“Cromos” da Laranja Mecânica: Ruud Gullit

Pedro PereiraDezembro 14, 20203min0

“Cromos” da Laranja Mecânica: Ruud Gullit

Pedro PereiraDezembro 14, 20203min0
Um dos melhores jogadores de futebol de sempre da Holanda é relembrado pelo seu papel, amizade e luta no futebol e sociedade pela Caderneta dos Cromos. Fica a conhecer melhor algumas histórias de Ruud Gullit nesta rubrica especial

A Caderneta dos Cromos conta sempre histórias de dentro e fora das quatro-linhas da bola redonda e hoje dedica esta rubrica a um jogador icónico do futebol holandês, europeu e mundial… de seu nome, Ruud Gullit. Uma pessoa que lutou em tantos e diferentes campos e que inspirou milhares de pessoas a seguir o mesmo pensamento.

RUUD GULLIT – DOS MUNDIAIS, RIJKAARD AO DWS

A Luta pela igualdade

Em 1987, @ruudgullitofficial_ recebeu a Bola de Ouro da @francefootball . Na altura, Nelson Mandela estava preso, fruto do seu activismo de confronto ao sistema Apartheid na África do Sul. Gullit, com ascendência surinamesa (tantos holandeses assim), não se limitava a jogar futebol. Para além de ser bom de bola, este cromo era muito atento à situação racista que decorria na África do Sul. Por isso mesmo, quis dedicar a vitória daquela Bola de Ouro a Nelson Mandela, aproveitando o momento do discurso para alertar para o que se passava. A France Football não deixou. Calou-o. Sem que a organização soubesse, ele entregou um envelope a todos os presentes na cerimónia alertava para a situação. Mais ainda: no fim, disse : “This… is for Nelson Mandela”.

A organização não gostou, os media criticaram a sua envolvência política e os próprios patrocinadores dele também não gostaram muito. Era um assunto delicado na altura. A verdade é que Gullit estava convicto das suas ideias e pouco se importou com as críticas. Disse ele que “não era uma posição política; era uma situação humanitária”. O primeiro capitão negro da historia da seleção holandesa, recebeu mais tarde um louvor (talvez) maior que a Bola de Ouro, uma condecoração atribuída aos grandes cidadãos da África do Sul ou a pessoas que tenham feito algo muito importante pelo país, directamente das mãos de Mandela. Que honra. Finalmente, em 1994, Gullit teve a oportunidade de oferecer a Bola de Ouro a Mandela, num palco da FIFA. Mandela agradeceu com estas palavras:

“Agora, tenho muitos amigos. Mas poucos fariam o que você fez por mim quando eu estava na prisão. Você foi um dos poucos amigos que tive quando estava lá”

A Amizade com Frank Rijkaard

Dois produtos da rua. Enquanto as escolas holandesas procuravam a solução perfeita dos átomos tácticos que revolucionassem o estado de alma do futebol, os seus maiores produtos brotavam da rua, do chão de cimento, da bola rota, da sola raza e de um rectângulo ANÁRQUICO. Gullit e Rijkaard conheceram-se na praça Balboaplein, em Amesterdão. Filhos da primeira geração de surinameses que foi para a Holanda, estavam habituados a jogar numa equipa de brancos. Talvez a representratividade os tenha unido e tornado inseparáveis. Gullit aos 11 anos já jogava no DWS e convidou logo Rijkaard para jogarem juntos no clube holandês. Esta fotografia é de 1977. Gullit era o capitão. Os dois voltariam a jogar no mesmo clube 20 anos depois, para representar outro clube listrado: o poderoso AC MIlan de Arrigo Sacchi. Nesse intervalo de tempo, os dois sempre mantiveram uma profunda amizade.

O Especial DWS

DWS é o clube onde Rijkaard e Gullit começaram a sua carreira no futebol. Este clube foi campeão da primeira liga holandesa em 1964, a única vez na sua história. Fun fact: Foi a última equipa a vencer esta competição que não tem o vermelho no seu equipamento. De há 46 anos para cá, só equipas vermelhas venceram o campeonato (Ajax, AZ, Feyenord, PSV e Twente).

Hoje em dia, o DWS disputa as competições amadoras de Amesterdão.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter