo acabo por aproveitar por tirar apontamentos escritos, destacando certos momentos, para que a minha análise pós-jogo seja facilitada. Para além disso, aqui tenho uma maior proximidade com a equipa técnica e posso dar logo a minha opinião sobre certas situações que vão acontecendo durante o jogo.

Após o jogo tenho a tarefa de analisar qualitativa e quantitativamente, cortar e editar os vídeos. Não conseguindo ter o vídeo logo após o jogo, estou sempre dependente do timing de envio do vídeo por parte do treinador principal. Tendo o vídeo procuro realizar logo a análise quantitativa, permitindo-me ficar logo com uma imagem do jogo antes de perceber quais os momentos para retirar e mostrar às jogadoras. De seguida realizo a análise qualitativa, onde sabendo as referências que o treinador principal me deu, vou cortar em pequenos vídeos aquilo que queremos mostrar, através do VideoObserver. Após esse trabalho, edito os vídeos ou com o software de edição MetricaPLAY.

São tarefas onde tento focar-me e melhorar jogo após jogo, pois considero a observação e análise algo fundamental no processo de treino e jogo de qualquer equipa. Entre a não muita (e natural) presença no planeamento e operacionalização do processo de treino que mais prazer me dá, acabo por dedicar-me mais às questões da análise onde tento ajudar a equipa técnica a passar a informação às jogadoras procurando sempre ajudá-las a melhorar.

Termino assim mais um episódio, com a esperança de quando vos voltar a escrever, já vos consiga presentear com mais experiências relativas ao meu processo de estágio!


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