Jovens estrelas que caíram cedo demais: Julius Aghahowa

Francisco IsaacDezembro 5, 20215min0

Jovens estrelas que caíram cedo demais: Julius Aghahowa

Francisco IsaacDezembro 5, 20215min0
De uma estrela em ascensão do Shakhtar a uma desilusão, contamos a história de Julius Aghahowa nesta rubrica especial do Fair Play

Quantas jovens estrelas atingiram o patamar mais alto do futebol mundial para depois caírem abruptamente ou, pior, devagar sem nunca encontrarem um rumo de regresso aos títulos internacionais e aos grandes palcos?

Nesta rubrica não procuramos descobrir quem tem culpa, mas sim as razões dessa desaparecimento, perceber onde foram parar e se há alguma hipótese de redenção. E atenção, não dissemos desaparecemos porque ainda jogam seja numa primeira, segunda ou terceira divisão.

Se conheces mais casos deixa nos comentários para investigarmos e falarmos desses nomes.

AGHAHOWA, UM DIAMENTE QUE ESTALOU CEDO

Quem viveu os tempos do Championship Manager relembra-se, e bem, de uma série de nomes fantásticos que enchiam as fantasias do jogador seja Mark Kerr, Assane N’Diaye, Tieme Klompe, Sergey Nikiforenko, Maxim Tsigalko, isto sem falar dos “inventados” Tó Madeira ou Hugo Pinheiro, sendo eles todos “diamantes” espectaculares que poderiam ser transformados em superestrelas do futebol em realidade virtual. Entre a longa lista de nomes, há um que sempre cativou uma boa parte dos utilizadores do CM e o seu nome é: Julius Aghahowa. Avançado nigeriano, munido de um pé direito de belo calibre e de um poder de explosão que criava autênticos dissabores aos seus adversários, tornando-se uma das principais lendas do Championship Manager 2001 e 2002, anos em que jogava ao serviço do Shakhtar Donetsk da Ucrânia, clube pelo qual acabaria por cumprir cerca de sete temporadas.

A capacidade física adornada com a potencialidade de se afirmar junto à grande área, aliado pelo crescer da sua lenda enquanto jogador virtual, criaram um universo curioso para o nigeriano que arrancou em beleza ao serviço de um dos maiores emblemas da Ucrânia, como se mostra pelos 18 golos em 35 jogos nas duas primeiras temporadas, 7 dos quais que ajudaram à conquista do título de campeão desse país do leste europeu, tendo aqui começado os problemas para o striker. Aghahowa, mal aconselhado pelo seu agente, começou a tentar forçar uma saída para Itália, Inglaterra ou Espanha (falou-se durante dois anos do interesse do Everton, Valência e Corunha), criando um ambiente ligeiramente negativo à sua volta, com o Shakhtar a recusar vender o seu avançado abaixo do valor (na altura, chegou a estar cogitado por 5M€, isto quando falamos do ano 2003), enquanto o nigeriano de 21 anos queria sair como fosse possível para uma liga de maior dimensão.

Contudo, para serenar a discussão, o clube avançou com um novo contrato e o ponta-de-lança acedeu, voltando a subir de rendimento entre as épocas de 2003-2004 e 2004-2005, esta última em especial já que atingiu os 16 golos em 33 encontros, sendo que 5 foram concretizados em provas da UEFA, o que ajudou a subir Aghahowa ao pico máximo de confiança e de publicidade. O Shakhtar nessa temporada de 04/05 conseguiu a qualificação para a fase-de-grupos da Liga dos Campeões, acabando em 3º graças a um bis do seu principal goleador, que no último encontro bisou na vitória por 2-0 ao FC Barcelona, levando ao rubro os adeptos de Donetsk.

O voltar a mostrar os seus melhores atributos, seja a rápida velocidade de processos, o capricho de um remate bem colocado ou a durabilidade em bater na defesa contrária, proporcionou mais atenção ao nigeriano que sonhava, cada vez mais, com uma ida para uma das Big-5, o que acabou por significar o retorno ao mindset de contestatário quando o clube não aceitou negociá-lo a baixo dos 15M€. A partir deste momento, e após uma época de alto brilho, Julius Aghahowa entrou num furacão negativo de emoções e decisões, passando de 16 golos para um total de 3 em duas épocas, negando-se a comparecer nos treinos ou acatar ordens até ao fim do seu contrato, terminado em Dezembro de 2006.

Depois de 7 (longos) anos na Ucrânia, o supra-diamante virtual, que até tinha tido engenho para encantar na vida real, obteve a sua oportunidade para ingressar num campeonato maior, isto quando o Wigan avançou para a sua contratação em Janeiro de 2007. Infelizmente, as duas épocas negativas no Shakhtar assolaram a carreira de Aghahowa até ao fim, já que em Inglaterra efectuou 20 jogos sem marcar qualquer golo (visto como um dos maiores flops a custo-zero a ter passado pela Premier League no século XXI), perdido na maior parte dos encontros e sem força para se impor como noutros tempos, quando ostentava 25 anos. O Wigan acabou por vende-lo ao Kayserispor da Turquia, clube pelo qual voltaria a atingir com a redonda no fundo das redes por 6 ocasiões, sem que fosse o suficiente para impressionar a direcção que acabou por não renovar o contrato do avançado nigeriano.

E onde acabou Aghahowa? No Shakhtar Donetsk, que abriu-lhe as “portas” por uma última ocasião… entre 2009 e 2011, o avançado somou só 3 golos, falhou grande parte das épocas tudo devido a lesões ou falta de forma física, foi cedido ainda a um clube secundário da Ucrânia, sem que fosse capaz de se mostrar, e passou a temporada 2011/2012 afastado do campo de treinos e dos palcos futebolísticos. Depois de tanta promessa, de umas quantas exibições exorbitantes e vontade de se apresentar como um dos novos “reis” do futebol nigeriano, Aghahowa colocou um ponto final na carreira aos 29 anos, longe do seu melhor, estéril na arte de fazer golos e como uma nota de rodapé da vida real, apesar do imenso sucesso somado no CM ou nos primeiros anos da carreira.

De quase 200 jogos nos primeiros 7 anos de carreira, para 100 e poucos (a larga maioria como suplente) nos últimos 7, Julius Aghahowa foi um “diamante” que se partiu cedo demais.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter