Onde é que anda o Flop: Leandro Grimi, o “Barata Tonta”

Antonio MendonçaFevereiro 18, 20189min0

Onde é que anda o Flop: Leandro Grimi, o “Barata Tonta”

Antonio MendonçaFevereiro 18, 20189min0
O onde é que anda o Flop escolheu o "alvo" desta semana com Leandro Grimi, ex- Sporting CP, a merecer a nossa atenção. Mas terá sido um flop?

Antes de mais cabe-nos reforçar a ideia que apesar de inserirmos Grimi como um “flop” leonino nada tem a ver com os jogadores já apresentados (recorde-se Bojinov, Angulo e Pongolle). A grande diferença é que os já supramencionados em nada, ou em muito pouco, contribuíram para o clube de Alvalade, ao passo que o jogador italo-argentino presenteou os adeptos leoninos com mais de 75 jogos.

Grimi apareceu no mundo do futebol profissional em 2004/05 no Huracán, na Argentina. “Filho” das camadas jovens do clube sediado em Buenos Aires, o jovem defesa rapidamente ganhou destaque entre os seus colegas de geração, como Mariano Andújar, Joaquín Larrivey ou Daniel Osvaldo. O Huracán, reconhecido clube pela sua excelente capacidade em formar atletas (Javier Pastore foi outra das coqueluches do clube), abriu os palcos dos campeonatos profissionais de futebol da Argentina a Grimi em 2004 com apenas 18 anos de idade.

FILHO DE HURACÁN MAS NÃO VENCE EM MILÃO

Dotado de um (ou até dois!) pulmão incansável e infindável, o argentino ganhou reputação de um jogador “chato”, que não largava os extremos adversários, colocando-os nervosos e cansados ao fim de uns bons 50 minutos. Infelizmente, os primeiros anos como sénior não foram fantásticos a nível colectivo, já que o emblemático clube de Buenos Aires nunca conseguiu a subida à primeira divisão (ironicamente, iriam-no conseguir no ano seguinte à saída de Grimi, em 2007).

As exibições de qualidade, reforçadas com uma boa capacidade de nunca desistir, permitiram a Grimi o salto para divisão cimeira ao serviço de outro clube que forma ou “lapidou” vários astros do país das Pampas: Racing Club!

No torneio Apertura (quando ainda o campeonato argentino estava dividido em dois períodos distintos), o lateral-esquerdo faz das melhores exibições da sua carreira, abrindo caminho na ala-esquerda como se um TGV se tratasse. Rápido, feroz e ágil, o defesa rapidamente ganhou a confiança dos adeptos, que não teriam o gosto de o ter em “casa” durante muito tempo.

Nesse interregno de 2006, após ter realizado onze jogos, despertou o interesse do colosso mundial AC Milan. Os quase 1000 minutos convenceram os rossoneri a dispensar cerca de 2M€ em troca do lateral.

É lógico que não seria de esperar que um jogador que atuava na primeira divisão Argentina, onde vigora uma anarquia tática própria do futebol Sul-Americano, ainda por cima como defesa lateral, “pegasse de estaca” no futebol italiano onde impera o rigor tático e defensivo. A somar a isso, a exigência que um clube como o Milan requisitava, não ajudava nada a um jovem que tinha acabado de chegar de Buenos Aires com pouca experiência em divisões principais. Em suma, desde que aterrou em Janeiro em Milão só jogou uns 100 minutos, que foram divididos em quatro jogos diferentes.

Grimi no seu único golo nos 11 jogos disputados pelo Racing em 2006

Na lógica de procurar “olear o sistema” e adaptar-se ainda melhor ao futebol italiano foi emprestado na época seguinte ao Siena até ao Mercado de Inverno, onde realizou 13 jogos. As exibições de Grimi não foram fantásticas e a troca de treinadores prejudicou o lateral. Mario Beretta não só tirou Grimi do onze, como o deixou de convocar.

O NOVO RIVAL DE RONNY EM ALVALADE: LEANDRO GRIMI!

Este cenário forçou ao AC Milan tomar uma posição que passou pela procura de novo colocação a nível europeu… e o Sporting CP necessitava de alguém para competir com Ronny pelo lugar na faixa esquerda defensiva (era o único lateral-esquerdo de origem no plantel). O acordo foi rapidamente alcançado e Grimi transferiu-se, por meia época, para Alvalade.

Temos de reconhecer que o Leandro Grimi tinha vastíssimas qualidades, especialmente físicas. Era definitivamente um grande atleta com uma disponibilidade física brutal, uma agressividade na luta por qualquer bola. Porém, com bastante propensão para lesões. Como oferecendo um preview do pós-Sporting, Grimi já conta pelo menos com uma rotura de ligamentos em cada joelho.

Como todos sabem ser apenas um bom atleta (física e psicologicamente) não chega para ser um bom jogador de futebol. E é por isto que, talvez, se possa considerar Grimi um “flop”, já que em Alvalade contaram-se pelos dedos as exibições agradáveis. Mas o que é que correu mal? Primeiro ponto: tinha sérias lacunas a defender, ficando na retina a falta de capacidade em ler o ataque adversário ou cobrir espaços para evitar uma subida do bloco adversário atacante.

E a atacar? Apesar de toda a sua disponibilidade física tinha fortes limitações técnicas, em que era unânime no universo Sportinguista que este era tinha dois “pés esquerdos”, sendo lembrado pelos inúmeros centros atirados directamente para a linha de fora. Estranhamente foi o pior período a atacar de Grimi pois tanto em Siena como no Huracán tinha demonstrado que sabia um pouco mais do que demonstrado em Alvalade.

Ao bom gosto de vários laterais argentinos a forma como se projectava inúmeras vezes pela ala atacante, sem pensar nas consequências, era um pormenor alojado na mentalidade de Grimi. A equipa ficava mais débil defensivamente e susceptível a contra-ataques, e, por outro lado, a capacidade de tirar cruzamentos era fraca. Era um jogador muito previsível, procurando sempre e apenas sobreposições exteriores. Taticamente era, também, um jogador débil como já dissemos.

Muitas vezes mal posicionado, apesar que por vezes compensava com a sua velocidade. Mas nem isso fez com que perdesse a sua alcunha de “barata tonta”. Foi notório que os três milhões pagos pelo Sporting por 60% do passe do italo-argentino não foram um bom investimento, apesar do lateral ter ajudado o clube a ganhar a Taça de Portugal em 2008.

Todavia, como muitos adeptos sabem, o Sporting CP tomou algumas más decisões na hora de reforçar o plantel e Grimi conseguiu convencer a SAD leonina a dispensar 2M€ pelo seu passe… o AC Milan nem fraquejou na hora de assinar a rescisão.

O argentino envergou a camisola verde-e-branca durante mais duas épocas e meia, sendo que em 2008/2009 falhou quase todos os jogos a partir de 31 de Janeiro. Primeiro porque foi apanhado alcoolizado e a conduzir nesse estado (suspenso por Paulo Bento) para depois se lesionar no joelho a seguir ao Clássico contra o FC Porto.

A paragem por completo podia beliscar as possibilidades de Grimi em jogar na temporada seguinte… mas, ao contrário do que se especulava, ainda vai conseguir fazer uma temporada mediana/satisfatória ao serviço dos Leões na temporada seguinte, alinhando em 36 jogos, quase sempre como titular… ironicamente, foi o início daquele “inferno” momentâneo para o Sporting Clube de Portugal, registando-se um 4º lugar no final dessa época.

A troca de treinadores, as confusões dentro do plantel e o facto de Grimi ter cedido à pressão dos adeptos, iria tornar a vida do argentino muito difícil em Lisboa.

O único golo de Grimi em Alvalade…frente ao Vitória SC

O lateral em 2010/2011 acaba por fazer apenas 4 jogos, já que a contratação de Evaldo e as suas exibições mais bem concebidas acabaram por “encostar” Grimi., com Paulo Sérgio a nunca confiar nas capacidades do menino de Buenos Aires. O calvário de Grimi começa nessa época e estende-se às seguintes realizando apenas 4 jogos no seu empréstimo ao Genk da Bélgica… as lesões tiraram espaço e a confiança em si já não era a mesma.

REGRESSOA CASA E CAMPEÃO ARGENTINO

Não houve regresso ao plantel do Sporting na pré-época uma vez que volta para para a Argentina, ficando ao serviço do Godoy Cruz, clube que vai adquiri-lo em 2013/2014 (livre de impostos, já que o contrato terminou nesse Verão). É aí que volta a descobrir-se, apresentando aquelas características que em tempos levaram o AC Milan a comprá-lo ao Racing… a raça, a capacidade de lutar, de apresentar um físico “letal” e agressivo, para além de estar munido de um remate potente, permitiram a Grimi ganhar novo destaque.

Em 2014 transfere-se novamente para o Racing onde se encontra até hoje. Note-se que esta 2014/2015 foi a melhor época de Grimi que acabou por realizar 51 jogos, com o clube de Avellaneda a levantar o título de campeão algo que não acontecia há mais de 13 anos. Foi fundamental para o conjunto que enverga as mesmas cores que a selecção da Argentina, revelando-se um autêntico “cão de caça” de Diego Cocca, treinador que privilegiou as características anárquicas e quase caóticas de Grimi.

Nesta presente época tem oito jogos, mas encontra-se em fase de recuperação de uma rutura de ligamentos… as lesões são um cartão de visita tão marcante como a sua capacidade física e agressividade nos desarmes.

Durante as quatro épocas em Alvalade Grimi coleccionou uma Taça de Portugal e um Supertaça Cândido de Oliveira. Tem atualmente 33 anos e nenhuma internacionalização pelo seu país. A verdade é que substituir Rodrigo Tello (saiu no Verão de 2007) seria sempre difícil mas Grimi tornou essa missão ainda mais difícil, pois andou sempre entre o bom e o mau, o profissional e amador (os casos de “noites” complicadas ficaram estampadas na sua ficha de jogador), o raçudo e o ilógico ou entre o capaz e o incapaz.

Quem se esquece daquela troca de pés por parte de Stéphane Sessègnon que desfaz os rins de Grimi?


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